quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Pela boca morre o peixe

Muito boa tarde excelentíssimos amigos e amigas.

Para vos situar neste post, tenho de confessar que nos últimos meses tenho andado desanimado.
Deprimido, mesmo.
A minha barriga tem andado um bocado desregulada, tenho tido umas decepções com algumas pessoas, e a procura de emprego não tem dado grandes frutos se bem que esta ultima arrelia não me será, de maneira alguma, exclusiva.
A situação de emprego em Portugal está terrível até para quem não tem qualquer limitação, então para quem, como eu, de repente se "desfaz" em merda a coisa está ainda mais complicada.
Para piorar, o meu ultimo emprego foi numa seguradora, e pelo que me explicaram a área de banca e seguros, por motivos de segurança, utilizam tecnologias um pouco mais obsoletas que o ultimo grito o que faz com que eu esteja um pouco (muito) desactualizado em relação à programação, não sendo por isso um recurso apetecível pelas diversas entidades patronais. Além disso, as coisas não correram muito bem com o meu ultimo patrão, sinto que eles me deram um chuto no cú quando eu precisava que me dessem a mão, e isso faz-me ficar assim um pouco raivoso pois sempre dei ao litro por aqueles gajos e quando eu precisei basicamente disseram-me: "Vai-te foder, oh meu!!". Tudo isto fez com que eu tenha desistido de programar e tenha ido para o IEFP para procurar uma carreira alternativa.
Mas estou a divagar. Não é disso que eu venho aqui falar hoje, e muito honestamente nesta altura do campeonato essa é a ultima coisa com que me devo e me vou preocupar.

Como disse, pela boca morre o peixe. E é mesmo verdade. Eu, neste momento sou a prova viva disso.
E porquê?
Bem... Como disse, tenho andado deprimido, então andava a dizer a quem quisesse ouvir que já tive a minha dose de hospitais, internamentos, cirurgias e etc's, e que visto que a minha vida está uma confusão completa que preferia bater a bota a voltar a passar por estar preso num hospital. Que preferia esticar o pernil do que voltar a submeter-me a cirurgias e afins.
Pois é... Nesta altura de certeza que vocês já adivinharam o que vos vou dizer...
Acertaram.
Desde dia 15 à noite que estou internado em Santa Maria.

Então, o que se passa comigo? Lá chegarei. Deixem-me primeiro contar-vos como aqui cheguei.
Há umas semanas que me tenho andado a sentir cansado. A minha casa fica num terceiro andar de um prédio sem elevador, e cada vez que eu subia aquelas desgraçadas escadas eu chegava lá a cima num caco. Literalmente de rastos, com dores horríveis nas pernas e bastante dificuldade em respirar.
A coisa estava tão má, que eu na próxima consulta com a médica de família lhe ia pedir análises ao sangue pois andava desconfiado que estava novamente com uma anemia.
Mas andava tranquilo, pensei que a anemia se devia novamente a alimentação abaixo de óptima, sedentarismo e falta de cólon para absorção de nutrientes.
Preciso de vitaminas, ou algo assim do género, pensava eu. Pelo menos um reforço de ferro, como da ultima vez que estive anémico.

Acontece que, por acaso ou ironia do destino, tive uma consulta de rotina com a minha gastroenterologista no dia 15. E no decorrer dessa consulta ela olhou para mim e disse-me: "Há muito que não fazemos análises, não é? Eu já vou conhecendo qual é a sua cor, e você não está com muito bom aspecto, está assim um bocado para o branco. Vou fazer aqui o pedido, e você vai já recolher sangue para vermos como isso está."
Dito e feito, fui fazer as análises, e vim-me embora descansadinho da minha vida.
No caminho para casa fiquei sem bateria no telemóvel. Esta é uma situação normal no meu aparelho, que já é velhinho e já precisava da reforma. Então, deixei-o em casa a carregar, e fui para o café.
Quando finalmente fui para casa, o telefone já estava carregado, então liguei-o. E imediatamente recebi uma chamada de um número que não conhecia.
Era da central de colheitas de sangue do Hospital de Santa Maria. A senhora disse-me que tinha estado a tentar falar comigo a tarde toda (confirma-se, pois após desligar a chamada recebi a típica SMS que recebemos quando temos o tlm desligado, a dizer que o tal número que não conhecia me tinha tentado contactar 12 vezes) pois a Dra. que estava responsável pelo serviço de colheitas de sangue achou uns valores estranhos nas minhas analises, e queria que eu lá fosse para repetir as ditas. Por acaso estranhei o tom de voz da senhora, estava assim um bocado preocupada, mas como eu tinha coisas a tratar nesse dia disse que lá passaria no dia seguinte. E assim ficou, até que cerca de 10 minutos depois voltei a ser contactado pela mesma senhora que me dizia que a Dra. insistia muito que eu lá fosse ainda no próprio dia.
Fiquei alarmado, e lá anuí. E eu não sei porquê, mas algo me dizia que me queriam internar. Não tinha motivos para pensar nisso, além claro da insistência e do tom de voz da senhora ao telefone, então falei com o meu pai, e ele deu-me uma boleia até ao hospital. Não sei porque não levei o meu carro e pedi boleia, acho que o meu subconsciente já sabia que algo se passava, ou então o meu apuradíssimo  sexto sentido já sabia que vinha lá qualquer coisa. Pelo caminho fui sempre dizendo ao meu pai: "Meu, prepara-te que se eles me quiserem lá 'agrafar' eu vou fugir.", "Pai, eu não fico lá, nem que tenha de assinar o termo de responsabilidade para me vir embora", e cenas do género.
Chegado ao hospital explicaram-me que o nível de hemoglobina no meu sangue estava muito baixo, e que a confirmarem-se aqueles valores eles não sabiam explicar como é que eu ainda estava de pé e não tinha ainda caído para o lado. Isto porque a hemoglobina é o componente do sangue responsável por fazer chegar o oxigénio aos vários orgãos e membros do corpo. Desde segunda-feira que tenho ouvido isso várias vezes, seja de médicos ou enfermeiros, bastante gente me perguntou como é que com aqueles valores de hemoglobina eu ainda estava a respirar e não estava caído, morto, no chão.
Repetidas as análises, confirmou-se que as primeiras estavam correctas. Explicaram-me que uma pessoa em estado normal tem 14 gramas de hemoglobina no sangue, e eu apresentava 4. Isto faz com que o meu coração tem estado a trabalhar o dobro ou o triplo do normal, esforçando-se para oxigenar o meu corpo, e o risco imediato que eu corria era o de sofrer um enfarte.
Logicamente que não me deixaram sair de lá, e me internaram de imediato. E eu, que tanto falei, que tanto cantei de galo que não fico e não fico e não fico, assim que me disseram: "O mais provável é você ter leucemia" que o que senti foi como se alguém me tivesse dado com uma marreta na cabeça. Fiquei de todas as cores e mais alguma, pois só a palavra leucemia assusta.
E pronto, tive de engolir tudo o que disse, e deixar que me internassem.

No dia seguinte fiz um exame chamado Mielograma, que é tirar um pouco de medula óssea do esterno (o osso que temos no peito onde ligam as costelas) para que se analise a dita medula, e com isso se diagnostique a doença.

E confirma-se. Eu tenho o que se chama Leucemia Mieloide Aguda.
Vou ter de ser submetido a tratamento, a iniciar o quanto antes, tratamento esse que passa por transfusões de sangue (vá lá que não sou jeová, senão esticava o pernil em dois ou três meses), e por quimioterapia, que neste momento é o que me está a assustar que se farta.
Desde que fui internado que já levei com quatro transfusões, estou neste preciso momento a levar a quinta transfusão, e pelo que entendi devo começar com a quimioterapia o mais rápido possível.
No entanto, nem tudo é mau. A minha doença foi diagnosticada mesmo no inicio, e é no inicio que se deve atacar o problema aumentando assim as hipóteses de cura.
O que me explicou a médica foi que se diagnostica leucemia a partir de 20% de células malignas na medula. Os meus exames acusaram 21.5%, ou seja, está mesmo mesmo mesmo no inicio.
Outra coisa boa disto tudo é que eu andava aqui cheio de dilemas acerca do que iria fazer na passagem de ano, para onde iria, e assim olha... ...já está resolvido. Já sei perfeitamente onde vou celebrar a minha passagem de ano... Provavelmente a dormir, ou cheio de náuseas e vómitos devido à quimio. :P

E pronto, basicamente é isto. Mais uma vez, saiu-me na rifa uma brincadeira tramada para me dar conta do juízo, desta vez numa altura não tão propícia a isso, mas como me diz um amigo meu: "Tu és o Iron Man, tudo te acontece e não há nada que te deite abaixo.".
Começo a achar que ele tem razão...

Assim, meus caros amigos e amigas, a próxima vez que começarem a falar alto que não vão fazer isto ou aquilo, ou que vão fazer, ou o que seja... ...não cantem de galo.
Lembrem-se de mim, e recordem-se: "Pela boca morre o peixe..." ;)

Um grande abraço a todos
O Gajo sem Cólon, com pulmão colado e agora também leucémico.

P.S: A médica que me fez o mielograma diz que esta patologia não foi causada por culpa minha. Não fiz rigorosamente nada para que isto me acontecesse, é pura genética e que é como sair o euromilhões...
Bem... Raios me partam... Tenho de começar a jogar a sério no euromilhões de verdade. Com a sorte que tenho para me sairem coisas dificeis na sina, só me falta mesmo ganhar o primeiro prémio e ficar rico... :P

P.P.S: Têm-me dado bastantes comprimidos para controlar a ansiedade, nomeadamente Alprazolan, que até onde sei é genérico do Xanax (não tenho mesmo a certeza disto que estou a dizer, mas quase). Isto faz com que eu ande cheio de sono e zonzo, então não estou mesmo com cabeça para reler e reformatar e colocar este post todo bonitinho. O mais certo é estar cheio de frases mal construídas, provavelmente fartei-me de me repetir e não faço totalmente sentido no que estou a dizer, mas acho que desta vez tenho desculpa. Peço-vos um pouco de paciência, ok? Obrigado. ;)
Beijinhos e abraços!

domingo, 30 de novembro de 2014

As pessoas não prestam. Eu inclusive.

E a verdade é mesmo esta... A grande maioria das pessoas não prestam. E começa por mim...
No outro dia precisei de ir a um multibanco. Essa raça de maquinetas que agora são mais esquivas que os gambozinos, devido aos energúmenos que por agora aqui andam e que acham que é o máximo rebentarem com os ATM para ver se de lá sacam uns guitos.
Se chegam a sacar alguma coisa de jeito, eu não faço a menor ideia, mas sei que o efeito de tal acto é o de simplesmente conseguirem que os responsáveis pelas maquinas multibanco as tirem de lá antes que os meliantes se lembrem de lhes rebentar com o estabelecimento,  provocando um efeito devastador para malta assim como eu, que apenas quer utilizar os multibancos para aquilo que eles realmente foram feitos.
Ou seja... ...isto faz com que cada vez existam menos multibancos disponíveis.  Na Cidade Sol, por exemplo, se queres levantar dinheiro ou vais ao Pingo Doce ou ao Intermarché, e tens de ir enquanto estes estabelecimentos se encontrem dentro do seu horário de funcionamento, ou não há multibanco para ninguém porque o acesso às máquinas encontra-se apenas dentro do edifício.
E foi basicamente isto que me aconteceu. Precisei de levantar dinheiro, e já que estava pela zona, fui ao Intermarché. E isto foi um erro tremendo...
Ok, talvez esteja a exagerar um pouco, um erro não foi... ...foi antes um infortúnio.
Quando lá cheguei, ouvi um miar que era... ...como é que explico isto?... ...um miar aflitivo. Um miar que pedia desesperadamente atenção, um miar que era literalmente um choro.
Mas vamos posicionar-nos no cenário correctamente, para ver se consigo expor exactamente o meu ponto de vista.
Estava um frio desgraçado, estava um vento forte, enregelante e desagradável. Chovia a potes, e estava tudo molhado. Estava à porta do Intermarché um senhor, que eu já o vi por lá a afixar posters com as promoções da loja, e já o tenho visto lá em cima nos escritórios, então suponho que ele pertença à gerência.
E o dito senhor lá estava à porta, a falar ao telemóvel e a afugentar com os pés o gatinho quando este tentava entrar para dentro da loja, muito provavelmente para fugir ao frio e à chuva.
Felizmente ele nunca chegou a acertar de facto com um pontapé no gato, pelo menos que eu tenha visto... ...mas o miar era tão aflitivo que me partiu o coração.
Eu consegui entender exactamente o que o animal queria. Queria carinho, queria fugir do frio e da chuva, queria ser amado e protegido. E eu consegui por-me no lugar do gato.
Eu sei bem o que é esse desejo de amar e ser amado. De ter carinho, de ter alguém em quem confiar, mas ser barrado no caminho.
E posto isto, sinto necessidade de esclarecer uma coisa... Quem ler esta merda vai ficar a pensar que eu não sou amado, o que é um conceito um pouquinho errado. Felizmente sou amado. Tenho os meus pais e a minha irmã, que sei que gostam de mim independentemente de todos os defeitos que eu possa ou não ter, independentemente de todas as falhas ou virtudes que eu possa ter. Tenho os meus amigos, que apesar de não os ver tantas vezes como antigamente, sei que continuam presentes para o que der e vier, tal como eu estou para eles.
Não, eu não digo que não sou amado, porque isso não é verdade.
Mas todos sabemos que há amar e amar. O amor não é feito de uma só cor. O amor é um degradé extremamente complexo que nem os mais entendidos nas matérias do coração conseguem explicar totalmente.
Não vou dar novidade nenhuma a ninguém se disser que o carinho que se recebe de uma família, com tudo o que de bom tem, não é a mesma coisa que o carinho que se recebe daquela pessoa especial, tão difícil de encontrar. Isso já entra na parte do degradé, onde as cores se começa a misturar e não sabemos exactamente onde começa uma e acaba outra.
E foi isso que eu senti ao ouvir aquele miar durante os 10 minutos que estive à espera que chegasse a minha vez de utilizar a maquineta caga notas.
Um miar cortante, profundo, como se dissesse "Vá lá, deixem-me entrar. Está muito frio aqui fora, e eu estou gelado.". Enquanto esperava, vislumbrei o bicho. Tratava-se de um gatinho pequeno, minúsculo, com o pelo castanho malhado como os tigres, que não devia ter mais do que dois meses de vida. E lá andava ele.
As portas da loja (sendo automáticas) abriam com a passagem das pessoas, e o pobre animal lá investia com mais uma tentativa de invasão ao Intermarché, apenas para ser afugentado pelo pé do gerente que ali montava guarda.
E de cada vez que o gato dava a sua corrida, era cada vez que soltava aquele miar a pedir ajuda, a pedir clemência, a pedir uma ponta de compaixão que fosse.
E o que me custou ver as pessoas a passar, como alguém que passa por um mendigo ou um sem-abrigo e os ignora completamente, virando a cara e olhando para o lado numa tentativa fugaz de não ver aquilo que está mesmo à sua frente. Bem, ok, ainda haviam algumas pessoas que comentavam a situação, e diziam: "pobre gatinho", "coitadinho", e essas tretas todas que se dizem porque fica bem dizer.
Esta situação custou-me. Fico surpreendido pela maneira como isto me afectou tanto. Isto parece tão estúpido, mas eu consegui por-me exactamente na pele do gato. Consegui (e acho que ainda consigo) sentir o desespero do animal.
Ainda pensei em agarrar nele e levá-lo para casa dos meus pais, mas eles já lá têm três, simplesmente não há espaço para mais um bicho naquela casa. Obviamente que pensei trazê-lo para minha casa, claro. Mas esta é uma daquelas alturas em que tenho de ser realista... ...a minha casa praticamente não tem condições para eu cá viver, quanto mais para trazer para cá um gato. Não, não sou capaz de trazer para cá um animal enquanto não tiver condições condignas para ele.
Então fiz o que toda a gente fez... ...virei a cara, meti-me no carro e fui-me embora.
E não consigo explicar, não existem palavras ou eu não tenho inteligência suficiente para o fazer, mas não sei classificar o que sinto por isso.
Sei que nunca mais vou ver o gato, nunca mais na vida vou saber o que lhe aconteceu, mas vou tentar pensar que houve alguém, uma pessoa que ainda tenha pingo de boa vontade ou possibilidades de dar a mão ao bicho, que o tenha feito. Espero mesmo que isso tenha acontecido, peço-o aos meus santinhos todos, mas no fundo acho que isto, se calhar, não passa de sentimento de culpa por não ter feito nada, tal como tantos outros. Mas lá está... Se calhar é por isso que eu ando como ando. Chama-se Karma, meus queridos, e é um fenómeno implacável que nunca falha. Mais cedo ou mais tarde, o Karma apanha-nos e julga-nos por tudo aquilo que, de bom e de mau temos vindo a fazer, quase como o julgamento final no purgatório, mas este ocorre ainda em vida e não é one-time only. É mais um processo contínuo que nunca descansa.
Eu... ...no fundo não sou melhor que todos os outros que ignoraram a situação do gato, pois fiz exactamente a mesma coisa. Deixei-o entregue à sua sorte. E isso, meus caros amigos e amigas.... ...dói que se farta.

Enfim... ...desculpem lá o desabafo. Este blog, que supostamente seria para partilhar as minhas experiências adjacentes a uma vida sem cólon, começa a descambar, e muito, no seu propósito.
Tenho andado com ideias de fazer uma actualização de estado acerca desse assunto, mas muito honestamente já não vou prometer nada. Com dias (e o Dias) cinzentos como ultimamente, tudo o que escrevo me parece altamente depressivo, então ainda ando à espera de conseguir fazer um texto digno de ser publicado, que não me pareça ter sido escrito por um emo a quem tiraram as tesouras.
Aguentem-se aí, que eventualmente o dito texto surgirá. Sim, porque eu acredito piamente que vocês estão extremamente interessados... ;)

Um grande abraço
O Gajo sem Cólon

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Um (muito) pequeno (e péssimo) poema.

Saio à rua devagarinho
Pois já sei o que esperar
Mesmo embrulhado no meu casaquinho
Socorro é tudo quanto consigo articular

Sopra um vento gelado
Que incomodaria até um urso polar
O termômetro diz que está complicado
E eu não tarda vou congelar

Ponderei seriamente chamar-te
Sei que a tua força é espectacular
Pensei que se me desses pequena parte
Rapidamente o frio iria passar

Mas imediatamente esqueci a ideia
Seria incapaz de o fazer
Se para me aquecer um pouco
Isso te pudesse fazer sofrer

Assim continuo no meu caminho
Embora nao esteja melhor
Se não fosse o aquecimento do carro
Não quero imaginar a dor

E assim começou o meu dia
Sentindo-me num glaciar
Se morresse agora nao me importava
Partia com o doce gosto de te amar.


O Gajo sem Cólon

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A triste alegria de se estar vivo

Bom dia caros amigos e amigas.

Ui... Foi uma noite longa. Estou com umas olheiras terríveis, e ainda estou zonzo.
Se calhar ainda estou com os copos, ou se calhar é mesmo do sono, não sei...
Ultimamente não sei grande coisa, tenho andado bem baralhado da minha vida, mas há uma coisa que eu sei. Ontem deixei-vos em alvoroço (sim, eu sou presunçoso ao ponto de pensar que vocês ficam em alvoroço por minha causa) e não havia a mínima necessidade.
Claro que também não é novidade nenhuma, afinal a posts meus onde só refilo e choro e me lamento estão vocês mais que habituados. Ou pensavam que se viam livres assim com tanta facilidade? Não...
Toda a gente muda, mas a sua essência fica. Aquilo que nos torna indivíduos, que nos distingue dos nossos semelhantes, aquilo que impede que sejamos todos apenas um monte de robôs feitos em série.
Ok... Se calhar até somos todos um monte de robôs, não feitos em série todos estéticamente iguais uns aos outros, mas pré-programados e transformados em carneirinhos dóceis, só que assim já começo a entrar no campo da politiquice (cada vez mais me apetece chamar-lhe antes palhaçice) e muito honestamente não me apetece.
Estava a dizer que todo e cada um de nós tem a sua essência. Um núcleo, uma maneira de ser que, por mais que a pessoa mude, continuará sempre presente. E eu sou assim.
Sou emotivo. Sou sensível. Sou dramático, e não sei ser de outra forma.
Sempre fui um tipo bem disposto. Dizem-me várias vezes que sou pessimista, mas eu considero-me mais uma pessoa positiva que gosta de considerar o pior cenário possível para poder estar preparado para o pior. Raciocinem comigo, se nos prepararmos para o pior, tudo o que vier será canja, certo?
Não. Errado! Aparentemente está errado. Ou se estiver certo, e isto é a minha forma de reagir estando preparado para o pior, então não quero saber como seria se não me preparasse... Já imaginaram?

Independentemente disso tudo agora, o certo é que, mais uma vez, fui recordado de que tenho amigos. Grandes amigos, com os quais posso contar. Amigos que ao ver que eu lá ia encaminhado para mais um dos meus dramas saíram do seu caminho para me dar uma palavra amiga.
E o mínimo que posso fazer é explicar-vos a todos o que aconteceu. Nada de novo, como vocês estão fartos de saber. São as Marias... O que haveria de ser, né? :)

É extremamente interessante pensar que o facto de não ter cólon não me afecta tanto como o maldito coração. A minha vida mudou drasticamente, mas aparentemente o velho músculo continua com as suas nóias. E agora pode parecer que tenho problemas cardíacos, então deixem-me esclarecer: não.
O meu coração, fisicamente falando, está bom. Pelo menos eu acho que sim, depois de tanta prova de esforço, depois de tanto eco e electrocardiograma feito, acredito piamente que se se passasse alguma coisa já me teriam dito. E felizmente, além de me dizerem constantemente que eu tenho a tensão arterial baixa, não me alarmam.
O problema do dito músculo é mesmo a parte psicológica. Logicamente... A parte psicológica é que me deita ao tapete. A ser sincero, não me surpreende. Afinal, tanto o meu psicólogo como a gastroenterologista são da opinião que o principal responsável pelas minhas cólicas e afins sou eu mesmo. Maldita ansiedade...

E pelos vistos eu não me ajudo a mim mesmo. Já não me bastava andar numa montanha russa emocional com todos os stresses que já tenho, com a preocupação constante de não ver um caminho para um futuro decente, a lidar com comidas e a ler os rótulos das coisas para ver se vou arriscar ou não, com os medicamentos, sem saber se vou ter um dia limpinho ou se me vou borrar, enfim... Já não me bastava andar preocupado com a vida, eu ainda vou comprar mais umas voltinhas na montanha russa. Yeay sou tão inteligente!!!!

Não vou contar porquê, mas decidi falar com a minha ex-namorada. E agora não sei se isso não foi um erro.
Não, não foi. Tenho a certeza que não foi porque a verdade é que me senti feliz. Feliz como não me sentia há muito tempo. E ela também gostou de falar comigo (ou então mentiu-me lol), então não pode ser um erro.
Mas com isto fiquei a saber uma coisa muito importante. Eu gosto dela. Quer dizer, gosto no sentido de gostar, ou seja... Claro que vai ser sempre uma pessoa da qual vou gostar. Partilhamos muitos momentos bons e uns quantos menos bons, mas é a isso que se chama viver. Interagir, dialogar, socializar. Cresci imenso como pessoa, e sei que muito o devo a ela. Então vai ser sempre uma pessoa da qual vou gostar. Mas a felicidade que senti... ...opah, não sei explicar. Como disse, não me sentia assim há mesmo muito tempo.
Foi uma experiência muito... ...intensa. E não, parem lá essas mentes pecaminosas, não se passou nada. Apenas se passou que dois grandes amigos muito queridos um para o outro que não se viam há muito tempo foram beber um café para por a conversa em dia.
E nessa conversa fui assolado por um turbilhão de sentimentos. Foi como se me tivessem atirado para dentro de uma máquina de lavar, e utilizado emoções como detergente.  De repente sentia-me feliz. Felicíssimo! Esquecia todo e qualquer problema da minha vida. A seguir sentia-me culpado. Eu sou homenzinho o suficiente para admitir que falhei em muita coisa, que podia ter feito muita coisa de maneira diferente. Ao mesmo tempo sentia-me impotente porque atravessei (e ainda atravesso) uma fase conturbada da minha vida. Quer dizer, no espaço de um ano fiquei a saber que teria de ser operado, que a situação não era para brincadeira, e fui submetido a duas cirurgias de barriga aberta para me retirarem o cólon. E quer queiramos quer não, isso mexe com um gajo. Todos os stresses que tive no trabalho, nessa mudança de vida, também não ajudaram, e de facto eu estava a tornar-me um tipo que eu próprio não gostava. Mas lá está, isso não desculpa tudo. Eu tinha a obrigação de ter sido melhor namorado, e falhei. E sentia-me triste por isso. Por tudo. Por não ter funcionado.
Fui beber este café com um estado de espírito completamente aberto, tal como quando nos conhecemos a primeira vez. Eu não fazia ideia de como está a vida dela. Não sabia se namorava, se era solteira, se estava a trabalhar, se não estava, só sabia que ia beber café, sem segundas intenções de qualquer parte. E foi com esse estado de espírito que fui. E pronto, no fim de tudo foi bom.
Conversamos bastante, fomos sinceros, fomos honestos. Eu fiquei a saber que ela namora, e que mesmo que não namorasse, já não sente o mesmo que sentia por mim. E é nessa parte, quando ouço isso, que sinto uma tristeza maior que o mundo apoderar-se de mim, e que eu percebo que se calhar... ...ela não é para mim só uma pessoa especial. Se calhar ainda é mais que isso. Mas isso... ...deixa-me triste. E feliz, ao mesmo tempo.
Entendam-me, eu só quero que ela seja feliz, seja com quem for. Fico feliz se souber que ela é feliz. Mas descobri que ainda fico triste se não for comigo que ela for feliz. Triste porque tive, tivemos os dois algo muito bom, que eu também deixei morrer. Triste por ouvir que os sentimentos já não são os mesmos.
E sim. Eu sei. Vocês têm toda a razão, não precisam de começar já a mandar vir... Eu sei que isto é uma coisa que o tempo cura. Nesta altura do campeonato, se não soubesse isto, então de certeza que teria uma qualquer patologia cerebral grave e precisava urgentemente de ser internado. Mas fiquei surpreendido por ainda sentir esta tristeza. Fiquei extremamente admirado por ainda ter sentido aquelas voltas na montanha russa emocional. Se calhar isso explica o porquê de eu continuar solteiro, e não ter tido a mínima vontade de deixar de o ser. Não sei mesmo o que pensar, muito menos o que fazer... ...ou até sei. É deixar. Não pensar mais. Largar. A única coisa que vai fazer alguma coisa de bem aqui é deixar o tempo fazer o seu trabalho... Mas infelizmente o cérebro humano tende a saber uma coisa neste preciso momento, e daqui a bocado ter esquecido momentaneamente. E esta é uma delas...
Para ajudar, há um pormenor que mesmo sendo pequeno, ajudou a isto tudo...
Como sabem, eu deixei de fumar. Tive complicações pulmonares, e tive de parar de fumar. E isso não é assim tão fácil, pelo menos para mim. Então troquei por bolachas, pastilhas, e o mais eficaz: cerveja.
Bebo cerveja com dois propósitos. Primeiro, ocupa-me o suficiente para não fumar. Eu sei que é parvo isto que estou a dizer, mas o certo é que tem estado a funcionar. E depois, a cerveja ajuda-me a arrotar, e ao arrotar sinto que faço melhor a digestão e futuro processamento "descolonado". Ao arrotar sinto um enorme alivio na barriga, muito semelhante ao que sinto quando consigo largar um flauto, mas com a vantagem de que ao arrotar eu tenho a certeza de que não vou ter nenhum acidente.
E como não estava a espera de receber o dito convite para beber café, não tinha muito para fazer e estava aborrecido, já estava lançado na minha epopeia alcoólica. (Isto agora soou tão mal, pareço um bêbedo... lol)
Entao acho que isso também ajudou a que a bola de neve se formasse...
E depois um gajo põe-se a pensar em tudo isto que vos disse neste já gigante texto e tantas outras coisas, e... ...o meu mural no Facebook é que paga. E vocês, que ficam preocupados comigo.

Enfim...
Como vêem foi apenas mais uma parvoíce insignificante, que a essência do meu ser aliada ao álcool a deslimitar as regras no cérebro provocou. Nada de novo... O facebook é que devia ter um qualquer sistema de prevenção de publicação de posts... hehe

Resta-me apenas cobrir de vergonha, e dizer:

Obrigado. Obrigado a todos vocês que se preocuparam. Valeu.

Um grande abraço
O Gajo Sem Cólon

domingo, 1 de junho de 2014

E assim nos vamos apercebendo das coisas...

Sim, eu sei... Há imenso tempo que não escrevo aqui nada... É verdade sim, sou uma nódoa.
Uma nódoa que já não fuma, e sabem os santinhos todos o que me tenho roído com isso... ahahaha um dia conto-vos, mas não deixa de ser uma nódoa. No entanto... ...verdade seja dita... Sinto-me bem melhor. A nível de saúde, a nível psicológico, a todos os níveis, deixar de fumar fez-me bem, e acho que é por isso mesmo que tenho aguentado e superado todos os momentos em que me dá aquela vontade de me passar e dizer: "Deixa lá dar uma baforada nessa merda!!!". Esperemos que continue assim.

Relativamente à minha eterna quimera com as comidas, WC's, e borradelas-mor... ...estava melhor quando estava internado. É algo que não consigo compreender. Quando estive internado só ia à casa-de-banho uma vez por dia, estava praticamente perfeito. Saí de lá... ...e a coisa voltou ao que era.
A minha gastroenterologista diz que isto é 95% psicológico. Talvez seja...
O certo é que me fartei. Cansei-me de tanta restrição, e tenho estado a comer e beber tudo o que me apetece. Ah que rebelde que eu sou!!!
Felizmente, a coisa até está a correr bem... A correr bem no sentido de que não estou melhor, mas também não estou pior. E não estar pior, a mim, parece-me bom. Assim... Caros amigos e amigas... Cá continuo a beber as minhas minis, a comer os meus gelados, a fazer tal e qual o que me apetece fazer. Ou quase tudo, porque até agora continuo sem fumar... /me solta um longo suspiro daqueles... :P

Mas até nem foi por isto que aqui vim escrever. Foi mesmo porque cheguei à conclusão que estou a ficar velho... E como é que cheguei a esta brilhante conclusão?  Acompanhem-me e vão entender.

Então ontem estou descansadinho no festão de aniversário de um amigo, a conversar com a namorada de um deles, quando de repente ela se vira para mim e diz: "Oh... Desculpe... Você está a levar com o meu fumo". E eu, chocadíssimo, coloco imediatamente a minha cara de serious business e digo-lhe para, por amor de Deus, me tratar por tu. Algo como "WTF? Não é você, é mesmo tu! Tu estás a levar com o meu fumo!". Ela, coitadita, toda acanhada, diz que sim senhor, está certo, mas no decorrer da conversa já me estava a tratar por você novamente.
E eu compreendo isso. Eu faço exactamente a mesma coisa quando me estou a dirigir a alguém assim um bocado mais velho do que eu. É uma questão de respeito e boa educação. Quando somos bem educados e nos dirigimos a alguém crescido, tratamo-los com o respeito que a idade exige de uma forma praticamente automática, sem sequer pensarmos nisso tratamo-los por você. Porque, mesmo que eles nos digam para o fazer, parece que não nos sentimos bem a trata-los por tu. E foi isso que lhe estava a acontecer. Mesmo depois de eu lhe dizer para me tratar por tu, ela voltava ao você.

Assim... Daqui se tiram duas conclusões, uma boa e uma má.
A boa, é que a juventude de hoje em dia não está assim tão perdida quanto se diz. A grande maioria é capaz de estar, não o ponho em causa, mas aqui está a prova de que ainda existem jovens com boa educação e respeito pelos mais velhos.
A má é a de que eu... ...estou a ficar cota!!! MEDO!!!!

Felizmente... Isto é como o vinho do Porto.
Fica cada vez melhor com o aumento da idade... Sim, é isso mesmo... Pode ser que ainda me safe... Ahahaha! ;)

Um grande abraço a todos.
O Gajo sem Cólon.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Fim de etapa

Muito boa noite meus amigos e amigas. É com grande, enorme, gigante (continuar a inserir adjectivos sinônimos de grande) prazer que vos informo que os excelentíssimos senhores doutores acharam que eu já me encontro em condições de obter alta. Assim, após obter a devida "guia de marcha", é com muita, imensa, abundante (continuar a inserir sinônimos de muita) alegria que vos aviso que já me encontro na minha muito saudosa casinha. :D
Directamente do fundo deste (ainda muito dorido) peito um sincero muito obrigado a todos por todo o apoio e incentivo que me foram dando ao longo desta etapa difícil de uma aventura ainda longe de estar terminada.
Abraços e beijinhos a todos!
O Gajo sem Cólon


segunda-feira, 7 de abril de 2014

Actualização de estado rápida, ou F*CK YEAH!!!!

Muito bom dia caríssimos amigos e amigas.

Venho por este meio avisar todos que neste momento já me tiraram os drenos, o que significa que se tudo continuar a correr bem, amanhã já tenho alta, e consequente guia de marcha para me pirar para casa!!! :D

Muito OBRIGADO a todos.
Abraços e beijinhos d'O Gajo sem Cólon!

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Finalmente, oh meu!!!!

Muito boa tarde caríssimos amigos e amigas!
Tenho o prazer de vos informar que neste momento já fui operado e já me encontro de regresso à enfermaria.
A operação correu bem, já me "recauchutaram" o pulmão, e já fui avisado pelo médico que essa recauchutagem não vai funcionar novamente.
Ou seja, agora tenho mesmo (MESMO) de me portar bem e deixar de fumar de vez.
Fora isso, um dos primeiros drenos ficou cá metido tanto tempo que infectou e criou uma bactéria, mas já estou a fazer antibiótico para acabar com a raça dela, o que segundo o médico funciona em 99% das vezes, sendo que a única coisa má que para já há certeza é que a ferida vai deixar cicatriz pois já não deu para unir a pele. Mas isso, muito honestamente, não me incomoda rigorosamente nada. Mais cicatriz, menos cicatriz, para mim isso é mato... :p
Vou ficar com estes novos drenos até pelo menos segunda-feira, altura em que com tudo a correr bem os devo tirar. E continuando tudo a correr bem, tirando os drenos é uma questão de dias até ter alta, pelo que conto estar em casa lá para o final da próxima semana.
E isso, amigos e amigas, foi a melhor notícia que podia ter tido. :D
Muito obrigado a todos, não duvidem que toda a energia positiva ajudou e muito!
Beijinhos e abraços!
O Gajo sem Cólon...

...e agora também de pulmão colado... :p

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Será desta?

E vieram agora os médicos perguntar se eu estava em jejum. Não, não estou, mas se for para ser operado vou já vomitar o copo de chá e as quatro bolachas Maria que comi às sete da manhã.
Mandaram-me não comer nem beber mais nada a partir de agora para ver se sou operado no segundo tempo do bloco.
O que eu estou a pedir aos meus santinhos todos que seja, e vos peço a vocês que façam o mesmo (eu que nem sou de pedir estas coisas, mas o desespero começa a vencer).
Por favor, Deus, Zeus, Buda, Osíris, quem quer que sejas entidade superior que nos comanda o destino, manda-me ao bloco operatório hoje para ver se me safo disto o mais rápido possível e ir para casa resolver a minha vidinha, que a continuar aqui por muito mais tempo eu vou perder a pouca sanidade mental que me resta.
Obrigado!

sexta-feira, 28 de março de 2014

Uma boa noticia logo pela manhã

Ora então muito bom dia caríssimos amigos e amigas do meu coração!
Espero que se encontrem de boa saúde e bem dispostos.
Eu de minha parte confesso que acordei saturado... ...não que me tivessem posto numa frigideira com oléo, entenda-se!
Saturado no sentido de... ...estou cansado de estar no hospital. Estou cansado de ter dois tubos a sair do peito ligados a duas caixas que estão ligadas ao aspirador, e que cada vez que quero ir a casa-de-banho tenho de andar para aqui a ligar e desligar tubagens feito canalizador. Bem, pelo menos já não sou obrigado a usar a arrastadeira, menos mal, não é verdade? :P
Saturado no sentido de ter tanta coisa que quero resolver na minha vida, e não é preso a uma cama de hospital que o vou fazer... Com tanta mudança que a minha vida está a atravessar, esta foi das piores coisas que me podia acontecer...
Se há coisas boas é o facto de que a MEO me ofereceu 15GB de net quando passei de Moche para Link, e se não fosse esse tráfego acho que já teria dado em doido de certeza absoluta... Assim sendo, obrigado MEO! :D

Mas espera lá aí oh meu, o titulo disto é uma boa noticia, mas até agora só te ouvi dizer que não usas a arrastadeira e que tens 15GB de net para usar. É essa a boa noticia que tens para dar?
Não, claro que não....

Hoje já me informaram que vou ser transferido para Santa Marta no Domingo que vem, para ser submetido a cirurgia ou na segunda ou na terça-feira. E isto é excelente, pois já deixa vislumbrar alguma luz ao fundo do túnel.
Claro que isto significa que vou passar por mais uma recuperação, por mais um período de tempo em que vou ficar incomunicável, mas pelo menos o processo já tem andamento, assim que se inicie depois é uma questão de tempo até poder ser eu outra vez, até poder fazer novamente a minha vidinha da maneira que eu quero e gosto... ...ou quase!

Porque desta vez tem mesmo de ser. Desta vez tenho mesmo de largar o tabaco. Não posso fumar mais, dê lá por onde der.
E claro que enquanto estou aqui deitado isto parece muito simples de dizer, mas ja sei que vou precisar de muita força de vontade para o conseguir. É que o hábito é realmente uma coisa tramada, meus caros... É terrível!
Mas lá está... É lembrar das dores, dos tubos, das caixas, do stress, do inconveniente que tudo isto provoca, e tenho esperança de que sirva para não o fazer. Assim o espero... ;)

Em suma... São boas noticias. Se tudo correr bem, daqui a duas semanas já devo estar em casa.
O que para mim... ...é musica para os meus ouvidos! :D

Obrigado a todos
Um grande abraço
O Gajo sem Colon.

terça-feira, 25 de março de 2014

Novidades com direito a duvida existêncial

Bem... Logo quando acordei já estava com um mau pressentimento. O meu sexto sentido não costuma falhar... Ainda só vamos à hora de almoço, e parece que hoje é o dia de receber más notícias...
Fui à tal consulta em Santa Marta, e confirma-se o que eu já esperava: vou ter de "ir à faca".
O buraco do meu pulmão não fechou só por si, então vou ter de ser submetido a uma cirurgia para o fechar. Mais uma operação de anestesia geral, vai ser a terceira em 4 anos, mas é a única hipótese que tenho de melhorar, então tem de ser, e o que tem de ser tem muita força, já dizia o outro...
A parte boa disto é que se eu tiver sorte será uma cirurgia onde apenas me fazem três  buracos no peito, uma para enfiar uma câmara e os outros dois para a intervenção em si, mas avisaram-me logo que há a possibilidade de ter de recorrer à cirurgia à antiga. O que com a sorte que eu tenho.... Enfim, não vou pensar nisso agora.
E basicamente é isto, são estas as minhas ultimas novidades relativas ao meu estado de saude.
Reconheço que até podia ser um cenário bem pior, mas eu hoje estou com a neura.
Hoje estou com uma neura, um estado de espirito tal que me apetece contar tudo, toda a verdade, preto no branco acerca do fim da minha carreira no meu antigo emprego. O que aconteceu, o que não aconteceu, onde eu falhei e onde me falharam, as mentiras que eu acho que me contaram, a forma como fui ingénuo e me deixei levar, como deixei que me fizessem a cama.
O ódio é muito, a vontade de destilar veneno, de descomprimir, de desabafar e deitar tudo cá para fora ainda é maior.
Só não sei se devo. Primeiro porque não quero mais problemas na minha vida, os que tenho já me sobejam, e por mais que eu possa ter razão, eu serei sempre o pequenino, o mexilhão. E quem se fode sempre é o mexilhão pois os grandes têm a faca e o queijo na mão...
Por outro lado sempre ouvi dizer que quem diz a verdade não merece castigo...
Posto isto... Não sei mesmo que fazer.
Vai de moeda ao ar?

domingo, 23 de março de 2014

Uma actualização de estado que não tem a ver com fezes, mas que não deixa de ser uma grande merda

Muito boa tarde caros amigos e amigas.
Hoje venho escrever um post diferente do conteúdo habitual do meu blog, mas que não deixa de ser interessante. Ou assim o espero...

Como a grande maioria de vocês já deve saber, desde o passado dia 18 que estou internado no Hospital do Barreiro.
Como eu penso que sou o super-homem (e não é só por às vezes vestir as cuecas por cima das calças) e julgo que as coisas só acontecem aos outros, desde os meus 15 ou 16 anos de idade que fumo. Fumo muito. Fumo demasiado. E agora largo a bomba: tenho bronquite asmática desde os 6. Pois, exacto, sou buééééééééé de inteligente, eu sei.
Então, como seria de esperar, eventualmente a coisa tinha de rebentar algum dia. E foi isso mesmo que aconteceu, o meu pulmão rebentou. PUMMM!
Ok, exagero... Não rebentou. Apenas furou.  Furou? Mas que raio de história é essa do furar, pah?
Passo a explicar, mas antes de mais, uma pequena explicação técnica:
Os nossos pulmões estão revestidos por uma espécie de bolsa chamada Pleura, bolsa essa que em situações normais não contém qualquer espaço entre a dita bolsa e os pulmões, apenas algum liquido para lubrificação. Ao inspirarmos o ar para dentro dos pulmões essa bolsa estica permitindo que o pulmão encha e proceda à transferência do oxigénio para a corrente sanguínea, voltando a contrair com a expiração. E isto é o funcionamento normal da coisa.
O nome técnico do que me aconteceu é "pneumotórax espontâneo", e muito resumidamente isto significa que o meu pulmão abriu um buraco e deixou passar o ar para a dita bolsa, ficando ali preso entre esta e o pulmão. Ora acontece que o ar foi acumulando na bolsa, e chegou a uma altura em que já havia mais ar fora do pulmão (mas preso dentro da bolsa) do que propriamente lá dentro. E esse ar preso estava a ocupar o espaço que deveria ser para o pulmão expandir quando eu inspiro.
Ora, tal e qual como num parque de estacionamento, quando não há espaço não entra mais nada... ...e era o que se estava a passar na minha caixa torácica. Mesmo fazendo força para respirar (e bastante força, diga-se de passagem), o pulmão não abria. Ao não abrir, não absorvia ar, e ao não absorver o ar não podia transferir o oxigénio para a corrente sanguínea.
E isto estava a fazer com que eu literalmente sufocasse.
Assim que me foi diagnosticado o que se passava comigo, foi efectuada uma pequena cirurgia (coisa simples) que consistiu em fazer um pequeno furo (pequeno o suficiente para enfiar um dedo segundo o que me pareceu ouvir dizer o senhor doutor) e colocar um dreno, que permitiu que o ar que se encontrava preso pudesse então sair, e o pulmão voltasse a ter espaço para expandir e encher de ar.
E foi exactamente isso que foi feito, um buraquito aqui de lado do meu peito, entre as costelas, e o alívio foi imediato. Mas literalmente. Assim que o cirurgião espetou o furo que me senti logo melhor.
Foi colocado um dreno, que vai servir para ir retirando o ar que lá está metido no sitio errado, bem como algum sangue (que segundo os médicos é normal mas não muito, vá-se lá entender o que quer isto dizer).
E isto só por si parece já uma aventura, mas infelizmente ainda não acabou. Na passada quinta-feira preguei um cagaço desgraçado ao pessoal, se bem que não tenha tido culpa...
Não existe a especialidade cardiotorácica aqui no hospital do Barreiro, então os médicos mandaram-me ao Hospital de São José para ser avaliado por um médico da especialidade, o que faz todo o sentido. Mas acontece que fui para as urgências, não por estar a morrer, mas porque é mesmo assim que funciona nestes casos em que um hospital pede a a outro que avalie um caso (pelo que eu percebi). E eu não sei como a história chegou a este ponto, mas parece que a informação que passou foi a de que eu tinha sido transferido de urgência para o Hospital de São José, que é um dos principais polos de urgência de Lisboa, sitio para onde vai quem está prestes a entregar a alma ao criador. Ora pois se me dissessem que fulano tal estava internado no Barreiro, mas foi de urgência para São José, eu também ia pensar que o fulano tal estava para bater a bota... :P
Mas, felizmente, não foi o caso.
Precisei sim de mais um dreno, este colocado no sitio exacto onde vai drenar todo o ar e porcaria que tenho a mais no peito, visto que o primeiro foi feito mais na onda do S.O.S. para eu não sufocar.
Este segundo dreno foi feito com recurso a um ecógrafo, para que eu fosse espetado no sitio exacto onde devia ser espetado, e correu na maior. O único problema é que esse sitio exacto fica nas costas... E eu tenho de estar deitado... ...de costas. Estão a ver o problema? :P
Logicamente que os médicos me avisaram logo que não ia ser confortável (lol a sério?? Estão a dizer-me que ter um tubo a sair das costas não é confortável, confesso que seria a ultima coisa que eu iria pensar... ) mas que iam tentar fazer com que ficasse o mais confortável possível. E até fizeram. Estou super satisfeito com o trabalho feito, pois apesar de precisar de analgésicos para dormir, durante o dia até me vou aguentando à bomboca. Felizmente eu sempre tive uma boa tolerância à dor, o que acredito piamente que está a ajudar imenso neste caso, mas de facto para dormir... ...só mesmo com recurso às drogas analgésicas.
Fora isso, fiquei extremamente satisfeito. Tanto no Barreiro como em Lisboa explicaram-me exactamente tintin por tintin o que me iam fazer, e porquê, e explicaram-me como tinha corrido, bem como o que podia estar à espera. Sem querer estar a dizer mal de ninguém, isso não aconteceu quando me tiraram o cólon (que é algo que eu ainda vou resolver, a seu tempo...).
E basicamente foi isto. É este o resumo (não muito resumido, reconheço) da minha ultima aventura pelos meandros dos centros hospitalares, dos quais já vou sendo cliente frequente (será que não há para aí uma cena qualquer que dê descontos ao fim de X vezes, tipo como como em alguns restaurantes dos centros comerciais? Era bem...), que embora ainda não tenha acabado espero que já não demore muito mais tempo a terminar.
Porque afinal de contas, ninguém gosta de estar no hospital, não é verdade?  Vá lá, vá lá que tive a sorte de isto acontecer no mês em que a MEO ofereceu 15GB de net à malta, senão já tinha rebentado com o trâfego todo... :P
Fica a reter o mais importante disto tudo: Continua a fumar, seu inteligente da merda!!!!! Da-lhe!!!!! ;)

Ah! E se depois quiserem ver uma foto gira... ...eu hoje pedi à enfermeira para que tirasse uma quando me trocou os pensos, então os interessados é so pedir... :P

Abraços e beijinhos a todos!
O Gajo sem Colon.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Desabafo

Tal como muitas outras pessoas neste Planeta merdoso, em toda a minha vida, nunca tive nada assim de mão beijada. Sempre tive de lutar para ter aquilo que eu queria ter.
Estou rodeado de pessoas por todo o lado em que lhes dão as coisas. Simplesmente lhes dão. Não sei explicar, mas é assim. Desde telemóveis, a carros, a casas, eu sei lá.  Simplesmente lhes dão, os pais, ou amigos, ou familiares, ou whatever!
Mas atenção, que fique bem claro que não tenho nada contra essas pessoas, muito pelo contrário. Espero mesmo que se orientem, e se lhes dão umas borlas... ...foda-se, melhor ainda, aproveitem!!
Não falo assim só porque os meus pais não me deram essas coisas. Népia, nem pensar nisso. Os meus pais só não me deram mais porque não puderam. Tudo aquilo que eles me podiam dar eles deram.
Mas também tenho de dizer que uma das coisas que mais me orgulho nesta puta desta vida é o facto de não ter tido nada oferecido assim à grande. Nope, praticamente tudo o que eu tenho, tudo o aquilo acerca do qual eu digo: "isto é meu", foi conseguido à custa do meu esforço, do meu trabalho, do meu suor. E isto é, na minha humilde opinião pessoal, das coisas mais gratificantes que podem ter neste mundo cão em que vivemos.

A minha primeira consola de jogos (a velhinha,  mui fatela e altamente pirata Family Game) foi-me comprada pelo meu pai depois de uma temporada de bons resultados na escola e "pseudo-lavagens" de louça (pseudo, porque segundo a minha excelentíssima ex-namorada, se nem hoje em dia sei lavar a loiça a 100%, quanto mais naquela altura). Os meus pais compraram o meu primeiro computador quando entrei para o curso de tecnologias de informação e porque precisava mesmo de um para poder estudar em casa.
A unica televisão que tive nova no meu quarto, fui eu que a comprei. Até lá, muita sorte tinha eu quando alguma TV avariava ou alguem comprava uma nova, e eu podia ficar com a velha.
A minha carta de condução foi paga por mim, depois de ter um ordenado meu. O meu carro a mesma coisa.
O meu computador actual foi comprado por mim, num ano em que me deu a travadinha e canalizei todo um subsidio de natal para esta brincadeira.
Enfim, podia continuar por aqui neste queixume, pois é como vos digo, praticamente 100% das coisas que eu tenho, tenho-as devido a mim mesmo. E isto deixa-me cheio de orgulho.
É uma sensação maravilhosa aquela em que pensamos que é devido ao nosso trabalho, à nossa ambição e à nossa perseverança que cheguei onde estou e que alcancei o que alcancei.

Esta pica, esta força de vontade, esta teimosia em querer vencer num mundo em que o cidadão comum como eu está condenado à partida era uma das coisas que me davam força de vontade de me levantar de manhã e ir à luta. De batalhar para por fim obter ou fazer as coisas que me façam sentir bem comigo mesmo, que me façam sentir recompensado pelo meu esforço. De ignorar aqueles que recebem as coisas sem fazer por elas e que depois acabam por não lhes dar o devido valor.

No entanto, eventos aconteceram e eu fiquei sem cólon.
A minha vida, que não vou dizer que era perfeita mas que era MUITO melhor do que esta merda em que estou agora, deu uma cambalhota, uma reviravolta, e eu perdi o rumo. Bem, não perdi o rumo, eu sei bem para onde quero ir, mas o navio perdeu as velas, metade do cordame e todos os remos, sendo então extremamente difícil (para não dizer impossível) navegar sem ser à deriva.

À deriva, esta é uma boa analogia. É assim que eu me sinto: à deriva.

Se antes me enchia de orgulho pensar "não tenho nada de mão beijada, mas tudo o que tenho e terei saiu-me do meu próprio cabedal", agora fico literalmente em pânico quando penso que não posso garantir que consiga fazer a mais simples tarefa como trabalhar para os meus gastos.
Gostaria de ter o meu próprio sitio, a minha casinha, o meu canto, o meu buraco... ...mas é impossível.
Sou inconsciente e irresponsável só por pensar nisso, pois se todos os meses me agarro à calculadora para orçamentar a medicação, comida e vícios, ainda vou juntar uma renda mensal a essa equação? Quando muito honestamente não me estou a ver a conseguir trabalhar e garantir um rendimento fixo?
Eu sou bom no que faço, e era excelente na Mapfre onde me conheciam e conheciam o meu trabalho, mas se até lá aqueles CENSURADO cagaram de alto em mim, me foderam e se viram livres de mim quando eu simplesmente deixei de conseguir responder ao trabalho de escravo que eles precisavam que eu fizesse, porque raio vai outro patrão compreender a minha situação? Nesta economia?
Quando todo e mais algum médico me diz directamente que a melhor coisa que eu tenho a fazer é começar actividade por conta-própria e ser o meu próprio patrão. E eu pergunto novamente: nesta economia?

Nunca tive medo de trabalhar para ter as minha coisinhas.
Simplesmente não tenho capacidade. Por mais vontade que tenha. E isso é triste.
Quando temos vontade mas não conseguimos ter capacidade... ...é triste.

É triste ao ponto de me indagar: mas o que é que eu cá ando a fazer, se é para ser assim?

domingo, 26 de janeiro de 2014

Esta porcaria não tem título porque eu estou sem pachorra para pensar num título para esta porcaria

Amanhece mais um Domingo. Que para mim podia ser mais uma Segunda-feira, feriado ou dia-de-são-nunca-à-tarde.
Estou na cozinha a comer a minha "massa consistente", e o meu gato está encostado à janela da varanda, a olhar para mim com aquela cara de pobrezinho pedinchas.
A "massa consistente" é o meu pequeno-almoço personalizado, inventado aqui pelo próprio, e é maioritariamente composto de Nestum de Arroz e bolachas Maria. Um dia ponho aqui a receita, se é que possa vir a ter algum interesse. Voltemos ao bichano, eu sei bem o que ele quer.
Quer janela. Muito gostam os meus gatos que eu lhes pegue ao colo, abra a janela e ali fique com eles a olhar para a rua.
Fiz-lhe a vontade, e reparo com agrado que o dia, apesar de frio, até não está feio. Ainda é bastante cedo. Hoje é um daqueles dias em que se poderia sair de casa agora, dar um salto até à praia, escrever mais uns parágrafos, quiçá tirar umas fotografias (já não me lembro quando foi a ultima vez que saí para fotografar... :/ ).
Isto era algo que eu fazia com alguma frequência. Saía de casa, sem destino certo, e depois logo voltava quando me fartasse. E era fixe. E muito honestamente hoje é um dia que parece porreiro para isso. Mas...
Pois. Já cá faltava o mas. Há sempre um mas. Haverá sempre um mas.
Respira fundo. Vamos a isso.
Mas, hoje, só durante o dia de hoje, que começou às 0 horas, já fui quatro vezes à casa de banho.
Estou a sentir o raio da barriga a borbulhar, o que indica que não tarda muito vai surgir a quinta ida ao poço. Tenho neste momento o olho do cu a arder de tal forma que estou a escrever estas linhas em pé.
Ultimamente é assim, parecido com o menino Jesus, que ora está estendido, ora está deitado, eu sou mais ora está em pé, ora está deitado.
Porque pura e simplesmente parece que não consigo estar sentado. Não sei se é da posição com que a barriga fica, se será por ficar apertada, o certo é que uns cinco minutos depois de estar sentado começo a sentir a barriga a apertar. E quando a barriga aperta, a seguir vem a contracção do anús, o que provoca o dito ardor que faz subir paredes, e depois das duas uma... Ou passa o aperto da barriga, ou tenho de correr para a casa de banho porque me vou borrar. Bem, quer dizer... Analisando bem a coisa, de uma maneira ou outra o aperto passa. Se passar por ter passado... ...passou (duh!). Mas se tenho de correr para o cagatório, o aperto também passa. É fixe, não é? Até é, mas o problema é que o ardor demoníaco continua. Esse não passa. Mesmo depois de me lavar com agua fria e sabão azul e branco, a sensação que tenho é a de que de repente as minhas fezes foram substituídas por chá a ferver, e este está a sair pelas frinchas do meu mal vedado traseiro (e isto soa bem pior escrito do que o mal que estava a soar na minha cabeça... ).
E isto, meus caros, DÓI!!!!!! Mas dói literalmente, não me refiro a uma dor de alma, ou dor de espírito, mas sim de uma dor bem física, demasiado física, que me faz a mim, que me considerava um tipo muito resistente à dor física, querer dar cabeçadas na parede. Bah... Querer? Eu já, em desespero, dei cabeçadas na ombreira da porta. Se é que vos interessa saber, a curto prazo foi porreiro, mas a longo prazo não ajudou em nada.
E assim amanhece mais um Domingo. Que para mim podia ser mais uma Segunda-feira, feriado ou dia-de-são-nunca-à-tarde.
A minha rotina traduz-se em cólicas, dores no olho do cú, assaltos ao WC a praticamente cada movimento intestinal e desespero por não ver uma saída para isto.
Não ver o que possa fazer para me sentir melhor. E o que é o pior disso tudo, aquilo que mais me rebenta com o sistema nervoso, é ver-me de braços e pernas atados em relação ao meu futuro.
Sempre tive objectivos, como já o disse aqui. E correndo o risco de me repetir, a verdade é que continuo na mesma, se não pior, em relação a perspectivas de futuro.
Já não bastava isto andar um crise desgraçada onde pura e simplesmente não existe trabalho. O País atravessa uma fase muito complicada e difícil, onde nos pedem mais compreensão e sacrifícios, e eu só me pergunto como é que eu vou conseguir sacrificar-me. Como vou conseguir cumprir com algum eventual contrato de trabalho que possa vir a ter. E nem vou entrar pela onda de "e um trabalho a fazer o quê?"...
Estou num ponto em que dou comigo a pensar: "se eu não consigo tirar um Domingo para mim mesmo e relaxar, como raio hei-de conseguir trabalhar e construir o meu futuro?". E isso é desesperante.
Muito.
E assim amanhece mais um Domingo. Que para mim podia ser mais uma Segunda-feira, feriado ou dia-de-são-nunca-à-tarde.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Descarga de frustração

Não sei como começar este texto. Não sei sequer exactamente o que quero dizer.
Só sei que sinto a necessidade de escrever umas merdas que me queimam as entranhas há demasiado tempo, e que pelos vistos não me vão largar enquanto não as exorcizar.
Não sei como me sinto. Ou antes, até sei.
Sinto-me cheio de raiva.
De desespero. Frustração. Mas acima de tudo, sinto raiva. E a parte perigosa é que eu não estou vacinado contra este tipo de raiva (acho que tão pouco existe sequer vacinação), e sinto-me a passar dos carretos um pouquinho mais a cada dia.
Nunca fui um menino do coro, tenho o discernimento suficiente para não ser hipócrita e dizer que sempre me portei bem. Mas, igualmente importante é o facto de que também nunca fui um filho da puta que prejudicasse alguém, pelo menos intencional ou deliberadamente.
Na verdade, até acho que sempre fui um otário com coração mole, e mais de uma vez me prejudiquei a mim para ajudar ou facilitar outros, e por mais vezes do que aquelas que eu gostaria que acontecessem houve quem se aproveitasse deste defeito em seu proveito... Mas enfim, o que importa reter aqui é que nunca me considerei nem um betinho nem um parasita da sociedade. Acho que sempre fui um tipo perfeitamente normal, com ambições, defeitos, desejos e sonhos como qualquer outro individuo, que deseja aos outros o mesmo que deseja para ele mesmo. Pelo menos até agora.
Eu sinto que estou a mudar. E sim, toda a gente muda, mas eu sinto que estou a mudar para pior.
Estou a tornar-me alguém que eu não gosto de ser. E se tipicamente a resposta que se daria a um cromo que diga uma coisa destas seja: "Então faz por mudar, torna-te em alguém que gostes de ser", neste momento estou em posição de dizer que isso não é assim tão simples ou linear.
Acho que é uma questão de paciência. Ou da falta dela. Acho que quando se está constantemente com dores no olho do cu, simplesmente não se tem paciência nem para nós mesmos. Qualquer coisa minimamente imprevista, ou fora do roteiro, me faz logo ferver e largar fumo pelas narinas, qual Smaug a tentar assar anõezinhos...
E isso é mau. Ando sempre mal-disposto e rezingão, e não gosto disso. Isto não sou eu.
Ando num estado destrutivo onde não consigo ter fé em nada. Estou cansado destas dores. Estou cansado de sair de casa e ter de voltar a correr porque ou tenho o olho do cú a arder ou porque estou prestes a borrar-me. E estar a borrar-me é horrível, posso garantir, pois estar prestes a borrar-me significa que tenho merda sob pressão mesmo à porta (leia-se mesmo encostadinho ao dito olho) a querer sair, e quando isso acontece arde-me horrivelmente. Mas HORRIVELMENTE! Não sei como descrever. Quase que diria que parece que tenho um fio de cobre a 100000º centígrados enfiado no cu, mas juro que acho que este cenário fica muito, mas muito aquém do que aquilo que realmente é.
Estou cansado de procurar trabalho sem receber sequer uma resposta. Bem, não posso dizer isto, na realidade recebi uma resposta, a dizerem que não estavam interessados, mas pelo menos tiveram a simpatia de responder.
Muito honestamente isto não me surpreende. Estupidamente (ou não) eu gosto de ser honesto. E quando procuro trabalho, informo o potencial futuro patrão da minha condição médica. Já pensei muito sobre isto, e acredito piamente que esta é a coisa certa a fazer. Eu não posso simplesmente esconder o facto de que vou à casa de banho mais vezes do que aquelas que o meu gato se lambe, e depois começar a trabalhar e eventualmente ser chamado a explicar porque passo mais tempo no WC do que a trabalhar. Isso a mim parece-me começar com o pé errado.
Então, estupidamente (ou não) explico na minha candidatura que o ideal seria um emprego em regime de freelancing, mas que devido à minha situação estou disposto a experimentar qualquer coisa.
E se isto está mau para quem é "normal" e não padece destas limitações, eu apenas posso imaginar o que será para mim.
Ponho-me a imaginar como será o meu futuro. E não é difícil. É na verdade bastante simples: não tenho futuro.
É tão simples quanto isto. Eu não tenho futuro. Não tenho capacidade ou condições de poder desempenhar correctamente a minha profissão. Ou antes, consigo desempenhá-la correctamente, mas não em tempo considerado aceitável. O meu antigo chefe que o diga. Recordo-me perfeitamente do stress gigantesco que ele me colocava em cima, aquela pressão acerca da produtividade, mesmo ele sabendo da minha situação. E ponho-me a pensar nessas merdas, e o meu estúpido cérebro começa a trabalhar a 200 à hora, e vou-me lembrando das coisas, e começo a enervar-me, e... Lá está... Esta é a derradeira prova de que eu me estou a tornar uma pessoa pior.
Antigamente seria impensável para mim desejar realmente mal a alguém. Até mesmo a quem me tivesse prejudicado. Era capaz de gracejar um bocado, dizer que esperava que lhe nascesse um sobreiro atravessado no cu, mas era apenas isso mesmo, gracejar e libertar o stress de forma saudável. Mas se me perguntarem agora, neste preciso momento em que me contorço com dores no baixo ventre, com um ardor no olhinho que me deixa doido, e não no bom sentido?
Sim, neste momento eu digo, e não a gracejar, que espero que o meu chefe venha a passar exactamente pelo mesmo que eu passei e continuo a passar. Epá, gostava mesmo. E depois gostava de ter assim uns quinze minutos para chegar ao pé dele e perguntar-lhe "que tal?". Perguntar-lhe se ele ainda achava que as longa baixas médicas se deviam a uma questão de conforto e não de saúde, como ele me disse. Perguntar-lhe se ele ainda era tão produtivo e all-mighty-powerfull agora que tem de ir cagar a cada hora, agora que tem de se levantar da cadeira onde está sentado apenas porque não consegue aguentar mais o ardor no olho do cu. Gostava mesmo de lhe perguntar a que sabe ter um caralho a pressiona-lo por uma produtividade que ele tenta desesperadamente manter, estando todo fodido da tripa, e sem saber o que fazer para ficar melhor. Perguntar-lhe que tal ele se sentia agora, especialmente sabendo que estava num sitio onde já o conheciam, onde já sabiam quais as suas capacidades, e onde sabiam o que ele estava a atravessar e o porquê. Gostava de lhe perguntar como ele se sentia agora que via a merda que lhe despejam pela cabeça abaixo, depois de lhe dizerem que o assunto iria ser tratado internamente na empresa, "sem papéis ou relatórios de médicos, pois estás connosco há muitos anos, nós conhecemos-te e sabemos qual a qualidade do teu trabalho", mas depois começarem a fodê-lo e a enterrá-lo no trabalho assim que a mui suspeita consulta de medicina de trabalho que lhe arranjaram determinou que ele, alguém sem intestino grosso, era uma pessoa tal e qual como as outras todas, sem sequer olharem para um papel de baixa, para um relatório de cirurgia, para o que quer que fosse que dissesse ou simplesmente indicasse o que lhe tinham feito. Gostava mesmo de lhe perguntar como é que ele consegue dormir à noite, como é que ele consegue viver bem com ele mesmo e ainda não se atirou de uma ponte abaixo. Juro que gostava mesmo que isso acontecesse. E isto, meus amigos, prova que eu sou uma pessoa má. Ou que me estou a tornar uma pessoa má, que deseja o mal a outros. E não, eu não era assim.
E agora que a minha carreira está desfeita, não sei como vou enfrentar o futuro, a verdade é essa.
Sem querer dramatizar, eu espero conseguir algo que me permita sobreviver, claro. Mal de mim se assim não pensasse. Mas tenho plena consciência que nunca vou ter sucesso. Nunca mais vou ser um trabalhador excepcional, que receba prémios e essas merdas de formas de hipnotismo corporativo, mas que nos permitem mimar a nossa vida e construir o caminho para os nossos sonhos.
Como o de comprar uma pontinha de terreno, como fez o meu avô, e nele construir a minha casinha.
Há muitos anos que sonhava com isto. E sempre achei que seria possível um dia, até porque eu não sou megalómano. Não precisava de um campo de futebol, não... Um espacinho que me desse para por a minha casita, nada de muito grande até porque quanto maior a casa, mais difícil é limpá-la e mantê-la limpa... ;) Não, eu não preciso assim de tanto espaço, e não sonho tão alto. Uma pequena casita, uma garagem onde pudesse guardar o meu carro e utilizar como workshop para os diversos trabalhos manuais que eu vou fazendo sem condições no meu quarto, e uma pontinha de terreno onde pudesse plantar umas couves. Nada de muito fancy, nada de muito vistoso, só o meu cantinho. E neste momento eu tenho de ser realista e ter consciência de que isso nunca vai acontecer.
Afinal, se eu me ponho a fazer contas e não me vejo a conseguir pagar sequer uma renda de uma casa alugada, quanto mais comprar um terreno e construir algo. Se eu não vejo como vou subsistir, como vou pagar a medicação que tomo, se não vejo como vou trabalhar de forma aceitável, como raio posso sequer pensar em ter o meu cantinho? Já não falo no sonho do terreno, não, refiro-me mesmo a ter a minha casinha.
Como todos nós, eu também almejo um dia ter a minha casa. Como já mencionei, preferia que fosse com terreno à volta, sim, mas sei que é um sonho difícil de alcançar (mesmo tendo a tripa toda), então até me tinha conformado a ter de viver a vida toda num apartamento. Mas se eu não estou a ver que raio de rendimento financeiro vou ter na minha vida, como posso pensar em ter a minha casinha? Resposta rápida: não posso.
Comprar um apartamento está completamente fora de questão. Até quando trabalhava, estando efectivo e recebendo um ordenado acima da média, não tinha grande margem de manobra para isso, quanto mais agora que estou desempregado e sem perspectivas de conseguir um trabalho com uma remuneração decente. Há a grande alternativa que nos dias que correm está a ganhar cada vez mais adeptos: arrendar.
Mas para arrendar, também é preciso ter rendimentos. O senhorio vai querer receber a sua renda a tempo e horas, logicamente e com toda a razão, e eu não estou a ver estabilidade financeira para garantir que isso aconteça.
Em suma... ...voltamos ao mesmo: não vejo que raio de futuro possa vir a ter à minha frente. E hoje ponho-me a olhar para trás, e começo a achar que fui um perfeito otário. Podia estar muito melhor na vida do que aquilo que estou hoje. Ok, poderia estar muito pior, também, é uma possibilidade, mas juro que há muita coisa que hoje faria de outra forma.
Acho mesmo que não adianta de nada planear o futuro, sonhar, fazer planos. Não. Vai existir sempre alguma coisa que vai deitar por terra esses planos. Seja na forma de uma pessoa, seja na forma de um acontecimento, seja na forma de sucessivos governos corruptos que hipotecaram o futuro do meu país, e com ele o meu próprio (cala-te, já estás a fugir ao tópico...), seja de que forma for, vai sempre aparecer o famoso Murphy para te lembrar que esta vida é macaca, e que não adianta sonhar.
Mas sonhar é o que movimenta o ser humano... E agora?