quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Raspberry PI

Ola a todos!

Hoje, e apenas porque a vida não pode ser só feita de merda, gases e cólicas, venho falar-vos de algo que não têm rigorosamente nada a ver com o tema do meu blog.
Espero que me perdoem.

Eu sou um gajo que estudou tecnologias de informação, e interesso-me por tecnologia no geral.
Então, de vez em quando tropeço em coisas que acho interessantes. Claro que se eu tivesse o capital do Bill Gates ou do Steve Jobs, não teria espaço onde arrumar todas as coisas, gadgets, brinquedos, etc, que acho interessantes... ^^
Mas adiante... Aqui há uns tempos deparei-me com algo que, novamente, achei interessante.



Chama-se Raspberry PI, há quem lhe chame RPI para abreviar, e o seu objectivo é ser um mini-computador orientado a ser utilizado para ensinar informática e programação nas escolas.
O seu hardware é praticamente um tablet android com tamanho reduzido, sem ecrã, a correr um sistema operativo baseado no Debian Linux. Para aqueles que não sabem, o sistema android é também ele baseado em Linux, portanto acaba por ser algo parecido, mas as parecenças ficam por aqui.
Um tablet é algo que foi feito a pensar num utilizador que adquire o produto, e quer navegar na internet, ver uns filmes, utilizar as redes sociais e programas de comunicação instantânea, de forma simples e sem ter que se chatear com configurações e ajustes demasiado complexos.  O Raspberry PI foi feito a pensar em utilizadores mais avançados ou com vontade de aprender, que querem algo mais flexível e com mais potencial do que apenas o da utilização dos tablets, tendo sido feito de maneira a permitir um nível de controlo de hardware e configurações tanto a nível de sistema como de programação equiparadas aos de um computador pessoal ou portátil através de interfaces de comunicação que num tablet não estão disponíveis.
E claro, um tablet foi feito para ser portátil  e apesar de haver quem já tenha posto o seu Raspberry Pi a funcionar a pilhas, este pressupõe uma ligação seja a um USB, seja a um adaptador (tipo os carregadores dos tablets).

A diferença mais básica que consigo encontrar, é que num tablet android, estamos limitados aquilo que a ROM te deixa fazer, ao passo de que no RPI estamos a correr uma distribuição Debian, ou seja, não temos de andar a fazer root ao dispositivo, nem instalar aplicações para correr coisas de controlo básicas como comandos de rede, porque estamos a correr um sistema operativo que não foi feito para um tablet, mas para, de facto, um computador. Mas esta é, como disse, a mais básica diferença.
O RPI traz um interface de baixo nivel GPIO, por exemplo. Isto é uma porta de comunicações que pode ser acedida através de programação  neste caso scripts a correr no Debian que está a correr no Raspberry PI, e permite fazer coisas como tão simples como por leds a piscar, mais complexos como um radio de internet, ou até mesmo controlar servos.

Este brinquedo vem em dois modelos, A e B, onde ambos são praticamente do tamanho de um cartão de crédito, mais precisamente 85.60 mm × 53.98 mm e trazem na placa um processador 700 MHz ARM1176JZF-S core, 512 MB de memória compartilhada com o controlador gráfico Broadcom VideoCore IV que permite uma resolução de vídeo 1080p.
Para saídas de video temos uma saída RCA composto (PAL e NTSC) e uma saída HDMI que permite 14 resoluções de 640×350 até 1920×1200 mais diversos padrões PAL e NTSC, e uma saída audio 3.5mm (ligação normal de uns auscultadores de ouvido).
É alimentado por uma ficha micro-usb de 5v, ou através da porta GPIO, e correm versões de alguns sistemas operativos baseados em Linux especificamente compiladas para este dispositivo.
Como armazenamento, o RPI aceita cartões de memória SD, e a comunidade aconselha a utilizar cartões SDHC pois têm sido os mais reportados como compatíveis. Este cartão SD é pré-formatado com o sistema operativo que vai correr e até onde entendi o espaço restante é utilizado para armazenamento.
Vi tutoriais de como pré-formatar o cartão em que utilizavam cartões de 2Gb, portanto assumo que este seja o mínimo, mas não sei precisar quanto espaço fica disponível para armazenamento depois da instalação.
As diferenças nos modelos A e B surgem na forma de que o modelo A apenas traz uma porta USB, e funciona com correntes de 500mA, e no modelo B são fornecidas duas portas USB, uma porta 10/100 Ethernet (RJ45) e funciona com correntes de 700mA.
E claro, o preço do modelo A é ligeiramente mais barato que o do modelo B, devendo-se à diferença de hardware.
Isto tudo numa placa de circuitos impressos com este aspecto:


Claro que estas coisas são orientadas mais para... ...geeks? :)  Creio que sim, mas continua a ter potencial para a malta que não é tão interessada ou entendida na programação.
Como a sua saída video é HDMI, o RPI pode ser utilizado como um daqueles sticks que transformam a TV numa smartTV, ou pode ser utilizado como media center.
Basicamente pode ser utilizado para (quase) tudo aquilo que a nossa imaginação se lembre, visto ser, lá está, um mini-computador a preço mais ou menos acessível (mais à frente chegarei ao porquê do mais ou menos acessível).
Esta placa suporta que se ligue um hub USB para podermos ligar mais periféricos além do rato e teclado, como por exemplo discos externos, pen's de acesso a redes WI-FI ou até mesmo unidades de GPS, pois li alguns testemunhos de malta que conseguiu comunicar com os seus GPS ligados através da porta USB do RPI.
Acho que um nível de computação e processamento destes num hardware tão pequeno pode ter bastante potencial. Podemos imaginar coisas tão básicas como automatização de portas, luzes ou equipamentos electrónicos, como mais complexas como, através da leitura de sensores, automatizar a casa para uma pessoa idosa, ou com uma deficiência ou incapacidade, em suma, alguém que possa precisar de uma maior vigilância e assistência.

O RPI é um brinquedo espectacular, e como disse, foi feito para ser barato e acessível, mas será tão acessível assim? Estamos em época de crise, então a definição de acessível é bastante volátil...

O quanto custa um Raspberry PI, com tudo o que é necessário para funcionar, vai depender muito do material que já possamos ter pela casa, como o cabo HDMI, ou o cabo de alimentação.
Bem, a dizer a verdade, em teoria apenas precisamos de comprar o RPI em si, e ter a sorte de um dos nossos cartões SDHC ser compatível.
Vamos imaginar que temos ao nosso dispor tudo o que precisamos para colocar um Raspberry PI a funcionar, excepto o próprio Raspberry Pi. Isto traduz-se em :
1 cabo HDMI (pressupõe que tenhamos uma TV ou um monitor que aceitem ligações HDMI.)
1 cartão de memória SDHC (que terá de ser formatado de acordo com instruções no site do RPI)
1 cabo USB para Micro-USB para usar como alimentação.
1 rato e teclado USB

Para base de preços, vou utilizar os presentes no site InMotion.pt, pois aparentemente é de confiança.
É de notar o facto de que está a decorrer uma campanha no site InMotion onde oferecem os portes de envio para as compras de valor superior a 35 Euros + IVA. Infelizmente a campanha termina a 28 deste mês, portanto já não deve dar muito tempo para aproveitar.
Neste momento só vejo disponível o modelo B, o que não é grande problema pois eu acho que o modelo B é preferível apenas por trazer uma porta Ethernet. A InMotion tem à venda dois modelos B, um com 256MB e outro com 512MB de memória, mas o de 256MB está esgotado.
Curiosamente custam os dois o mesmo, 35.95 Euros + IVA.
Então, se fossemos a encomendar hoje um RPI, como teriamos oferta dos portes, este ficaria por 44,22 Euros. Tendo em conta que já temos tudo o que precisamos para o fazer funcionar, infelizmente ainda se trata de um valor um tanto ou quanto inacessível para muita gente neste momento em Portugal.
Mas vamos armar-nos em ricos, e comprar tudo o que é preciso para colocar um Raspberry Pi a funcionar, exceptuando o monitor. Praticamente todos temos uma televisão com entrada HDMI, e juntar o preço de um monitor ao conjunto ia fazer o total saltar para o espaço. Não vou considerar também o preço do cabo eterneth, eu acho que todos temos pelo menos um cabo eterneth algures perdido no armario do hardware... :P Existe ainda um dongle Wi-Fi USB suportado pelo RPI e à venda no site InMotion (7,95 EUR + IVA), mas também não o vou considerar pois quero fazer um setup pelo preço mais baixo.

Assim, a nossa lista compõe-se de:
1 Raspberry PI - 35.95 EUR + IVA

1 Caixa para a placa - 8,95 EUR + IVA.
Aqui escolhi uma caixa que permite ser cortada para aceder a porta GPIO, e só custa mais 1 euro que a mais barata que existe.

1 fonte de alimentação própria para o RPI - 7,95 EUR + IVA

1 cartão de memória Kingston SDHC 4GB - 3,90 EUR na Chiptec
Este é um cartão normalíssimo que terá de ser formatado com o sistema operativo que vamos arrancar no RPI. Talvez possa estar a dar um tiro no pé aqui... Porque não sei se o cartão é compatível. Na InMotion é possível comprar um cartão também ele Kingston SDHC de 4GB testado e compatível por 6,95 EUR + IVA, também ele a necessitar que se formate com o sistema operativo, ou então poderíamos optar pelo mesmo cartão mas pré-instalado com o Raspbian (o sistema operativo mais popular) por 8,95 EUR + IVA. Eu vou ter fé, e fazer a conta considerando o mais barato na chiptec.

1 cabo HDMI de alta velocidade com 1 metro - 2,95 EUR + IVA.

Vamos neste momento com uma conta de 55,80 Euros, ainda sem IVA, na InMotion, à qual temos de somar os 3,90 Euros do cartão da Chiptec.
Aplicando o IVA à conta da InMotion dá um total de 68,63 Euros, mais 3,90 do cartao da chiptec dá um total de 72,53 Euros. Arredondemos para os 73 Euros.

Ok, é um computador altamente configurável e que pode proporcionar muitas horas de entretenimento e aprendizagem, mas 73 Euros, apenas para brincar, ainda se torna um bocado puxadote na altura que o País atravessa.

Nos entretantos, e como eu gosto de experimentar coisas, descobri que podemos arrancar o Raspbian numa máquina virtual no Windows.
Não pode ser feito com o famoso VMware porque o Raspbian é arquitectado para correr numa arquitectura ARM, então utilizamos um programa chamado QEMU, alterado especificamente para correr esta imagem.

Para por a funcionar, saquem o ficheiro qemu.zip através do post que linkei ali em cima, ou então podem saca-lo directamente do meu servidor aqui.
Este ficheiro traz uma imagem do Raspbian com a data de 15-07-2012. Eu tentei correr a mais recente, e não consegui, aparentemente porque existiram alterações a nível de kernel que teriam de ser actualizadas para o qemu. Honestamente não perdi muito tempo com isto, visto que consegui arrancar sem problemas a imagem de 15 de Julho, e já dá para ver a coisa em acção.

Para isso, extraiam o ficheiro qemu.zip para uma pasta no vosso computador, e executem o ficheiro run.bat
A primeira vez que correrem o programa vai demorar algum tempo, e vão ser pedidas configurações iniciais simples, bastando seguir as instruções que aparecem no ecrã.
Eventualmente vai ser pedido o login. Introduzam como utilizador "pi" e como password "raspberry", ambos sem as aspas. Será apresentada a linha de comandos. Escrevam "startx" (sem as aspas) e carreguem na tecla ENTER para entrar no modo gráfico:


Quando se fartarem, carreguem no botão que está no canto inferior direito, e façam logout.
Depois, no terminal insiram os seguintes comandos para desligar:
sudo -i
shutdown -hP now Adeus!

Isto vai colocar a imagem no estado parado, e já podem fechar o programa. Esta acção seria o semelhante a encerrar um RPI físico, e desliga-lo da tomada.

Embora sendo apenas emulado, já dá para ter uma ideia do que será a coisa, e volto a dizer, tem potencial. :D
Pelo menos eu gosto, e bastante. Está na altura de começar um pézinho de meia. E já agora, quem quiser contribuir para o projecto Raspberry PI, por favor fique à vontade *cough* *cough* ^^

Gosto de pensar no que a tecnologia nos trará no dia de amanhã. Parece que ainda há bem pouco tempo surgiram os primeiros telemóveis, e agora existe este mini-computador com utilizações praticamente infinitas.
O que será que o futuro nos trará em termos de tecnologia? Eu mal posso esperar!!! :D

E com este pensamento vos deixo, meus amigos, pois acho que já falei bastante sobre este gadget, e porque penso que já esgotei tudo o que descobri sobre o assunto. Mais... Só mesmo "escavacando" um! Hehehe...

Espero que tenham gostado desta nova abordagem a um post mais limpinho.
Uma boa noite para todos.



Fontes:
http://en.wikipedia.org/wiki/Raspberry_Pi
http://elinux.org
http://elinux.org/RPi_SD_cards
http://www.raspberrypi.org
http://www.raspberrypi.org/phpBB3/viewtopic.php?f=26&t=16919
http://www.inmotion.pt

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Gases

Boa tarde caros amigos!

Hoje vou falar um pouco de um dos meus maiores problemas: os gases.

O meu organismo continua a produzir gases, como qualquer outro, e esses gases podem sair de duas maneiras: ou por cima ou por baixo. Entenda-se, podem ser expelidos sob forma de um arroto, ou saem sob a forma de um flauto.
Quando os gases são arrotos, perfeito, maravilha. Consigo arrotar sem qualquer problema, e quando o faço sinto um enorme alivio, como se conseguisse vazar um balão que tinha dentro da barriga.
O problema é quando os gases passam para o intestino. É que sem cólon, e muito difícil libertar gases. Pelo menos para mim. Talvez ainda não tenha aprendido como o fazer, não sei. O certo é que nem sempre o consigo fazer.
Consigo sentir quando os gases passam do intestino delgado para a bolsa. As vezes faz comichão, o que incomoda mas é suportável, por vezes até faz barulho que as pessoas a minha volta conseguem ouvir. Não sei se o barulho é sempre alto o suficiente para os outros ouvirem, mas sei que alguns se ouvem.
E o problema está aqui. Eu não sei qual o formato da bolsa, então só posso especular. O que me parece que acontece é que os gases andam pela bolsa sem direcção. Ou seja, o gás não se dirige para o ânus para ser expelido, fica simplesmente ali até que por motivos que eu ainda estou a tentar identificar, chegam ao ânus. E enquanto o gás anda ali na bolsa, causa-me dores, cólicas e sensação de inchaço.
Uma das coisas que eu acho que faz o gás dirigir-se para o ânus é o acto de me levantar da cadeira quando sinto um aperto forte de dores no lado esquerdo da barriga.
Tenho tentado entender como interpretar estas dores para conseguir soltar gases. Então quando sinto esse aperto, faço alguma força, levanto-me da cadeira, mudo de posição a tentar fazer com que o gás saia.
Por vezes o gás sai como se fosse um peido, e tudo corre bem, maravilha! Mas infelizmente eu não consigo sentir quando se trata apenas de um gás, ou quando vem com molho...

Um truque que descobri ajudar passa por estar deitado. Cheguei à conclusão de que se estiver na posição horizontal, é mais fácil forçar os gases a andar dentro da bolsa, e que quando estes chegam perto do ânus  se contrair a barriga na maneira certa (ainda estou a tentar descobrir exactamente qual é), consigo soltar flautos. Nem sempre o consigo fazer, mas colocando as mãos sobre o abdomen (sitio onde estaria o intestino grosso?) e fazendo alguma pressão (coisa ligeira, nada de abusos!) tem tendência a ajudar o gás a movimentar-se. Tento então massajar a barriga, deslizando as mãos no sentido daquilo que eu, tendo em conta as dores e inchaços que as vezes sinto) imagino que seja o sitio onde está a bolsa.
Se correr bem, isto vai fazer com que sinta uma dor um tanto ou quanto forte próximo do ânus. Quando sinto esta dor, aperto o esfincter com força, ao mesmo tempo que faço força como se tentasse soltar um peido.
Se eu estiver com sorte, isto vai fazer com que solte um flauto, perfeitamente audível e mal-cheiroso.
Um aparte, esqueçam os peidos silenciosos, daqueles que não fazem barulho, pois nunca mais consegui soltar um desses. E esqueçam os peidos que não deitam cheiro. Pelo contrário, digamos que poderíamos ser presos por carregar uma arma química.
Por vezes esse flauto vem acompanhado de uma "surpresa". Quantas vezes fui eu tomar banho por causa disso? Já perdi a conta. As vezes estou sem fralda, então a merda (literalmente) é imensa. Por vezes saem menos fezes junto com o peido. As vezes nem chega a sujar a roupa, fica apenas nas nádegas.

O complicado deste processo é apenas eu o conseguir fazer estando deitado (pelo menos até agora), e de cada vez que acontece me provocar ardor no ânus. A médica diz que é devido à acidez das fezes.
Seja lá do que for, o certo é que incomoda ao ponto de ser insuportável.

Então, tenho vindo a tentar minimizar os efeitos.

Para o ardor no ânus, não há muito a fazer. Lavar muito bem lavadinho e aplicar pomada.
Eu uso Mytosil, Halibut e Cicalfate, vou alternando entre as três pois receio que o corpo se "habitue" a uma delas e deixe de fazer efeito.

Para os gases, tomo medicação.
Os comprimidos Aero Om são eficazes, e existem sob varias formas. Tenho experimentado vários a tentar perceber quais é que resultam melhor.

Aero Om Duo
Para mim, os melhores são Aero Om Duo. Sao cápsulas constituídas metade pelo composto do Aero OM, e a outra metade por carvão activado. Tomar duas destas a seguir a cada refeição tem um efeito bastante forte, e reduz imenso os gases.
O problema é que cada caixa traz 20. Se tomar dois a seguir ao pequeno almoço, dois a seguir ao almoço, um a seguir ao lanche (deviam ser dois, mas enfim), dois a seguir ao jantar, já dá sete. Entao uma caixa dá para quase 3 dias. A 15€ cada caixa, é facil ver que esta não é uma solução ao alcance.

Aero Om 125
Estes são uns comprimidos que eu chamo bolinhas amarelas. São umas cápsulas transparentes que contêm um liquido amarelo. Fazem um efeito parecido ao Duo, mas não tão eficaz, se tomadas quase da mesma forma, uma a seguir a cada refeição.
Com um custo de 15€ cada caixa de 60 comprimidos, já se torna mais acessível.

Aero Om 42
Comprimidos para mastigar e deixar derreter debaixo da lingua, que até onde eu entendi, são em tudo iguais aos Aero Om 125, apenas mudando a dosagem.
Tenho tomado dois a seguir a cada refeição, e até agora não está a correr mal. São os mais fracos e ineficazes até agora, mas a sua dosagem é bastante baixa. Na proxima consulta com a gastroenterologista vou perguntar se posso aumentar a dosagem, pois estes parecem-me promissores pois parecem funcionar, e uma embalagem de 100 custa 10€.

Mais ou menos com esta "receita" tenho conseguido ter menos gases, ou pelo menos aliviar um pouco o sofrimento que é sentir um balão inchado dentro da barriga, que não quer sair nem à lei da bala.
O meu receio com isto prende-se na sobredosagem dos comprimidos... Até agora têm-me dito que eu, devido à minha situação clínica, não tenho problemas de sobredosagem, mas quer dizer... ...é assim tão linear?
Só porque não tenho cólon, posso tomar 20 (exagero!) comprimidos de Aero Om 42 sem problemas para a saúde?
E isto apenas para os gases, depois tomo coisas para as diarreias, e complementos vitamínicos para compensar a falta da sua absorção pelo colon, coisas para andar relaxado, etc...

Curiosamente, apareceram-me derrames na vista, que me assustaram até ao tutano! Quem me pode garantir que não está relacionado com o cocktail de experiencias de capsulas, comprimidos e saquetas e etceteras que eu tenho vindo a tomar?

Concluindo... Quer cá parecer-me que um gajo não morre do mal, morre da cura...
E eu tenho saudades de dar peidos...
Essa é que é essa!

Um abraço a todos!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

The Beginning

Antes de mais, uma boa noite a todos os que possam estar a ler estas palavras.

Este é o primeiro post daquilo que eu espero que venha a ser uma serie de muitos. E como primeiro post, julgo que o mais adequado é fazer uma introdução, uma explicação do que tenciono fazer com este espaço.

Antes de mais, é necessário introduzir a "background story", o enredo até agora, ou o equivalente ao "Batman Begins", se assim preferirem.
Desde cedo que me aparecem pelo corpo umas "borbulhas" que dão pelo nome de quistos sebáceos. Segundo os médicos, é algo genético que não tem tratamento. Apenas se podem ir tirando aqueles que incomodam, se estiverem por exemplo no sitio onde assente um cinto, ou os extremamente inestéticos, como  por exemplo os que surgem na cara, ou aqueles em que pura e simplesmente param a vida.
Como um que me apareceu por volta de Abril (ou Maio? acho que foi Abril, mas confesso que já nao faço ideia) na nádega direita. Este era especialmente terrível pois impedia-me de me sentar correctamente.
Para me sentar, tinha de me inclinar completamente para a esquerda, o que me causava dores terríveis ao fim de um quarto de hora.
Eu sou programador de informática, logo trabalho sentado. Estão a ver o problema, não estão?
Após uma manhã de puro sofrimento, quando estava a tentar almoçar, e simplesmente não conseguia, não aguentei mais. Saí, e fui directo ao centro de saúde para que me tirassem aquela coisa tão incomoda.
Acabaram por não tirar, tive de passar uns dias de (literalmente) rabo para o ar, à espera que o quisto rebentasse para então me dirigir ao hospital para retirarem então toda a porcaria indesejada, mas o importante disto é que nesse dia em que saí do trabalho e fui ao centro de saúde, marcaram-me analises para fazer, e consequente consulta com a médica de família. E eu assim o fiz.

Os resultados dessas análises revelaram uma anemia. O meu organismo estava extremamente carente em ferro. Na realidade eu até me sentia cansado, mas julgava que era do trabalho, pouco descanso, essas coisas. De vez em quando tinha diarreia, e algumas dores, por vezes perda de sangue, mas nada que eu achasse alarmante porque tipicamente essas perdas aconteciam depois de eu abusar ou na comida picante a montes, ou numa noite de bebedeira. Até onde eu consigo ver, julgo que levava uma vida perfeitamente normal, mas a médica mandou-me fazer mais analises.
Seguiu-se a pesquisa de sangue oculto nas fezes. Posso dizer-vos que este é um exame extremamente fácil de fazer do ponto de vista físico, mas um tanto ou quanto chato do ponto de vista psicológico. Durante 3 dias temos de recolher uma pequena amostra das fezes, do tamanho de uma ervilha. Não posso dizer que não tenha sido nojento, mas também não foi das coisas que mais me custaram a fazer na vida.
A pesquisa de sangue oculto nas fezes é isso mesmo, pesquisar nas fezes se existem vestígios de sangue, para se despistar de onde vem o sangue. O sangue pode vir de uma simples hemorróida, ou de um polipo, um tumor que se forma no intestino grosso. Se a pesquisa de sangue nas fezes for negativa, significa que à partida (aproveito para dizer que acho muita piada ao facto de na medicina praticamente nada ser garantido, mas sim tudo "à partida tudo indica que seja esse o caso, mas as coisas podem mudar" ) o sangue não provem de um polipo ou de alguma fase acima do cólon  pois a haver perda de sangue algures nesse trajecto, o sangue seria misturado com as fezes durante a sua formação, e acusaria positivo ao efectuar o exame de pesquisa.

No meu caso deu positivo, ou seja, eu estava a perder sangue algures no traço digestivo. Infelizmente para mim, a única coisa a fazer neste cenário é uma colonoscopia, um agradabilíssimo exame onde vos enfiam uma câmara pelo rabo acima, de maneira a observar, no meu caso, de onde vinha o sangue, se de alguma hemorróida, ou de alguma ferida, ou de algum polipo que eu pudesse ter.

Se eu percebi bem o que me explicaram, um polipo é um tumor que nasce na parede do cólon  e quando surge é sempre benigno. Leva anos a desenvolver-se, sendo que para chegar à fase "adulta" sao necessários em norma cerca de 10 anos. Nascem sempre minúsculos  e com o passar dos anos vão crescendo, sendo parecidos com borbulhas na parede do intestino. Quando chegam à fase adulta, tornam-se malignos, e inicia-se o processo de metástase, desde o centro dessa borbulha, lentamente dirigindo-se para o exterior. Ao atingir o exterior passa para o intestino, e daí espalha-se para os órgãos adjacentes.
A minha colonoscopia revelou mais de 60 polipos espalhados pelo meu intestino grosso, onde alguns se encontravam já em avançado estado de evolução. Devido ao elevado numero de polipos, e ao seu avançado estado de evolução, a médica gastroenterologista que me realizou o exame encaminhou-me para o hospital de Santa Maria, para a sua consulta de gastroenterologia. Desta consulta saiu mais uma colonoscopia, até que decidiram que eu deveria ser operado.
A operação consistiria em retirar todo o intestino grosso, utilizando um pouco do intestino delgado para fazer uma bolsa natural, ligada ao ânus, que iria acomodar as fezes que antes iam para o intestino grosso. Como essa bolsa natural precisaria de tempo para cicatrizar, eu ficaria com uma ileoestomia durante esse tempo. Basicamente um ileoestoma é um procedimento cirúrgico onde o intestino delgado é literalmente ligado a um buraco aberto na barriga, onde é colado um saco que recolhe as fezes. É efectuado em pacientes que, por qualquer motivo, tenham perdido a capacidade natural de defecar. No meu caso, seria apenas enquanto a bolsa natural cicatrizava.
E assim foi. Em Setembro de 2010, numa operação que levou mais de 8 horas, fiquei sem cólon  e com um saco colado à barriga. 
Essa altura foi complicada, lembro-me de dificuldades em colar o saco, pois a pele em volta do estoma já estava tão irritada por colar o saco que este já nao aderia.
Lembro-me de estar a tomar banho, logo estar sem saco, e o meu intestino começar a trabalhar dentro do duche, ou estando já de banhinho tomado e a secar-me com a toalha, mas antes de colar novamente o saco, o maldito estoma cuspir aquela pasta castanha, e eu a voltar para o polib. Houve um dia em que tomei 5 banhos de seguida, pois cada vez que tentava sair do banho, o intestino voltava a por-me la dentro.
Isto acontecia pois eu nao tinha qualquer tipo de controlo sobre o estoma, e ele fazia o seu trabalho quando se lembrava, tipicamente nas piores alturas.
Em Fevereiro de 2011 fui novamente operado, desta vez para encerrar a ileoestomia, e ligar o intestino delgado à tal bolsa que tinha sido feita. 
Segundo os cirurgiões, bastariam uns meses de adaptação após esta operação para voltar a fazer a minha vida praticamente normal como antes.

Pois passaram-se praticamente dois anos, e a minha vida está muito longe daquilo que era. 
Eu pesava cerca de 72kg. Na primeira operação fiquei com 50kg de peso. Peso agora cerca de 62kg, e tenho muitas dificuldades em ganhar peso, pelo simples facto de ter dificuldades em comer.
A minha dieta ficou seriamente restringida. Os médicos dizem que a alimentação varia de pessoa para pessoa, e que sou eu quem tem de descobrir aquilo que o meu organismo processa bem, e aquilo que tem mais dificuldade. Alem disso, passei a ir muitas mais vezes à casa de banho. 
Com a retirada do colon, deixei de ter a capacidade de soltar gases. Então, quando tenho gases no organismo, fico com cólicas e sensação de inchaço. Por vezes a pressão é tanta que o gas sai sozinho só porque eu me levantei da cadeira onde estava sentado. Isto seria óptimo não fosse o facto de que desde a operação as minhas fezes nunca mais foram solidas. Então nunca sei se o que vai sair é só gas, ou se vem "com molho". Estando nesta situação, quando tenho gases não os tento expelir. Vou a casa de banho.
Isto faz com que em dias maus eu vá à casa de banho de meia em meia hora, e não sei o que fiz ou comi que me possa ter provocado isso. 
Como disse, as minhas fezes são liquidas. A médica gastroenterologista explicou-me que no intestino delgado as fezes são acidas, e que perdem essa acidez no intestino grosso. Eu nao tenho intestino grosso, logo as minhas pseudo-fezes são acidas. Cada vez que vou à casa de banho, esse acido entra em contacto com a pele. Como eu vou imensas vezes por dia, estou numa situação em que já não sei que pomada hei-de utilizar para que deixe de me arder o ânus inflamado.
Tenho medicação diária para tomar durante o resto da minha vida, e não é tão barata quanto isso... (também, que medicamentos são baratos nos dias que correm?) Segundo os médicos, tal como a dieta, também a medicação varia de pessoa para pessoa, e sou eu quem tem de afinar a medicação a tomar.
Apesar dessa medicação, por vezes tenho dores fortes que me obrigam a correr para a casa de banho. Deixei de poder sair para socializar um pouco no café, por exemplo. Jantar fora é uma tortura. 
As dores têm impacto directo na minha capacidade de concentração. Se interrompo o que estou a fazer para ir ao WC, depois tenho de recapitular para voltar a achar o fio à meada. Se aguento as dores para terminar o que estou a fazer, tenho muitas dificuldades em concentrar-me, e corro o risco de me borrar todo, no sentido literal da palavra. 
Há coisas que posso comer sem problemas, outras que posso comer moderadamente, e outras que as vezes posso comer e outras vezes nao, por mais estranho que pareça. Diferentes alimentos causam diferentes reacções no organismo, seja a nivel de digestão, seja a nivel de colicas, seja a nivel de gases... Isto dificulta muito o planeamento de refeições, e até da propria vida. Se eu nao sei se vou estar cheio de gases ou de dores, nao me posso comprometer com coisas importantes. E é dificil aprender quando os alimentos podem provocar reacções diferentes, ou quando a medicação que eu estou a tomar pode não estar bem "afinada", visto que sou eu quem a "afina". Isto é tão frustrante que, em desespero, comprei uma agenda onde registo diariamente o que como, a medicação que tomo e as vezes que vou a casa de banho. Espero com isto conseguir identificar padrões e alimentos que eu possa comer e saber o que me vai acontecer.
As minhas opções de trabalho ficaram também seriamente limitadas. Não posso arranjar um trabalho de condutor, por exemplo. Não posso estar responsável atrás de um balcão, se a qualquer momento tenho de correr para a casa de banho porque estou com diarreia ou cheio de cólicas. É frustrante...

E isto leva-nos ao ponto em que estamos. É esta a minha vida actual, o "background story". Vou tentar colocar aqui as diversas situações que me forem acontecendo, e especialmente os resultados daquilo que for experimentando com as comidas e medicação.
Actualmente estou a comer torradas, chás, evitar gorduras e vegetais, basicamente reverti para a dieta pobre em resíduos que me deram aquando da primeira operação, onde vou introduzindo devagarinho um ou outro alimento para ver como corre.
A nivel de medicação tomo uma saqueta de Zir Fos por dia, um comprimido Imodium por dia, dois quando estou com mais diarreia, e pelo menos 4 comprimidos Aero OM 125 para minimizar os gases.
Para ajudar com a inflamação causada pela acidez das fezes, vou alternando as pomadas Mitosyl, Halibut e Cicalfate.
Tomo ainda um comprimido Sedoxil para me deixar mais tranquilo e relaxado, pois aparentemente estou com uma depressão e à beira de um ataque de nervos, coisa que se no passado me dissessem que me ia acontecer eu não iria acreditar.

Tenho procurado bastante pela internet por mais informação acerca desta condição médica, mas ou eu estou a procurar mal, ou somos muito poucos. 
A minha espectacular namorada foi uma querida e conseguiu achar aquilo que parece ser o único link no ciberespaço para um post num forum onde algumas pessoas relatam as suas experiencias. Se quiserem espreitar cliquem aqui.

Eu tenho a certeza que hão-de haver muitas mais pessoas na mesma situação que eu. O problema é que esta doença não é comum em pessoas com a minha idade, mas sim em pessoas de idade mais avançada.
Então julgo ser por isso que não existam muitos testemunhos e informação disponíveis na internet pois a geração acima da minha, e consequentemente na idade para ter esta doença, não é tão dada a computadores como a minha geração, e as seguintes.
No entanto, tal como me aconteceu a mim, pode acontecer com mais algum jovem. Se for o caso, espero que as minhas experiências possam vir a ajudar alguém pelo menos a achar um ponto de orientação por onde se possa guiar.

E pronto, julgo que para primeiro post de uma épica (ou não) aventura, já serve o propósito a que se destina... Introduzir o tema que será apresentado aqui. Há tanta coisa mais por dizer, mas já escrevi que me fartei, e se vocês leram até aqui já merecem clemência...
Durante a escrita deste texto consegui ir só uma vez à casa de banho, mas perdi a conta aos desconfortáveis movimentos intestinais que tive. São duas e meia da manhã, tenho sono, mas nem sequer me consigo sentar na cadeira com dores no meu amado ânus. Vou (mais uma vez) visitar o bidé, meter a pomadinha, vestir a fralda e tentar adormecer à força.

Até amanhã.