Não há como dourar a pílula. É impossível. Não consigo mais esconder a verdade, tapar o sol com uma peneira, sorrir e acenar.
Não dá. A verdade é que estou farto disto. Estou farto desta merda até à ponta dos cabelos. Mesmo a sério.
Antes de ser operado, disse-me o médico: "Você vai ser operado, vai ter um período de convalescência, e uns meses depois volta a fazer a sua vida normal".
E eu estou convencidíssimo de que essa é a maior mentira que já me contaram.
Mas calma, há que expô-lo da maneira correcta, porque eu gosto muito de ser honesto e sincero.
Os médicos disseram-me que era uma operação complicada. Que se tratava de uma cirurgia muito agressiva, muito invasiva, e que a opção de ser ou não operado seria minha.
Explicaram-me que caso eu não fosse operado, os pólipos evoluiriam para uma fase maligna, metastizariam e contagiariam o estômago, fígado, órgãos adjacentes. E depois eu morreria.
E eu perguntei: "Mas tiram-me o cólon assim? Então e depois? Então e o cólon não faz falta??". E o que me responderam, não citando porque eu não me lembro das palavras exactas, mas foi algo no género de que o cólon é um órgão que pode ser retirado, que a sua retirada causa algumas alterações a nível do organismo, sim, mas que o corpo humano tem uma capacidade de adaptação fantástica. Com um pedaço do intestino delgado seria feita uma bolsa que iria "substituir" o colon, e que após uns meses eu faria a minha vida normal outra vez.
E eu pesei as consequências, não me parece que houvesse muito a pesar, era ser operado ou morrer, e tendo em conta que depois volto ao normal não me parece que haja muito a considerar. Vamos lá a isso.
E assim foi. Fui operado, fiquei sem cólon, e com um saco colado à barriga durante 5 meses.
Cinco meses terríveis. Lidei com merda diariamente. Merda liquida ou pastosa que começava a repassar pelo autocolante que segurava o saco colado à minha barriga. Acordava com o saco inchado, como se fosse um balão, pois os gases iam ficando presos dentro do saco, que era (supostamente) hermeticamente fechado para não deixar sair as fezes. Ao levantar-me para ir despejar o saco, nove em cada dez vezes o saco descolava da barriga, e eu sujava o chão desde o meu quarto até à casa de banho.
Houve uma vez que tinha acabado de trocar o saco, e estava de tronco nu a conversar com um amigo meu que me tinha vindo visitar. Foi quando o saco descolou, caiu ao chão e nos salpicou os pés com "eau de merde", muito literalmente.
Era difícil tomar banho e secar-me sem que me sujasse todo, era difícil colar o saco à barriga, enfim, não foi um tempo fácil, mas ultrapassou-se. Muitas vezes porque eu me lembrava de que seriam uns meses. O meu estoma era temporário, eventualmente fechá-lo-ia. São uns meses, e depois volto à minha vida normal.
Até que chegou o dia em que fui chamado para ser operado e encerrar a ileostomia. Yuppie!!!! Estou cada vez mais perto de voltar a ter uma vidinha minimamente normal, sem que de repente me escorra merda pela barriga abaixo.
Fui para o hospital, novamente operado, e procederam ao encerramento da ileostomia, ficando com a minha bolsa a recolher então as fezes.
E assim foi. Fui operado, fiquei sem ileostomia e com o ânus novamente funcional. E começou o pesadelo da minha vida.
Isto aconteceu em Fevereiro de 2011. E desde esse dia que tenho dores no cú. Literalmente. Estou com uma diarreira desde que fui operado. O que até é normal, pois as minhas fezes são liquidas, não são solidas. Quanto muito são pastosas, fazem-me lembrar farinha maizena mas castanha. Olha, Pensal!!! Faz-me lembrar aquela farinha Pensal. Mas não pelo cheiro, entenda-se.
Tenho o rabo todo assado, especialmente em redor do ânus. Tenho (espero que apenas) uma fissura anal, que cada vez que preciso de ir cagar (e são mesmo muitas vezes, acreditem) me arde de uma maneira tal que me dá vontade de bater com a cabeça na parede.
Quando falei nisto à medica, ela explicou-me que as fezes, quando estão no intestino delgado, são ácidas. E que perdem essa acidez no intestino grosso, que lembram-se? Eu não tenho... Então as minhas fezes são e serão sempre ácidas. E isso significa que eu vou sempre ter o rabo assado. Vou ter que viver com este ardor o resto da minha vida, pelos vistos.
Foi-me dito que teria de ter uma alimentação mais regrada. Ok, entendo isso, eu não tinha a alimentação mais saudável do mundo, admito. Mas quando como algo que não seja um bife de peru grelhado, uma tigela de choco krispies ou um prato de nestum de arroz, em vez de ir oito vezes por dia à casa de banho, vou o dobro. E as dores são o triplo. Sim, estou a exagerar um pouquinho, mas é mesmo só um poquinho. Além do mencionado, posso comer bananas, desde que estejam bem maduras, pêras e maçãs cozidas.
E pouco mais posso comer. Ou antes... ...até posso comer tudo. Mas depois arco com as consequências.
Vegetais são algo completamente fora de questão. Tudo o que seja verde vai fazer o intestino trabalhar, e consequentemente cagar mais. Cerveja nem vê-la. Aliás, tudo o que seja bebida com gás é de evitar. Se tenho o azar de que esse gás não seja arrotado, e passe para o intestino, depois estou lixado. Vai causar-me cólicas, desconforto abdominal, e muito provavelmente quando me tentar peidar para tirar esse gás de dentro de mim vou borrar-me todo. Então não, bebidas gaseificadas estão off-limits.
O açúcar também é de evitar. Eu não sabia, mas parece que quando ingerimos açúcar, este é absorvido no cólon. Quem diria? Mas quando lá chega, parece que já vai numa forma bastante liquida, o que me vem complicar a situação, pois quanto mais liquidas são as minhas fezes, mais me arde o olhinho do cú. É uma proporção directa.
E aparentemente eu tenho é muita sorte que seja assim, pois parece que podia ser bem pior.
Uma vez perguntaram-me se eu conseguia urinar, e mais importante, se eu tinha ereções. Estranhei a pergunta, mas disse que sim, felizmente graças a nossa senhora continuo a ter ereções. "Mas porque me pergunta isso?" perguntei.
"Porque como andamos a mexer nessa zona, havia a possibilidade de as coisas que sejam daí deixem de funcionar". Ou seja, eu podia até nem já conseguir por o Adamastor de pé...
Pois MUITO OBRIGADO POR ME AVISAREM DISSO A TEMPO E HORAS ANTES DA OPERAÇÃO HEIN???? Que sortudo que eu sou, foda-se... E ainda me queixo porque nunca me saiu nada no totoloto? Acho que está aqui o equivalente a ter-me saído a sorte grande na lotaria...
Resumindo... Estou farto desta merda toda. Mesmo muito farto.
Diziam-me que eram uns meses até voltar à minha vida normal. Pois eu digo TRETAS!!!!
Isso são tretas. Se calhar disseram-mo para me levar a querer fazer a operação, porque sim, eu sei que as vezes sou um bocado parvo, e se soubesse essas merdas todas antes iria ser uma decisão muito mais complicada, mas por outro lado os médicos não tinham maneira de saber isso pois não me conheciam de lado nenhum.
Não sinto que tenha sabido da historia toda, ou se calhar fui eu quem não viu bem o filme em que estava a entrar, mas o certo é que já se passaram uns anos, e eu estou longe de ter a minha vida normal. Pelo contrário, tenho cada vez mais a certeza que a minha vida nunca mais vai ser normal.
Aliás... Um dos médicos chegou a dizer-me, numa das vezes em que me queixava das dificuldades que tinha para defecar: "Mas você sabe que as coisas nunca mais vão voltar a ser como antes, não sabe? Então você não tem intestino grosso..."
A minha vida está totalmente mudada. Eu próprio sinto que já não sou o mesmo.
Com esta "brincadeira" perdi parte da minha personalidade. Perdi a minha namorada, que não teve capacidade de atravessar isto comigo (e que fique claro que no fundo não a censuro), e encontrar alguém que compreenda a minha situação e que esteja disposta a conviver com o que isso acarreta, e que além disso goste de mim e que eu goste dela, não me está a parecer algo que, mesmo com esforço, se concretize.
Perdi a minha liberdade, pois não me posso afastar de uma sanita por mais do que umas horas. Longe vai o tempo em que eu saia de casa depois de almoço para voltar a entrar às tantas da madrugada.
Com esta brincadeira perdi o meu emprego (e também não censuro o meu patrão, ele teve muita paciência comigo), e muito sinceramente não estou a ver que tipo de trabalho posso eu vir a ter no futuro.
Sempre disse que trabalhar nas obras não me assustava, ou que quando me fartasse de tudo virava camionista.
E agora simplesmente não o posso fazer. Como é que vou conseguir ser camionista se de repente me dá uma caganeira que quase faz desmaiar? Troco o assento do camião por um penico, é isso?
Fui à junta médica da Segurança Social, onde me disseram que estou apto para trabalhar. Ou seja, mandaram-me para o fundo de desemprego. E eu perguntei-lhes: "Mas senhores doutores, e se me chamam para... ...sei la, atender ao balcão ou mesas? É algo que eu já fiz no passado, mas que agora não consigo fazer se tenho de correr para o WC".
E ele respondeu-me que, se for chamado, que devo ir a medica de família e meter uma baixa.
E eu não disse nada, mas pensei: "Foda-se... Então quer dizer, para a segurança social estou bom para trabalhar para nao me continuarem a pagar a baixa, mas se me chamarem para trabalhar devo ir meter baixa para não ir? Então afinal em que ficamos?".
No fundo de desemprego estive a falar com uma senhora que até era simpática, mas que fez a minha inscrição tal e qual como todas as outras. Ou seja, não há lá nada que indique ou informe acerca das minha limitações. Então sou colocado no sistema como uma pessoa normal, mas não sou uma pessoa normal porque se me chamarem para trabalhar eu vou meter baixa porque sou um caso particular? Mas que raio de lógica é que isto faz? Sou normal para umas coisas, mas para outras não?
Não... Estou mesmo farto desta merda toda... Ainda esta noite mal dormi. Acordei para ir a casa de banho de duas em duas horas, e de cada vez que ia doia-me o rabo que se fartava. Eu não tenho palavras para explicar. Mesmo sentado no bidé, a lavar o olho do cú com agua e sabão, está a doer-me.
Tenho uma pomada para por, mas é para por duas vezes ao dia, e não cada vez que cago.
Tenho de tomar imodium(loperamida) em base regular. Se não tomo a minha diarreia passa a estado crónico a.k.a. "saiam da frente!!!!". E tenho receio de que o organismo se habitue a isto. Se um dia deixar de fazer efeito, estou literalmente com merda até ao pescoço.
E não há perspectivas de ver isto a melhorar. Eu não posso comer uma pizza. Não posso comer uma francesinha. Não posso ir para uma noite de copos com os meus amigos. Eu não posso arranjar uma namorada. Eu não consigo trabalhar e manter niveis de produtividade que eu próprio considere aceitáveis.
Eu não consigo ser eu. É simples.
E estou mesmo, mas mesmo farto desta merda toda...
Só me apetece:
AVISO: Este blog não é aconselhável a pessoas sensíveis
ou facilmente impressionáveis.
Serão aqui relatados episódios e "aventuras" da vida de uma pessoa após uma proctocolectomia total.
Se se incomoda com ideias e pensamentos fortes e desagradáveis, por favor queira fechar esta pagina.
P.S: Nao aconselho a leitura deste blog durante a refeição.
Considerem-se avisados... :P
P.P.S.: Por vezes eu digo asneiras. Muitas...
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
sábado, 19 de outubro de 2013
Uma duvida existencial
Pessoal... Preciso da vossa opinião sincera. Passo a explicar:
Quero fazer umas prateleiras para arrumar os meus livros. Tenho tantos que já não sei onde os arrumar... ...então vou construir umas prateleiras para os guardar. E fui comprar o material para isso.
Quando regresso ao carro, arrumo tudo na mala (sim, consegui colocar 4 pranchas de 15cm por metro e trinta na bagageira de um CRX, sou o maior!!) e reparo que estou a ouvir uns latidos. Olho a minha volta, e percebo que os latidos vêm do carro que está estacionado ao lado do meu.
Tratava-se de um cachorro, novinho, parecido aqueles do anuncio da Scottex. E o problema é que o carro estava completamente fechado. Não deixaram uma nesga do vidro aberto, nada. Reparei que o canito já tinha a lingua toda de fora, devia estar a morrer de sede, sei lá eu.
Fiquei ali um bocado, dei três voltas ao carro, e não sabia bem o que fazer. O cachorro seguia-me dentro do carro para onde quer que eu fosse, à frente, de lado, atrás, whatever! So queria vir atrás de mim. Não sabia mesmo o que fazer, então achei que pelo menos tirava uma fotografia ao carro. Com que finalidade eu não sei, mas achei que mal não devia fazer.
Tinha mesmo acabado de tirar a foto quando aparecem os donos do carro.
Agora, eu não gosto de julgar um livro pela sua capa, mas tenho de dizer que era um casal, pouco mais velho que eu, mas com um mau aspecto terrível. Não é que eu tenha bom aspecto, mas aquela par rebentava a escala. Ela vinha com uma criança de alguns 3 anos ao colo. Assim que os vi, interpelei-os imediatamente: "Este carro é vosso?".
"É sim" respondeu o bacano. E eu continuei "vocês deixaram-no completamente fechado com um cão lá dentro, e ele tá cheio de sede. Têm de ter cuidado com estas coisas, amigos...".
E o gajo vira-se para mim e diz: "mas foi pouco tempo!". Eu respondi que mesmo pouco tempo pode ser fatal. Já vi cães morrerem assim fechados no carro.
Pela cara que fizeram, percebi imediatamente que as minhas palavras entraram por um ouvido a 100 à hora e saíram pelo outro a 1000... Mas enfim. Disse somente que era preciso muito cuidado com estas coisas, e começo a dirigir-me ao meu carro para me vir embora. Foi quando a madame achou que tinha vontade de refilar comigo.
"Então e você estava a tirar uma fotografia ao MEU carro porquê?", perguntou ela.
"Porque posso. Porque não haveria de tirar?" respondi.
"Mas não pode não. Não pode tirar fotografias ao meu carro!!" diz a senhora.
"Claro que posso! Estamos num sitio publico." disse eu, abrindo os braços e acenando em meu redor, indicando o parque de estacionamento.
"Isso é o que vamos ver!!" diz ela, enquanto se mete dentro do carro.
Eu simplesmente dei uma daquelas minhas gargalhadas sonoras, disse "Ok, força nisso!", e meti-me dentro do meu carro para me vir embora.
Estava já o casal do ano a vir embora, quando de dentro do carro o senhor ainda me diz qualquer coisa como "sabes, está um sol desgraçado hoje... E o carro debaixo da arvore também fica quente como o caraças..."
Eu limitei-me a esticar o braço na direcção dele e lentamente levantar o polegar. Dei-lhe um "fixe meu!" e fiz-lhe sinal para ele se ir embora. Ainda pensei dar-lhe um manguito, mas achei que não valia a pena. E assim se passou este pequeno episódio.
No entanto, fiquei a pensar nisto (é o mau grande defeito, eu penso :/ )...
Será que quem deixa um animal dentro de um carro, não deixará uma criança? E depois, sim, hoje o dia está nublado. O sol está tapado. Mas eu, que sou um friorento de primeira apanha, tenho calor. Sinto o dia abafado. Mas é verdade, o sol está tapado, e não bate directamente em nós. Será que por isso apenas não seria necessário abrir um pouco do vidro do carro para o cão ter ar?
Será que eu devia era ter ignorado o animal, ter ido à minha vida, ou fiz bem por lhes ter dado o sermão?
Será que me estou a tornar uma daquelas pessoas estúpidas e mesquinhas que se devem meter na sua própria vida e deixar os outros em paz?
/me wonders
Quero fazer umas prateleiras para arrumar os meus livros. Tenho tantos que já não sei onde os arrumar... ...então vou construir umas prateleiras para os guardar. E fui comprar o material para isso.
Quando regresso ao carro, arrumo tudo na mala (sim, consegui colocar 4 pranchas de 15cm por metro e trinta na bagageira de um CRX, sou o maior!!) e reparo que estou a ouvir uns latidos. Olho a minha volta, e percebo que os latidos vêm do carro que está estacionado ao lado do meu.
Tratava-se de um cachorro, novinho, parecido aqueles do anuncio da Scottex. E o problema é que o carro estava completamente fechado. Não deixaram uma nesga do vidro aberto, nada. Reparei que o canito já tinha a lingua toda de fora, devia estar a morrer de sede, sei lá eu.
Fiquei ali um bocado, dei três voltas ao carro, e não sabia bem o que fazer. O cachorro seguia-me dentro do carro para onde quer que eu fosse, à frente, de lado, atrás, whatever! So queria vir atrás de mim. Não sabia mesmo o que fazer, então achei que pelo menos tirava uma fotografia ao carro. Com que finalidade eu não sei, mas achei que mal não devia fazer.
Tinha mesmo acabado de tirar a foto quando aparecem os donos do carro.
Agora, eu não gosto de julgar um livro pela sua capa, mas tenho de dizer que era um casal, pouco mais velho que eu, mas com um mau aspecto terrível. Não é que eu tenha bom aspecto, mas aquela par rebentava a escala. Ela vinha com uma criança de alguns 3 anos ao colo. Assim que os vi, interpelei-os imediatamente: "Este carro é vosso?".
"É sim" respondeu o bacano. E eu continuei "vocês deixaram-no completamente fechado com um cão lá dentro, e ele tá cheio de sede. Têm de ter cuidado com estas coisas, amigos...".
E o gajo vira-se para mim e diz: "mas foi pouco tempo!". Eu respondi que mesmo pouco tempo pode ser fatal. Já vi cães morrerem assim fechados no carro.
Pela cara que fizeram, percebi imediatamente que as minhas palavras entraram por um ouvido a 100 à hora e saíram pelo outro a 1000... Mas enfim. Disse somente que era preciso muito cuidado com estas coisas, e começo a dirigir-me ao meu carro para me vir embora. Foi quando a madame achou que tinha vontade de refilar comigo.
"Então e você estava a tirar uma fotografia ao MEU carro porquê?", perguntou ela.
"Porque posso. Porque não haveria de tirar?" respondi.
"Mas não pode não. Não pode tirar fotografias ao meu carro!!" diz a senhora.
"Claro que posso! Estamos num sitio publico." disse eu, abrindo os braços e acenando em meu redor, indicando o parque de estacionamento.
"Isso é o que vamos ver!!" diz ela, enquanto se mete dentro do carro.
Eu simplesmente dei uma daquelas minhas gargalhadas sonoras, disse "Ok, força nisso!", e meti-me dentro do meu carro para me vir embora.
Estava já o casal do ano a vir embora, quando de dentro do carro o senhor ainda me diz qualquer coisa como "sabes, está um sol desgraçado hoje... E o carro debaixo da arvore também fica quente como o caraças..."
Eu limitei-me a esticar o braço na direcção dele e lentamente levantar o polegar. Dei-lhe um "fixe meu!" e fiz-lhe sinal para ele se ir embora. Ainda pensei dar-lhe um manguito, mas achei que não valia a pena. E assim se passou este pequeno episódio.
No entanto, fiquei a pensar nisto (é o mau grande defeito, eu penso :/ )...
Será que quem deixa um animal dentro de um carro, não deixará uma criança? E depois, sim, hoje o dia está nublado. O sol está tapado. Mas eu, que sou um friorento de primeira apanha, tenho calor. Sinto o dia abafado. Mas é verdade, o sol está tapado, e não bate directamente em nós. Será que por isso apenas não seria necessário abrir um pouco do vidro do carro para o cão ter ar?
Será que eu devia era ter ignorado o animal, ter ido à minha vida, ou fiz bem por lhes ter dado o sermão?
Será que me estou a tornar uma daquelas pessoas estúpidas e mesquinhas que se devem meter na sua própria vida e deixar os outros em paz?
/me wonders
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
Curtas: Ainda existem pessoas boas
E já apanhei o cagaço de hoje. Foi terrível...
Estava todo contente em casa da minha irmã, quando dei pela falta do meu telemóvel. "Oh crap", é logo o que se pensa nestes casos...
Fui até ao carro, munido de outro telemóvel para chamar e tentar ouvir o meu a tocar, mas sem sucesso. E é nesta altura que se começam a reconstituir os passos que se deram...
Ora, a ultima vez que lhe mexi, estava no Continente da rotunda nova do Barreiro, e não me lembro de lhe voltar a mexer depois disso. Então, ficou no Continente. E eu até acho que sei onde. Foi quando o pousei para tirar a palete de leite da prateleira do topo. De seguida meti a palete ao ombro e não pensei mais no telefone. De certeza que foi isto que aconteceu. Ou então deixei-o na caixa quando paguei a conta. Também é possível.
Agora... O telemóvel chama. Isso quer dizer que ainda está ligado. Em principio ainda ninguém o achou. O gajo até está desbloqueado, por isso se alguém o achar, já lhe rendeu o dia. E eu muito dificilmente vou recuperar o meu telefone...
Ainda assim decidi ir ao Continente. Fui direito à menina da caixa que me atendeu. Infelizmente não ficou ali, ela não o viu. A minha esperança começa a ficar abalada. Mas vou espreitar no corredor do leite. Pode ser que tenha sorte e ainda lá esteja. Chego ao dito corredor, e volto a marcar o meu numero, na esperança de ouvir o toque e segui-lo até ao meu equipamento. Dito e feito, marco o meu numero, e carrego na tecla verde.
Continua a chamar, o que é bom sinal. O telefone ainda não foi desligado, mas por outro lado estou no corredor do leite, e não ouço o toque do meu telefone. E isso é um péssimo sinal...
Mas hoje deve ser o meu dia de sorte. Enquanto estava a tentar ouvir algo que me indicasse estar perto do meu telemóvel, alguém o atendeu! :D
Era uma menina muito simpática, funcionária do Continente, que me deu a melhor noticia que podia ouvir hoje: "Encontramos o seu telefone, está no balcão de apoio ao cliente".
"MUITO OBRIGADO!!!! Vou já para aí!" foi mesmo a única coisa que consegui dizer.
E assim foi. Fui ao balcão de apoio ao cliente, e lá estava o meu telefone, perfeitamente guardado. Pelo que me disseram as senhoras que lá estavam de serviço, foi um colega da loja que o encontrou e o entregou ali.
Agradeci fervorosamente a alegria que me deram, e vim-me embora.
E que conclusões posso tirar daqui?
Primeiro, pára de largar o raio do telemóvel em qualquer lado... Pelos vistos só não perco a cabeça porque está agarrada ao resto do corpo...
E depois, o mais importante: Ainda existem pessoas boas.
Tanto quem encontrou o telemóvel na loja, como quem mo guardou no apoio até eu o ir buscar, poderiam ter simplesmente tirado a bateria ao telefone, e eu nunca mais o via. Mas não o fizeram, imperou a honestidade e felizmente recuperei o telemóvel. Naquele Continente os funcionários são correctos. Até a rapariga da caixa me perguntou quando vinha a vir embora se sempre o tinha encontrado. Ficou realmente preocupada com a minha perda.
Assim... Não percam a fé. Está aqui a prova inequívoca de que ainda existem pessoas boas, certas e honestas. E a essas todas, eu digo: Obrigado por existirem! :D
Um grande abraço.
Gwalchmay Gothic
Estava todo contente em casa da minha irmã, quando dei pela falta do meu telemóvel. "Oh crap", é logo o que se pensa nestes casos...
Fui até ao carro, munido de outro telemóvel para chamar e tentar ouvir o meu a tocar, mas sem sucesso. E é nesta altura que se começam a reconstituir os passos que se deram...
Ora, a ultima vez que lhe mexi, estava no Continente da rotunda nova do Barreiro, e não me lembro de lhe voltar a mexer depois disso. Então, ficou no Continente. E eu até acho que sei onde. Foi quando o pousei para tirar a palete de leite da prateleira do topo. De seguida meti a palete ao ombro e não pensei mais no telefone. De certeza que foi isto que aconteceu. Ou então deixei-o na caixa quando paguei a conta. Também é possível.
Agora... O telemóvel chama. Isso quer dizer que ainda está ligado. Em principio ainda ninguém o achou. O gajo até está desbloqueado, por isso se alguém o achar, já lhe rendeu o dia. E eu muito dificilmente vou recuperar o meu telefone...
Ainda assim decidi ir ao Continente. Fui direito à menina da caixa que me atendeu. Infelizmente não ficou ali, ela não o viu. A minha esperança começa a ficar abalada. Mas vou espreitar no corredor do leite. Pode ser que tenha sorte e ainda lá esteja. Chego ao dito corredor, e volto a marcar o meu numero, na esperança de ouvir o toque e segui-lo até ao meu equipamento. Dito e feito, marco o meu numero, e carrego na tecla verde.
Continua a chamar, o que é bom sinal. O telefone ainda não foi desligado, mas por outro lado estou no corredor do leite, e não ouço o toque do meu telefone. E isso é um péssimo sinal...
Mas hoje deve ser o meu dia de sorte. Enquanto estava a tentar ouvir algo que me indicasse estar perto do meu telemóvel, alguém o atendeu! :D
Era uma menina muito simpática, funcionária do Continente, que me deu a melhor noticia que podia ouvir hoje: "Encontramos o seu telefone, está no balcão de apoio ao cliente".
"MUITO OBRIGADO!!!! Vou já para aí!" foi mesmo a única coisa que consegui dizer.
E assim foi. Fui ao balcão de apoio ao cliente, e lá estava o meu telefone, perfeitamente guardado. Pelo que me disseram as senhoras que lá estavam de serviço, foi um colega da loja que o encontrou e o entregou ali.
Agradeci fervorosamente a alegria que me deram, e vim-me embora.
E que conclusões posso tirar daqui?
Primeiro, pára de largar o raio do telemóvel em qualquer lado... Pelos vistos só não perco a cabeça porque está agarrada ao resto do corpo...
E depois, o mais importante: Ainda existem pessoas boas.
Tanto quem encontrou o telemóvel na loja, como quem mo guardou no apoio até eu o ir buscar, poderiam ter simplesmente tirado a bateria ao telefone, e eu nunca mais o via. Mas não o fizeram, imperou a honestidade e felizmente recuperei o telemóvel. Naquele Continente os funcionários são correctos. Até a rapariga da caixa me perguntou quando vinha a vir embora se sempre o tinha encontrado. Ficou realmente preocupada com a minha perda.
Assim... Não percam a fé. Está aqui a prova inequívoca de que ainda existem pessoas boas, certas e honestas. E a essas todas, eu digo: Obrigado por existirem! :D
Um grande abraço.
Gwalchmay Gothic
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Curtas: Uma experiência nova
Boa tarde caros amigos e amigas. Espero que se encontrem de boa saúde e bem dispostos.
Bem sei que com as notícias relativas ao orçamento de estado para o ano que vem é bastante difícil estar bem disposto, mas temos de fazer um esforço...
Hoje resignei-me e fui cortar o cabelo. Já estava grande demais, e como o meu cabelo tem vontade própria, pura e simplesmente já não me conseguia pentear.
Saia de casa de manhã com o cabelinho nos trinques, e não tinha tempo de chegar sequer ao carro, que esta criatura peluda (peluda mas com falhas) decidia que se queria pôr de cócoras e lá se ia o meu (pouco) bom aspecto. Então, a solução passa por dar um saltinho ao barbeiro, coisa que tratei de fazer hoje.
A vida anda difícil, daí ter ido com a ideia de apenas cortar o cabelo, mas como eu também sou preguiçoso até mais não, e a paciência e jeitinho para desfazer a barba também não são muitos, acabei por mandar também desfazer a barba. Sai um pouco mais caro, mas sempre poupo nos bifes arrancados da cara, se é que me entendem... ;)
E em boa hora o fiz. Quem me desfez a barba não foi o barbeiro, mas uma menina de bata que lá estava sentada a um canto, e que quando entrei e a vi pensei que estava a fazer serviço de manicure (estava sentada atrás de um balcãozinho pequenino daqueles que me parece que se vêm nos filmes onde entram salões de manicure). O que tem imensa lógica, encontrar serviço de manicure num barbeiro de homens, diga-se de passagem.
Confesso que fiquei um pouco apreensivo quando o barbeiro me disse que quem me ia desfazer a barba seria a menina, mas o tico e o teco após rápida reunião acharam que ela não poderia cortar-me ainda mais do que se fosse eu a fazê-lo.
E só tenho a dizer que... ...fiquei fã. Se ainda não experimentaram, não sei do que estão à espera.
Tipo, a sério. Não vou entrar em detalhes, prefiro que experimentem e descubram por vocês mesmos, mas a verdade é que hoje tomei uma decisão. Não quero mais cortar a barba, nem quero que um barbeiro o faça.
Doravante, quero que a minha barba seja sempre desfeita por uma senhora. E tenho dito!
Assim, se tu que estás a ler estas palavras és um homem de barba rija que ainda não experimentou ter a barbinha desfeita por um profissional do sexo feminino, eu aconselho-te vivamente a largares tudo o que estás a fazer e a correres para o barbeiro da avenida Alfredo da Silva no Barreiro. Não te vais arrepender.
E se por acaso fores um homem não de barba rija, mas de pintelhos mal semeados assim como eu, não tens qualquer problema. Podes lá ir também que vais dar o teu dinheiro por bem entregue. ;)
Um resto de boa tarde a todos, um grande abraço.
O Gajo sem Colon
Bem sei que com as notícias relativas ao orçamento de estado para o ano que vem é bastante difícil estar bem disposto, mas temos de fazer um esforço...
Hoje resignei-me e fui cortar o cabelo. Já estava grande demais, e como o meu cabelo tem vontade própria, pura e simplesmente já não me conseguia pentear.
Saia de casa de manhã com o cabelinho nos trinques, e não tinha tempo de chegar sequer ao carro, que esta criatura peluda (peluda mas com falhas) decidia que se queria pôr de cócoras e lá se ia o meu (pouco) bom aspecto. Então, a solução passa por dar um saltinho ao barbeiro, coisa que tratei de fazer hoje.
A vida anda difícil, daí ter ido com a ideia de apenas cortar o cabelo, mas como eu também sou preguiçoso até mais não, e a paciência e jeitinho para desfazer a barba também não são muitos, acabei por mandar também desfazer a barba. Sai um pouco mais caro, mas sempre poupo nos bifes arrancados da cara, se é que me entendem... ;)
E em boa hora o fiz. Quem me desfez a barba não foi o barbeiro, mas uma menina de bata que lá estava sentada a um canto, e que quando entrei e a vi pensei que estava a fazer serviço de manicure (estava sentada atrás de um balcãozinho pequenino daqueles que me parece que se vêm nos filmes onde entram salões de manicure). O que tem imensa lógica, encontrar serviço de manicure num barbeiro de homens, diga-se de passagem.
Confesso que fiquei um pouco apreensivo quando o barbeiro me disse que quem me ia desfazer a barba seria a menina, mas o tico e o teco após rápida reunião acharam que ela não poderia cortar-me ainda mais do que se fosse eu a fazê-lo.
E só tenho a dizer que... ...fiquei fã. Se ainda não experimentaram, não sei do que estão à espera.
Tipo, a sério. Não vou entrar em detalhes, prefiro que experimentem e descubram por vocês mesmos, mas a verdade é que hoje tomei uma decisão. Não quero mais cortar a barba, nem quero que um barbeiro o faça.
Doravante, quero que a minha barba seja sempre desfeita por uma senhora. E tenho dito!
Assim, se tu que estás a ler estas palavras és um homem de barba rija que ainda não experimentou ter a barbinha desfeita por um profissional do sexo feminino, eu aconselho-te vivamente a largares tudo o que estás a fazer e a correres para o barbeiro da avenida Alfredo da Silva no Barreiro. Não te vais arrepender.
E se por acaso fores um homem não de barba rija, mas de pintelhos mal semeados assim como eu, não tens qualquer problema. Podes lá ir também que vais dar o teu dinheiro por bem entregue. ;)
Um resto de boa tarde a todos, um grande abraço.
O Gajo sem Colon
sábado, 12 de outubro de 2013
Rant: Transportes pessoais nos Transportes Publicos
Olá, bom dia a todos.
Eu gosto de acreditar que sou um tipo calmo e pacifico (e é agora que a minha mãe, se alguma vez chegar a ler isto, desata a rir), mas há coisas que me incomodam.
Como por exemplo a Exmª Srª Dª Cláudia Vieira, na revista Maria desta semana, a dizer que está muito contente por agora já ser permitido viajar no Metro de Lisboa com a bicicleta.
Ora vamos lá a ver se nos entendemos... A senhora por acaso costuma andar muitas vezes de metro, para poder afirmar tal coisa? Por acaso alguma vez teve necessidade de se fazer transportar a si e à sua bicicleta no Metro? Ou será que pega no carrinho e vai de cuzinho tremido até onde precisa de ir? Ah pois é...
Mas entenda-mo-nos... Estou a dizer isto, mas nada tenho contra a senhora. Pelo contrário, até acho que ela tem uma belas pernocas, e que se as quer manter em forma pedalando, eu sou o primeiro a apoiar. Mas que falem assim, quando claramente não têm conhecimento de causa, irrita-me. E neste caso em particular, porque é que me irrita? Porque pura e simplesmente o uso concorrente do Metro por pessoas a pé e por pessoas a bicicleta não funciona.
As pessoas são estúpidas, e por algum motivo preocupam-se sempre primeiro com o seu bem estar e só depois com o resto. E isto não muda quando se trata de embarcar e desembarcar nos transportes colectivos públicos. Então, ainda o Metro está a acabar de abrir as portas, já estão uns utentes a tentar sair da carruagem, enquanto os outros tentam desesperadamente entrar. É quase como se este processo fosse cronometrado, e o que for mais rápido tem direito a um rebuçado, ou como se o maquinista fosse fechar as portas ainda com gente na estação. É uma coisa estupida de se ver, garanto-vos. E os maluquinhos das bicicletas ainda vêm dificultar mais a coisa.
Já antes era permitido transportar bicicletas no Metro, mas fora da hora de ponta. Aparentemente agora essa restrição foi levantada, e passa a poder-se viajar no Metro, transportando uma bicicleta, a qualquer hora. E isso é horrível.
Eu não me importaria de partilhar o Metro com eles, se eles tivessem o mínimo de respeito e consideração pelos outros. Mas não têm. Raios, alguns até se acham superiores porque andam de bicicleta. Pois tenho más noticias para cromos assim como esses: vocês não são superiores, pelo contrário, são ridículos. Ouve lá, se tens uma bicicleta, porque caraças estás no metro, meu?? Monta-te no selim, dá ao pedal e desampara-me a loja, pah!!
Mas e porquê esta aversão toda aos ciclistas, que até parece que se passa alguma coisa? Bem, até se passa. Embora faça já bastante tempo que não uso o Metro com tanta frequência, lembro-me perfeitamente de como era. Quantos pares de calças de fato ficaram estragadas com óleo da corrente da bina desses palhaços? Que trazem um veiculo com eles, mas que mesmo assim se vão meter ao empurrão junto aos outros para entrar e sair da carruagem? Aqueles projectos falhados a Joaquim Agostinho, com mania de superioridade, que empurram as suas bicicletas contra as pessoas, sujando-as com os pneus?
Meus caros... ...acho muito bem e apoio que queiram fazer exercício físico. Acho muito bem queiram dar ao pedal e mexer esses cus gordos e sedentários de quem diz que anda de bicicleta mas apanha o Metro.
Acho muito bem que poupem na pegada de carbono e cortem nas emissões de monóxido, mas vocês têm de abrir os olhos, olhar bem a vossa volta, olhar bem para vocês mesmos, e porem-se mais no vosso lugar.
Vocês não são melhores ou piores que ninguém por andarem de bicicleta. Vocês não têm mais ou menos direito de usar os transportes publicos por estarem de bicicleta. Mas vocês também não têm qualquer direito ou privilégio nos transportes só porque vão de bicicleta.
Lamento, mas no meu ver vocês deveriam ser os ultimos a entrar e a sair do transporte. Exactamente porque trazem uma carga enorme convosco que incomoda os outros passageiros, que pagaram o bilhete tal e qual como vocês. Claro que reduzindo tudo ao factor mais simples, a culpa acaba por ser do Metro, que permite que vocês utilizem as suas infraestruturas e equipamento sem que este esteja preparado para isso. Qualquer pessoa que já tenha andado no Metro de Lisboa pode confirmar que aquelas carruagens não foram desenhadas para transportar pessoas com volumes, mas isso não invalida a vossa atitude. Enfim...
Só para terminar, deixem-me dizer-vos que um gajo de bicicleta no metro é tão ridículo como aqueles gajos que compram um capacete de mota e um passe mensal para os autocarros. E depois passeiam para todo o lado com o capacete debaixo do braço, e quando lhe perguntam pela mota acabaram sempre de a deixar na oficina...
Ahhhhhhhhhh Sim, sinto-me melhor... :D
Muito obrigado a todos.
Um grande abraço
d'O Gajo Sem Colon
Eu gosto de acreditar que sou um tipo calmo e pacifico (e é agora que a minha mãe, se alguma vez chegar a ler isto, desata a rir), mas há coisas que me incomodam.
Como por exemplo a Exmª Srª Dª Cláudia Vieira, na revista Maria desta semana, a dizer que está muito contente por agora já ser permitido viajar no Metro de Lisboa com a bicicleta.
Ora vamos lá a ver se nos entendemos... A senhora por acaso costuma andar muitas vezes de metro, para poder afirmar tal coisa? Por acaso alguma vez teve necessidade de se fazer transportar a si e à sua bicicleta no Metro? Ou será que pega no carrinho e vai de cuzinho tremido até onde precisa de ir? Ah pois é...
Mas entenda-mo-nos... Estou a dizer isto, mas nada tenho contra a senhora. Pelo contrário, até acho que ela tem uma belas pernocas, e que se as quer manter em forma pedalando, eu sou o primeiro a apoiar. Mas que falem assim, quando claramente não têm conhecimento de causa, irrita-me. E neste caso em particular, porque é que me irrita? Porque pura e simplesmente o uso concorrente do Metro por pessoas a pé e por pessoas a bicicleta não funciona.
As pessoas são estúpidas, e por algum motivo preocupam-se sempre primeiro com o seu bem estar e só depois com o resto. E isto não muda quando se trata de embarcar e desembarcar nos transportes colectivos públicos. Então, ainda o Metro está a acabar de abrir as portas, já estão uns utentes a tentar sair da carruagem, enquanto os outros tentam desesperadamente entrar. É quase como se este processo fosse cronometrado, e o que for mais rápido tem direito a um rebuçado, ou como se o maquinista fosse fechar as portas ainda com gente na estação. É uma coisa estupida de se ver, garanto-vos. E os maluquinhos das bicicletas ainda vêm dificultar mais a coisa.
Já antes era permitido transportar bicicletas no Metro, mas fora da hora de ponta. Aparentemente agora essa restrição foi levantada, e passa a poder-se viajar no Metro, transportando uma bicicleta, a qualquer hora. E isso é horrível.
Eu não me importaria de partilhar o Metro com eles, se eles tivessem o mínimo de respeito e consideração pelos outros. Mas não têm. Raios, alguns até se acham superiores porque andam de bicicleta. Pois tenho más noticias para cromos assim como esses: vocês não são superiores, pelo contrário, são ridículos. Ouve lá, se tens uma bicicleta, porque caraças estás no metro, meu?? Monta-te no selim, dá ao pedal e desampara-me a loja, pah!!
Mas e porquê esta aversão toda aos ciclistas, que até parece que se passa alguma coisa? Bem, até se passa. Embora faça já bastante tempo que não uso o Metro com tanta frequência, lembro-me perfeitamente de como era. Quantos pares de calças de fato ficaram estragadas com óleo da corrente da bina desses palhaços? Que trazem um veiculo com eles, mas que mesmo assim se vão meter ao empurrão junto aos outros para entrar e sair da carruagem? Aqueles projectos falhados a Joaquim Agostinho, com mania de superioridade, que empurram as suas bicicletas contra as pessoas, sujando-as com os pneus?
Meus caros... ...acho muito bem e apoio que queiram fazer exercício físico. Acho muito bem queiram dar ao pedal e mexer esses cus gordos e sedentários de quem diz que anda de bicicleta mas apanha o Metro.
Acho muito bem que poupem na pegada de carbono e cortem nas emissões de monóxido, mas vocês têm de abrir os olhos, olhar bem a vossa volta, olhar bem para vocês mesmos, e porem-se mais no vosso lugar.
Vocês não são melhores ou piores que ninguém por andarem de bicicleta. Vocês não têm mais ou menos direito de usar os transportes publicos por estarem de bicicleta. Mas vocês também não têm qualquer direito ou privilégio nos transportes só porque vão de bicicleta.
Lamento, mas no meu ver vocês deveriam ser os ultimos a entrar e a sair do transporte. Exactamente porque trazem uma carga enorme convosco que incomoda os outros passageiros, que pagaram o bilhete tal e qual como vocês. Claro que reduzindo tudo ao factor mais simples, a culpa acaba por ser do Metro, que permite que vocês utilizem as suas infraestruturas e equipamento sem que este esteja preparado para isso. Qualquer pessoa que já tenha andado no Metro de Lisboa pode confirmar que aquelas carruagens não foram desenhadas para transportar pessoas com volumes, mas isso não invalida a vossa atitude. Enfim...
Só para terminar, deixem-me dizer-vos que um gajo de bicicleta no metro é tão ridículo como aqueles gajos que compram um capacete de mota e um passe mensal para os autocarros. E depois passeiam para todo o lado com o capacete debaixo do braço, e quando lhe perguntam pela mota acabaram sempre de a deixar na oficina...
Ahhhhhhhhhh Sim, sinto-me melhor... :D
Muito obrigado a todos.
Um grande abraço
d'O Gajo Sem Colon
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Curtas: Não te habitues
Bem... Às vezes a vida tem destas coisas... ...e nós temos de admitir que estávamos errados.
Desde muito novo que não tinha o hábito de sequer me descalçar quando chegava a casa. Trocava a farpela quando tomava banho e vestia o pijama para me ir deitar.
Numa dada altura da minha vida, namorei com uma rapariga a quem isso fazia confusão. "Que horror, ficar o dia inteiro com umas calças de ganga vestidas e um par de ténis nos pés...", dizia ela, que tinha por hábito vestir qualquer coisa mais confortável quando estava em casa. E eu argumentava que assim perdia muito mais tempo a arranjar-se quando queria sair. E assim ficámos, sem nunca chegar a um consenso.
Mais tarde, por vicissitudes da vida, deixei de usar calças de ganga pois com o saco não podia. Quanto tirei o saco continuei sem usar calças de ganga pois não posso apertar muito a cintura. Resumindo, agora dou por mim a despir-me e a vestir o pijama toda e qualquer vez que chego a casa. Nem que fique só meia hora.
Concluindo, não sei se contará alguma coisa para a tua felicidade ou se pura e simplesmente te passa ao lado, mas não quero deixar de afirmar publicamente que pronto, vá, sim, ya... ...tu tinhas razão.
E pensar que passei tantos anos a viver de outra forma... :)
Desde muito novo que não tinha o hábito de sequer me descalçar quando chegava a casa. Trocava a farpela quando tomava banho e vestia o pijama para me ir deitar.
Numa dada altura da minha vida, namorei com uma rapariga a quem isso fazia confusão. "Que horror, ficar o dia inteiro com umas calças de ganga vestidas e um par de ténis nos pés...", dizia ela, que tinha por hábito vestir qualquer coisa mais confortável quando estava em casa. E eu argumentava que assim perdia muito mais tempo a arranjar-se quando queria sair. E assim ficámos, sem nunca chegar a um consenso.
Mais tarde, por vicissitudes da vida, deixei de usar calças de ganga pois com o saco não podia. Quanto tirei o saco continuei sem usar calças de ganga pois não posso apertar muito a cintura. Resumindo, agora dou por mim a despir-me e a vestir o pijama toda e qualquer vez que chego a casa. Nem que fique só meia hora.
Concluindo, não sei se contará alguma coisa para a tua felicidade ou se pura e simplesmente te passa ao lado, mas não quero deixar de afirmar publicamente que pronto, vá, sim, ya... ...tu tinhas razão.
E pensar que passei tantos anos a viver de outra forma... :)
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Presunção e água benta cada um toma a que quiser
Bom dia caros amigos e amigas.
Chegou o dito tempo de merda. Chuva, vento, frio, corpos frios, espirros, dores de garganta e cêgripes para o bucho. A única parte boa disto é que agora já dá para unirmos os nossos corpos aos corpos dos outros sem haver espaço para aquela do "chega para lá que está calor" mas sim para a "achega-te filha, vamos gerar calor humano para não morrermos de frio"... ;)
E se formos a ver, oficialmente já começou o Outono desde o dia 21 de Setembro, mas ainda assim não estava à espera de tanta chuva... Sim, esperava o frio, esperava as folhas amarelas, esperava começar a vestir umas sweat-shirts, mas não estava nada à espera de desencantar o impermeável e o guarda-chuva do fundo do armário...
Mas é a realidade com que vivemos. Está de chuva, está frio, está desagradável.
E isto tem influência directa na forma como vivemos o nosso dia-a-dia, mais ainda do que a roda-viva de cházinhos, vitamina C, casacos e guarda-chuvas que inevitavelmente entram na nossa vida nesta altura do ano.
Está cientificamente comprovado que este tempo deprimente causa isso mesmo: depressão.
Não é porque queiramos, não é porque gostemos, simplesmente faz parte do funcionamento básico do ser humano este ambiente afectar-nos.
E claro que haverá sempre aqueles que vão dizer "Este gajo tá parvo, eu não fico deprimido com a chuva, até gosto", e sim, eu acredito que não fiquem deprimidos e que até gostem de chuva. Eu também gosto. Desde que eu esteja quentinho e a chuva não me esteja a cair em cima. Mas se não ficam com tendência a ficar tristes, rezingões e sem paciência, então os meus mais sinceros parabéns: vocês são fortes.
Têm uma vida preenchida que não vos permite cairem nestas armadilhas do nosso psicológico.
Mas ainda há uma elevada quantidade de pessoas que pelos mais diversos motivos têm tendência a ficar mais em baixo com este tempo. Eu sou uma dessas pessoas.
E para combater isso, eu gosto de fazer algo que chamo de auto-motivação, e convido-vos a todos (quer estejam tristes, felizes, deprimidos ou a rebentar de alegria) a participarem comigo.
E basicamente passa apenas por mentalizar-mo-nos a nós próprios, cada um de nós, que:
Eu sou bom. Eu sou o máximo. Porque eu não sou nenhum Einstein mas também não sou nenhum dumbfuck. Eu sou bom porque acredito nos meus ideiais e nos meus valores e respeito-os ao longo da minha vida. Eu sou bom porque me respeito a mim mesmo e respeito o próximo. Eu sou bom porque tenho noção do meu valor e não tento ser algo que não sou. Eu sou bom porque não me armo em chico-esperto para me beneficiar a mim enquanto fodo o meu semelhante. Eu sou bom porque sim. E ainda falta muito para nascer aquele que vai conseguir provar o contrário. Eu sou bom porque sou único e não existe mais ninguém igual a mim.
Eu sou bom porque eu... ...sou eu. :)
E é apenas isso.
Claro que com esta mentalidade, muito dificilmente serei alguém na vida... ...porque para singrar nesta vara a que chamamos sociedade temos de nos separar dos nossos escrúpulos, morais e valores, mas eu, cá por mim... ...bem que me estou borrifando para isso. Prefiro ser otáriozinho... ...mas feliz. ;)
Assim, se quiserem... ...tentem. É sem garantias, mas comigo costuma funcionar. Tenham é presente que, como tudo o mais na vida, não basta rezar a ladainha e esperar que as coisas apareçam à porta. É preciso realmente ter fé e fazer por isso.
Experimentem. Não precisam de agradecer... :P
Um grande abraço a todos.
O Gajo sem Colon
Chegou o dito tempo de merda. Chuva, vento, frio, corpos frios, espirros, dores de garganta e cêgripes para o bucho. A única parte boa disto é que agora já dá para unirmos os nossos corpos aos corpos dos outros sem haver espaço para aquela do "chega para lá que está calor" mas sim para a "achega-te filha, vamos gerar calor humano para não morrermos de frio"... ;)
E se formos a ver, oficialmente já começou o Outono desde o dia 21 de Setembro, mas ainda assim não estava à espera de tanta chuva... Sim, esperava o frio, esperava as folhas amarelas, esperava começar a vestir umas sweat-shirts, mas não estava nada à espera de desencantar o impermeável e o guarda-chuva do fundo do armário...
Mas é a realidade com que vivemos. Está de chuva, está frio, está desagradável.
E isto tem influência directa na forma como vivemos o nosso dia-a-dia, mais ainda do que a roda-viva de cházinhos, vitamina C, casacos e guarda-chuvas que inevitavelmente entram na nossa vida nesta altura do ano.
Está cientificamente comprovado que este tempo deprimente causa isso mesmo: depressão.
Não é porque queiramos, não é porque gostemos, simplesmente faz parte do funcionamento básico do ser humano este ambiente afectar-nos.
E claro que haverá sempre aqueles que vão dizer "Este gajo tá parvo, eu não fico deprimido com a chuva, até gosto", e sim, eu acredito que não fiquem deprimidos e que até gostem de chuva. Eu também gosto. Desde que eu esteja quentinho e a chuva não me esteja a cair em cima. Mas se não ficam com tendência a ficar tristes, rezingões e sem paciência, então os meus mais sinceros parabéns: vocês são fortes.
Têm uma vida preenchida que não vos permite cairem nestas armadilhas do nosso psicológico.
Mas ainda há uma elevada quantidade de pessoas que pelos mais diversos motivos têm tendência a ficar mais em baixo com este tempo. Eu sou uma dessas pessoas.
E para combater isso, eu gosto de fazer algo que chamo de auto-motivação, e convido-vos a todos (quer estejam tristes, felizes, deprimidos ou a rebentar de alegria) a participarem comigo.
E basicamente passa apenas por mentalizar-mo-nos a nós próprios, cada um de nós, que:
Eu sou bom. Eu sou o máximo. Porque eu não sou nenhum Einstein mas também não sou nenhum dumbfuck. Eu sou bom porque acredito nos meus ideiais e nos meus valores e respeito-os ao longo da minha vida. Eu sou bom porque me respeito a mim mesmo e respeito o próximo. Eu sou bom porque tenho noção do meu valor e não tento ser algo que não sou. Eu sou bom porque não me armo em chico-esperto para me beneficiar a mim enquanto fodo o meu semelhante. Eu sou bom porque sim. E ainda falta muito para nascer aquele que vai conseguir provar o contrário. Eu sou bom porque sou único e não existe mais ninguém igual a mim.
Eu sou bom porque eu... ...sou eu. :)
E é apenas isso.
Claro que com esta mentalidade, muito dificilmente serei alguém na vida... ...porque para singrar nesta vara a que chamamos sociedade temos de nos separar dos nossos escrúpulos, morais e valores, mas eu, cá por mim... ...bem que me estou borrifando para isso. Prefiro ser otáriozinho... ...mas feliz. ;)
Assim, se quiserem... ...tentem. É sem garantias, mas comigo costuma funcionar. Tenham é presente que, como tudo o mais na vida, não basta rezar a ladainha e esperar que as coisas apareçam à porta. É preciso realmente ter fé e fazer por isso.
Experimentem. Não precisam de agradecer... :P
Um grande abraço a todos.
O Gajo sem Colon
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