sexta-feira, 28 de março de 2014

Uma boa noticia logo pela manhã

Ora então muito bom dia caríssimos amigos e amigas do meu coração!
Espero que se encontrem de boa saúde e bem dispostos.
Eu de minha parte confesso que acordei saturado... ...não que me tivessem posto numa frigideira com oléo, entenda-se!
Saturado no sentido de... ...estou cansado de estar no hospital. Estou cansado de ter dois tubos a sair do peito ligados a duas caixas que estão ligadas ao aspirador, e que cada vez que quero ir a casa-de-banho tenho de andar para aqui a ligar e desligar tubagens feito canalizador. Bem, pelo menos já não sou obrigado a usar a arrastadeira, menos mal, não é verdade? :P
Saturado no sentido de ter tanta coisa que quero resolver na minha vida, e não é preso a uma cama de hospital que o vou fazer... Com tanta mudança que a minha vida está a atravessar, esta foi das piores coisas que me podia acontecer...
Se há coisas boas é o facto de que a MEO me ofereceu 15GB de net quando passei de Moche para Link, e se não fosse esse tráfego acho que já teria dado em doido de certeza absoluta... Assim sendo, obrigado MEO! :D

Mas espera lá aí oh meu, o titulo disto é uma boa noticia, mas até agora só te ouvi dizer que não usas a arrastadeira e que tens 15GB de net para usar. É essa a boa noticia que tens para dar?
Não, claro que não....

Hoje já me informaram que vou ser transferido para Santa Marta no Domingo que vem, para ser submetido a cirurgia ou na segunda ou na terça-feira. E isto é excelente, pois já deixa vislumbrar alguma luz ao fundo do túnel.
Claro que isto significa que vou passar por mais uma recuperação, por mais um período de tempo em que vou ficar incomunicável, mas pelo menos o processo já tem andamento, assim que se inicie depois é uma questão de tempo até poder ser eu outra vez, até poder fazer novamente a minha vidinha da maneira que eu quero e gosto... ...ou quase!

Porque desta vez tem mesmo de ser. Desta vez tenho mesmo de largar o tabaco. Não posso fumar mais, dê lá por onde der.
E claro que enquanto estou aqui deitado isto parece muito simples de dizer, mas ja sei que vou precisar de muita força de vontade para o conseguir. É que o hábito é realmente uma coisa tramada, meus caros... É terrível!
Mas lá está... É lembrar das dores, dos tubos, das caixas, do stress, do inconveniente que tudo isto provoca, e tenho esperança de que sirva para não o fazer. Assim o espero... ;)

Em suma... São boas noticias. Se tudo correr bem, daqui a duas semanas já devo estar em casa.
O que para mim... ...é musica para os meus ouvidos! :D

Obrigado a todos
Um grande abraço
O Gajo sem Colon.

terça-feira, 25 de março de 2014

Novidades com direito a duvida existêncial

Bem... Logo quando acordei já estava com um mau pressentimento. O meu sexto sentido não costuma falhar... Ainda só vamos à hora de almoço, e parece que hoje é o dia de receber más notícias...
Fui à tal consulta em Santa Marta, e confirma-se o que eu já esperava: vou ter de "ir à faca".
O buraco do meu pulmão não fechou só por si, então vou ter de ser submetido a uma cirurgia para o fechar. Mais uma operação de anestesia geral, vai ser a terceira em 4 anos, mas é a única hipótese que tenho de melhorar, então tem de ser, e o que tem de ser tem muita força, já dizia o outro...
A parte boa disto é que se eu tiver sorte será uma cirurgia onde apenas me fazem três  buracos no peito, uma para enfiar uma câmara e os outros dois para a intervenção em si, mas avisaram-me logo que há a possibilidade de ter de recorrer à cirurgia à antiga. O que com a sorte que eu tenho.... Enfim, não vou pensar nisso agora.
E basicamente é isto, são estas as minhas ultimas novidades relativas ao meu estado de saude.
Reconheço que até podia ser um cenário bem pior, mas eu hoje estou com a neura.
Hoje estou com uma neura, um estado de espirito tal que me apetece contar tudo, toda a verdade, preto no branco acerca do fim da minha carreira no meu antigo emprego. O que aconteceu, o que não aconteceu, onde eu falhei e onde me falharam, as mentiras que eu acho que me contaram, a forma como fui ingénuo e me deixei levar, como deixei que me fizessem a cama.
O ódio é muito, a vontade de destilar veneno, de descomprimir, de desabafar e deitar tudo cá para fora ainda é maior.
Só não sei se devo. Primeiro porque não quero mais problemas na minha vida, os que tenho já me sobejam, e por mais que eu possa ter razão, eu serei sempre o pequenino, o mexilhão. E quem se fode sempre é o mexilhão pois os grandes têm a faca e o queijo na mão...
Por outro lado sempre ouvi dizer que quem diz a verdade não merece castigo...
Posto isto... Não sei mesmo que fazer.
Vai de moeda ao ar?

domingo, 23 de março de 2014

Uma actualização de estado que não tem a ver com fezes, mas que não deixa de ser uma grande merda

Muito boa tarde caros amigos e amigas.
Hoje venho escrever um post diferente do conteúdo habitual do meu blog, mas que não deixa de ser interessante. Ou assim o espero...

Como a grande maioria de vocês já deve saber, desde o passado dia 18 que estou internado no Hospital do Barreiro.
Como eu penso que sou o super-homem (e não é só por às vezes vestir as cuecas por cima das calças) e julgo que as coisas só acontecem aos outros, desde os meus 15 ou 16 anos de idade que fumo. Fumo muito. Fumo demasiado. E agora largo a bomba: tenho bronquite asmática desde os 6. Pois, exacto, sou buééééééééé de inteligente, eu sei.
Então, como seria de esperar, eventualmente a coisa tinha de rebentar algum dia. E foi isso mesmo que aconteceu, o meu pulmão rebentou. PUMMM!
Ok, exagero... Não rebentou. Apenas furou.  Furou? Mas que raio de história é essa do furar, pah?
Passo a explicar, mas antes de mais, uma pequena explicação técnica:
Os nossos pulmões estão revestidos por uma espécie de bolsa chamada Pleura, bolsa essa que em situações normais não contém qualquer espaço entre a dita bolsa e os pulmões, apenas algum liquido para lubrificação. Ao inspirarmos o ar para dentro dos pulmões essa bolsa estica permitindo que o pulmão encha e proceda à transferência do oxigénio para a corrente sanguínea, voltando a contrair com a expiração. E isto é o funcionamento normal da coisa.
O nome técnico do que me aconteceu é "pneumotórax espontâneo", e muito resumidamente isto significa que o meu pulmão abriu um buraco e deixou passar o ar para a dita bolsa, ficando ali preso entre esta e o pulmão. Ora acontece que o ar foi acumulando na bolsa, e chegou a uma altura em que já havia mais ar fora do pulmão (mas preso dentro da bolsa) do que propriamente lá dentro. E esse ar preso estava a ocupar o espaço que deveria ser para o pulmão expandir quando eu inspiro.
Ora, tal e qual como num parque de estacionamento, quando não há espaço não entra mais nada... ...e era o que se estava a passar na minha caixa torácica. Mesmo fazendo força para respirar (e bastante força, diga-se de passagem), o pulmão não abria. Ao não abrir, não absorvia ar, e ao não absorver o ar não podia transferir o oxigénio para a corrente sanguínea.
E isto estava a fazer com que eu literalmente sufocasse.
Assim que me foi diagnosticado o que se passava comigo, foi efectuada uma pequena cirurgia (coisa simples) que consistiu em fazer um pequeno furo (pequeno o suficiente para enfiar um dedo segundo o que me pareceu ouvir dizer o senhor doutor) e colocar um dreno, que permitiu que o ar que se encontrava preso pudesse então sair, e o pulmão voltasse a ter espaço para expandir e encher de ar.
E foi exactamente isso que foi feito, um buraquito aqui de lado do meu peito, entre as costelas, e o alívio foi imediato. Mas literalmente. Assim que o cirurgião espetou o furo que me senti logo melhor.
Foi colocado um dreno, que vai servir para ir retirando o ar que lá está metido no sitio errado, bem como algum sangue (que segundo os médicos é normal mas não muito, vá-se lá entender o que quer isto dizer).
E isto só por si parece já uma aventura, mas infelizmente ainda não acabou. Na passada quinta-feira preguei um cagaço desgraçado ao pessoal, se bem que não tenha tido culpa...
Não existe a especialidade cardiotorácica aqui no hospital do Barreiro, então os médicos mandaram-me ao Hospital de São José para ser avaliado por um médico da especialidade, o que faz todo o sentido. Mas acontece que fui para as urgências, não por estar a morrer, mas porque é mesmo assim que funciona nestes casos em que um hospital pede a a outro que avalie um caso (pelo que eu percebi). E eu não sei como a história chegou a este ponto, mas parece que a informação que passou foi a de que eu tinha sido transferido de urgência para o Hospital de São José, que é um dos principais polos de urgência de Lisboa, sitio para onde vai quem está prestes a entregar a alma ao criador. Ora pois se me dissessem que fulano tal estava internado no Barreiro, mas foi de urgência para São José, eu também ia pensar que o fulano tal estava para bater a bota... :P
Mas, felizmente, não foi o caso.
Precisei sim de mais um dreno, este colocado no sitio exacto onde vai drenar todo o ar e porcaria que tenho a mais no peito, visto que o primeiro foi feito mais na onda do S.O.S. para eu não sufocar.
Este segundo dreno foi feito com recurso a um ecógrafo, para que eu fosse espetado no sitio exacto onde devia ser espetado, e correu na maior. O único problema é que esse sitio exacto fica nas costas... E eu tenho de estar deitado... ...de costas. Estão a ver o problema? :P
Logicamente que os médicos me avisaram logo que não ia ser confortável (lol a sério?? Estão a dizer-me que ter um tubo a sair das costas não é confortável, confesso que seria a ultima coisa que eu iria pensar... ) mas que iam tentar fazer com que ficasse o mais confortável possível. E até fizeram. Estou super satisfeito com o trabalho feito, pois apesar de precisar de analgésicos para dormir, durante o dia até me vou aguentando à bomboca. Felizmente eu sempre tive uma boa tolerância à dor, o que acredito piamente que está a ajudar imenso neste caso, mas de facto para dormir... ...só mesmo com recurso às drogas analgésicas.
Fora isso, fiquei extremamente satisfeito. Tanto no Barreiro como em Lisboa explicaram-me exactamente tintin por tintin o que me iam fazer, e porquê, e explicaram-me como tinha corrido, bem como o que podia estar à espera. Sem querer estar a dizer mal de ninguém, isso não aconteceu quando me tiraram o cólon (que é algo que eu ainda vou resolver, a seu tempo...).
E basicamente foi isto. É este o resumo (não muito resumido, reconheço) da minha ultima aventura pelos meandros dos centros hospitalares, dos quais já vou sendo cliente frequente (será que não há para aí uma cena qualquer que dê descontos ao fim de X vezes, tipo como como em alguns restaurantes dos centros comerciais? Era bem...), que embora ainda não tenha acabado espero que já não demore muito mais tempo a terminar.
Porque afinal de contas, ninguém gosta de estar no hospital, não é verdade?  Vá lá, vá lá que tive a sorte de isto acontecer no mês em que a MEO ofereceu 15GB de net à malta, senão já tinha rebentado com o trâfego todo... :P
Fica a reter o mais importante disto tudo: Continua a fumar, seu inteligente da merda!!!!! Da-lhe!!!!! ;)

Ah! E se depois quiserem ver uma foto gira... ...eu hoje pedi à enfermeira para que tirasse uma quando me trocou os pensos, então os interessados é so pedir... :P

Abraços e beijinhos a todos!
O Gajo sem Colon.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Desabafo

Tal como muitas outras pessoas neste Planeta merdoso, em toda a minha vida, nunca tive nada assim de mão beijada. Sempre tive de lutar para ter aquilo que eu queria ter.
Estou rodeado de pessoas por todo o lado em que lhes dão as coisas. Simplesmente lhes dão. Não sei explicar, mas é assim. Desde telemóveis, a carros, a casas, eu sei lá.  Simplesmente lhes dão, os pais, ou amigos, ou familiares, ou whatever!
Mas atenção, que fique bem claro que não tenho nada contra essas pessoas, muito pelo contrário. Espero mesmo que se orientem, e se lhes dão umas borlas... ...foda-se, melhor ainda, aproveitem!!
Não falo assim só porque os meus pais não me deram essas coisas. Népia, nem pensar nisso. Os meus pais só não me deram mais porque não puderam. Tudo aquilo que eles me podiam dar eles deram.
Mas também tenho de dizer que uma das coisas que mais me orgulho nesta puta desta vida é o facto de não ter tido nada oferecido assim à grande. Nope, praticamente tudo o que eu tenho, tudo o aquilo acerca do qual eu digo: "isto é meu", foi conseguido à custa do meu esforço, do meu trabalho, do meu suor. E isto é, na minha humilde opinião pessoal, das coisas mais gratificantes que podem ter neste mundo cão em que vivemos.

A minha primeira consola de jogos (a velhinha,  mui fatela e altamente pirata Family Game) foi-me comprada pelo meu pai depois de uma temporada de bons resultados na escola e "pseudo-lavagens" de louça (pseudo, porque segundo a minha excelentíssima ex-namorada, se nem hoje em dia sei lavar a loiça a 100%, quanto mais naquela altura). Os meus pais compraram o meu primeiro computador quando entrei para o curso de tecnologias de informação e porque precisava mesmo de um para poder estudar em casa.
A unica televisão que tive nova no meu quarto, fui eu que a comprei. Até lá, muita sorte tinha eu quando alguma TV avariava ou alguem comprava uma nova, e eu podia ficar com a velha.
A minha carta de condução foi paga por mim, depois de ter um ordenado meu. O meu carro a mesma coisa.
O meu computador actual foi comprado por mim, num ano em que me deu a travadinha e canalizei todo um subsidio de natal para esta brincadeira.
Enfim, podia continuar por aqui neste queixume, pois é como vos digo, praticamente 100% das coisas que eu tenho, tenho-as devido a mim mesmo. E isto deixa-me cheio de orgulho.
É uma sensação maravilhosa aquela em que pensamos que é devido ao nosso trabalho, à nossa ambição e à nossa perseverança que cheguei onde estou e que alcancei o que alcancei.

Esta pica, esta força de vontade, esta teimosia em querer vencer num mundo em que o cidadão comum como eu está condenado à partida era uma das coisas que me davam força de vontade de me levantar de manhã e ir à luta. De batalhar para por fim obter ou fazer as coisas que me façam sentir bem comigo mesmo, que me façam sentir recompensado pelo meu esforço. De ignorar aqueles que recebem as coisas sem fazer por elas e que depois acabam por não lhes dar o devido valor.

No entanto, eventos aconteceram e eu fiquei sem cólon.
A minha vida, que não vou dizer que era perfeita mas que era MUITO melhor do que esta merda em que estou agora, deu uma cambalhota, uma reviravolta, e eu perdi o rumo. Bem, não perdi o rumo, eu sei bem para onde quero ir, mas o navio perdeu as velas, metade do cordame e todos os remos, sendo então extremamente difícil (para não dizer impossível) navegar sem ser à deriva.

À deriva, esta é uma boa analogia. É assim que eu me sinto: à deriva.

Se antes me enchia de orgulho pensar "não tenho nada de mão beijada, mas tudo o que tenho e terei saiu-me do meu próprio cabedal", agora fico literalmente em pânico quando penso que não posso garantir que consiga fazer a mais simples tarefa como trabalhar para os meus gastos.
Gostaria de ter o meu próprio sitio, a minha casinha, o meu canto, o meu buraco... ...mas é impossível.
Sou inconsciente e irresponsável só por pensar nisso, pois se todos os meses me agarro à calculadora para orçamentar a medicação, comida e vícios, ainda vou juntar uma renda mensal a essa equação? Quando muito honestamente não me estou a ver a conseguir trabalhar e garantir um rendimento fixo?
Eu sou bom no que faço, e era excelente na Mapfre onde me conheciam e conheciam o meu trabalho, mas se até lá aqueles CENSURADO cagaram de alto em mim, me foderam e se viram livres de mim quando eu simplesmente deixei de conseguir responder ao trabalho de escravo que eles precisavam que eu fizesse, porque raio vai outro patrão compreender a minha situação? Nesta economia?
Quando todo e mais algum médico me diz directamente que a melhor coisa que eu tenho a fazer é começar actividade por conta-própria e ser o meu próprio patrão. E eu pergunto novamente: nesta economia?

Nunca tive medo de trabalhar para ter as minha coisinhas.
Simplesmente não tenho capacidade. Por mais vontade que tenha. E isso é triste.
Quando temos vontade mas não conseguimos ter capacidade... ...é triste.

É triste ao ponto de me indagar: mas o que é que eu cá ando a fazer, se é para ser assim?