domingo, 23 de março de 2014

Uma actualização de estado que não tem a ver com fezes, mas que não deixa de ser uma grande merda

Muito boa tarde caros amigos e amigas.
Hoje venho escrever um post diferente do conteúdo habitual do meu blog, mas que não deixa de ser interessante. Ou assim o espero...

Como a grande maioria de vocês já deve saber, desde o passado dia 18 que estou internado no Hospital do Barreiro.
Como eu penso que sou o super-homem (e não é só por às vezes vestir as cuecas por cima das calças) e julgo que as coisas só acontecem aos outros, desde os meus 15 ou 16 anos de idade que fumo. Fumo muito. Fumo demasiado. E agora largo a bomba: tenho bronquite asmática desde os 6. Pois, exacto, sou buééééééééé de inteligente, eu sei.
Então, como seria de esperar, eventualmente a coisa tinha de rebentar algum dia. E foi isso mesmo que aconteceu, o meu pulmão rebentou. PUMMM!
Ok, exagero... Não rebentou. Apenas furou.  Furou? Mas que raio de história é essa do furar, pah?
Passo a explicar, mas antes de mais, uma pequena explicação técnica:
Os nossos pulmões estão revestidos por uma espécie de bolsa chamada Pleura, bolsa essa que em situações normais não contém qualquer espaço entre a dita bolsa e os pulmões, apenas algum liquido para lubrificação. Ao inspirarmos o ar para dentro dos pulmões essa bolsa estica permitindo que o pulmão encha e proceda à transferência do oxigénio para a corrente sanguínea, voltando a contrair com a expiração. E isto é o funcionamento normal da coisa.
O nome técnico do que me aconteceu é "pneumotórax espontâneo", e muito resumidamente isto significa que o meu pulmão abriu um buraco e deixou passar o ar para a dita bolsa, ficando ali preso entre esta e o pulmão. Ora acontece que o ar foi acumulando na bolsa, e chegou a uma altura em que já havia mais ar fora do pulmão (mas preso dentro da bolsa) do que propriamente lá dentro. E esse ar preso estava a ocupar o espaço que deveria ser para o pulmão expandir quando eu inspiro.
Ora, tal e qual como num parque de estacionamento, quando não há espaço não entra mais nada... ...e era o que se estava a passar na minha caixa torácica. Mesmo fazendo força para respirar (e bastante força, diga-se de passagem), o pulmão não abria. Ao não abrir, não absorvia ar, e ao não absorver o ar não podia transferir o oxigénio para a corrente sanguínea.
E isto estava a fazer com que eu literalmente sufocasse.
Assim que me foi diagnosticado o que se passava comigo, foi efectuada uma pequena cirurgia (coisa simples) que consistiu em fazer um pequeno furo (pequeno o suficiente para enfiar um dedo segundo o que me pareceu ouvir dizer o senhor doutor) e colocar um dreno, que permitiu que o ar que se encontrava preso pudesse então sair, e o pulmão voltasse a ter espaço para expandir e encher de ar.
E foi exactamente isso que foi feito, um buraquito aqui de lado do meu peito, entre as costelas, e o alívio foi imediato. Mas literalmente. Assim que o cirurgião espetou o furo que me senti logo melhor.
Foi colocado um dreno, que vai servir para ir retirando o ar que lá está metido no sitio errado, bem como algum sangue (que segundo os médicos é normal mas não muito, vá-se lá entender o que quer isto dizer).
E isto só por si parece já uma aventura, mas infelizmente ainda não acabou. Na passada quinta-feira preguei um cagaço desgraçado ao pessoal, se bem que não tenha tido culpa...
Não existe a especialidade cardiotorácica aqui no hospital do Barreiro, então os médicos mandaram-me ao Hospital de São José para ser avaliado por um médico da especialidade, o que faz todo o sentido. Mas acontece que fui para as urgências, não por estar a morrer, mas porque é mesmo assim que funciona nestes casos em que um hospital pede a a outro que avalie um caso (pelo que eu percebi). E eu não sei como a história chegou a este ponto, mas parece que a informação que passou foi a de que eu tinha sido transferido de urgência para o Hospital de São José, que é um dos principais polos de urgência de Lisboa, sitio para onde vai quem está prestes a entregar a alma ao criador. Ora pois se me dissessem que fulano tal estava internado no Barreiro, mas foi de urgência para São José, eu também ia pensar que o fulano tal estava para bater a bota... :P
Mas, felizmente, não foi o caso.
Precisei sim de mais um dreno, este colocado no sitio exacto onde vai drenar todo o ar e porcaria que tenho a mais no peito, visto que o primeiro foi feito mais na onda do S.O.S. para eu não sufocar.
Este segundo dreno foi feito com recurso a um ecógrafo, para que eu fosse espetado no sitio exacto onde devia ser espetado, e correu na maior. O único problema é que esse sitio exacto fica nas costas... E eu tenho de estar deitado... ...de costas. Estão a ver o problema? :P
Logicamente que os médicos me avisaram logo que não ia ser confortável (lol a sério?? Estão a dizer-me que ter um tubo a sair das costas não é confortável, confesso que seria a ultima coisa que eu iria pensar... ) mas que iam tentar fazer com que ficasse o mais confortável possível. E até fizeram. Estou super satisfeito com o trabalho feito, pois apesar de precisar de analgésicos para dormir, durante o dia até me vou aguentando à bomboca. Felizmente eu sempre tive uma boa tolerância à dor, o que acredito piamente que está a ajudar imenso neste caso, mas de facto para dormir... ...só mesmo com recurso às drogas analgésicas.
Fora isso, fiquei extremamente satisfeito. Tanto no Barreiro como em Lisboa explicaram-me exactamente tintin por tintin o que me iam fazer, e porquê, e explicaram-me como tinha corrido, bem como o que podia estar à espera. Sem querer estar a dizer mal de ninguém, isso não aconteceu quando me tiraram o cólon (que é algo que eu ainda vou resolver, a seu tempo...).
E basicamente foi isto. É este o resumo (não muito resumido, reconheço) da minha ultima aventura pelos meandros dos centros hospitalares, dos quais já vou sendo cliente frequente (será que não há para aí uma cena qualquer que dê descontos ao fim de X vezes, tipo como como em alguns restaurantes dos centros comerciais? Era bem...), que embora ainda não tenha acabado espero que já não demore muito mais tempo a terminar.
Porque afinal de contas, ninguém gosta de estar no hospital, não é verdade?  Vá lá, vá lá que tive a sorte de isto acontecer no mês em que a MEO ofereceu 15GB de net à malta, senão já tinha rebentado com o trâfego todo... :P
Fica a reter o mais importante disto tudo: Continua a fumar, seu inteligente da merda!!!!! Da-lhe!!!!! ;)

Ah! E se depois quiserem ver uma foto gira... ...eu hoje pedi à enfermeira para que tirasse uma quando me trocou os pensos, então os interessados é so pedir... :P

Abraços e beijinhos a todos!
O Gajo sem Colon.

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