Bom dia caros amigos e amigas.
Este post, que juro que vou tentar manter curto, é composto por, como o titulo indica, novidades e uma pequena mensagem especialmente dirigida para todos aqueles que me conhecem pessoalmente, mas que pode ser lida por toda a gente, conhecidos e desconhecidos, e espero que todos fiquem a pensar no assunto.
Para já, novidades. Já saí da aplasia! :D O que significa que o meu organismo já tem defesas próprias, e que as defesas já não provêm das transfusões de plasma, sangue e plaquetas que recebia. Até porque não as recebo há algum tempo.
As manchas do meu corpo já estão praticamente invisíveis, o que significa que o que quer que fosse que as causou também já passou. Os meus pés já não parecem um par de batatas, aliás, acho que já não estão mesmo nada inchados.
Continuo cheio de sono, mesmo depois dos senhores doutores me terem ajustado os calmantes.
E creio que isto conclui as novidades boas. E como não podem haver novidades boas sem haverem outras menos boas... ...claro, adivinharam, há novidades menos boas.
A minha barriga tem dado voltas e voltas. Tem dado mais voltas que o tambor de uma máquina de lavar roupa na centrifugação.
Não sei se é da medicação, não sei se é dos medicamentos que estou a tomar, não sei se é algum efeito remanescente da quimioterapia, ou se é tudo junto... O que sei é que isto tem andado agreste.
E já chegaram também os resultados das análises à compatibilidade da medula da minha irmã para comigo, e infelizmente não é compatível.
Ou seja, não se pode fazer o transplante com células da minha irmã. E isso significa que vou precisar de um dador.
Como a minha irmã partilhou no Facebook, toda a informação sobre como ser dador pode ser encontrada aqui:
http://www.apcl.pt/dadores/onde-pode-tornar-se-dador
E isto leva-nos à anteriormente referida mensagem especial.
Tal como foi dito por uma das médicas, as pessoas em Portugal estão muito mal-informadas. E olhando ao que vou falando com vários de vocês, tenho de lhe dar razão.
Ela disse que sim, que devia fazer apelos para procurar um dador, mas especificar muito bem que não se pode ser dador para um individuo em específico.
Quando alguém se inscreve como dador, tendo em conta que reúne todas as condições para isso, é inserido numa base de dados (segundo o que creio europeia, não tenho a certeza) e lá fica até ser encontrado para alguém que precise da sua medula.
Imaginemos que o Agostinho Henriques chega lá ao sitio e diz: "Eu quero ser dador para o Carlos Dias", não vai passar dali, pois o que tipicamente acaba por acontecer é que o Carlos Dias eventualmente encontra um dador, é transplantado, e o Agostinho Henriques continua na base de dados. Eventualmente o Agostinho Henriques é compatível com alguém que precisa de medula. Como Agostinho Henriques sabe que o Carlos Dias já foi transplantado, não quer saber do caso e recusa a doação. E com isso pode estar a atrasar durante meses uma cura, ou mesmo a negar a vida a alguém.
Assim, como disse a médica, se a ideia é serem dadores apenas para mim, é preferível que não sejam dadores de todo. Até porque isso, como disse, é impossível de se fazer.
E para terminar, deixo-vos com esta hipótese teórica:
Imaginem que existe um outro grupo de amigos, onde existe também um outro Agostinho Henriques que não quer ser dador de medula a não ser para o seu amigo Carlos Dias (outro Carlos Dias que não eu). Mas no entanto, se calhar esse Agostinho Henriques poderia ser compatível comigo, e se ele quisesse ser dador não só para o seu amigo, poderia acelerar imenso o meu tratamento. Ou salvar-me a vida. Ou se o Agostinho Henriques (o meu amigo) também aceitasse ser dador não só para mim, poderia salvar o outro Carlos Dias. Ou outra pessoa qualquer. Ou uma criança...
Já pensaram nisso?
Um grande abraço
O Gajo Sem Colon
O Gajo Sem Colon
AVISO: Este blog não é aconselhável a pessoas sensíveis
ou facilmente impressionáveis.
Serão aqui relatados episódios e "aventuras" da vida de uma pessoa após uma proctocolectomia total.
Se se incomoda com ideias e pensamentos fortes e desagradáveis, por favor queira fechar esta pagina.
P.S: Nao aconselho a leitura deste blog durante a refeição.
Considerem-se avisados... :P
P.P.S.: Por vezes eu digo asneiras. Muitas...
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
Uma (muito) breve actualização de estado
Boa tarde caros amigos e amigas!
Hoje não me vou alongar muito, até porque estou basicamente na mesma.
Os valores do meu sangue continuam a subir muito muito muito muito muito muito (e podia escrever muito mais umas dez vezes que não seria exagero) devagar, continuo em aplasia total, ou seja, sem quaisquer defesas, o que significa que neste momento estou totalmente vulnerável a infecções e vírus e etc. Parte boa, o valor da PCR (explicaram-me que é uma percentagem que indica a possibilidade de apanhar infecções) está a descer, o que é bom.
Entretanto, fizeram-me mais um mielograma, e segundo os médicos os valores da medula óssea estão um nadinha melhores em relação ao ultimo mielograma feito. Isto significa que a quimioterapia funcionou, pelo menos para já, e que é para continuar.
Mas como não existe Yin sem Yang, fiz uma alergia ou reacção a qualquer medicamento ou antibiótico que estou a fazer (pelo menos foi a justificação que os médicos me deram) que me espalhou manchas vermelhas pelo corpo todo. Se eu fosse amarelo, e as manchas castanhas, eu estava pior que que o marsupilami.
De resto... Está tudo na mesma, sem novidade nenhuma, cá continuo na minha nova rotina.
Para quem não conhece, ou não se lembra do Marsupilami:
Muito obrigado a todos.
Um grande abraço!
O Gajo sem Colon
Hoje não me vou alongar muito, até porque estou basicamente na mesma.
Os valores do meu sangue continuam a subir muito muito muito muito muito muito (e podia escrever muito mais umas dez vezes que não seria exagero) devagar, continuo em aplasia total, ou seja, sem quaisquer defesas, o que significa que neste momento estou totalmente vulnerável a infecções e vírus e etc. Parte boa, o valor da PCR (explicaram-me que é uma percentagem que indica a possibilidade de apanhar infecções) está a descer, o que é bom.
Entretanto, fizeram-me mais um mielograma, e segundo os médicos os valores da medula óssea estão um nadinha melhores em relação ao ultimo mielograma feito. Isto significa que a quimioterapia funcionou, pelo menos para já, e que é para continuar.
Mas como não existe Yin sem Yang, fiz uma alergia ou reacção a qualquer medicamento ou antibiótico que estou a fazer (pelo menos foi a justificação que os médicos me deram) que me espalhou manchas vermelhas pelo corpo todo. Se eu fosse amarelo, e as manchas castanhas, eu estava pior que que o marsupilami.
De resto... Está tudo na mesma, sem novidade nenhuma, cá continuo na minha nova rotina.
Para quem não conhece, ou não se lembra do Marsupilami:
Muito obrigado a todos.
Um grande abraço!
O Gajo sem Colon
sábado, 17 de janeiro de 2015
Uma actualização de estado, vulgo resposta a "Como estás?"
Muito boa tarde meus amigos e minhas amigas.
Sim, eu sei, faz quase um mês que não digo nada, mas para minha defesa não tenho tido a mínima vontade de escrever, muito honestamente. No entanto acho que já é altura de fazer um esforço e deixar aqui nem que seja uma pequena actualização do que se tem passado neste ultimo mês da minha vida, nesta nova aventura.
Mas antes disso... Gostava de fazer um aparte.
Aparentemente, e a avaliar pelas perguntas que me têm feito como: "então, já tás em casa?", ou "Então quando é que sais daí?", eu chego a conclusão de que a maioria das pessoas não tem a noção do que é a doença que tenho, vulgo Leucemia. Eu vou tentar resumir, quem já sabe pode muito bem saltar esta parte até ao próximo paragrafo.
A Leucemia (existem vários tipos) é uma doença degenerativa, um cancro onde a nossa medula óssea, medula essa que é responsável por fabricar o sangue que corre nas nossas veias, começa a fabricar células de sangue defeituoso. E o tratamento para essa doença passa por injectar um cocktail de drogas agressivas no nosso corpo, a chamada quimioterapia, que vai literalmente destruir todas as células do sangue, as defeituosas e as bem formadas. Destrói tudo indiscriminadamente para que a medula volte a fabricar novas células, que são depois analisadas para ver se vieram bem ou mal formadas. E este processo, tendo resultados diferentes de organismo para organismo, tem tendência a durar em média 3 a 4 semanas. E é um processo que tanto pode ser aplicado duas ou três vezes, ou quase uma dezena delas. Novamente, depende do organismo de cada um. Se estes tratamentos de quimioterapia não funcionarem, ou seja, se não fizerem a medula criar células não-defeituosas, aí sim, recorre-se ao transplante de medula óssea.
Portanto... Não, não vai ser uma coisa rápida. Não, não vou sair daqui tão depressa, e sou capaz de levar uns bons meses até sair.
Enfim, espero ter ajudado. Se quiserem saber informação mais pormenorizada, tenham em conta que eu tenho Leucemia Miéloide Aguda (LMA), e leiam o que existe aqui:
http://www.apcl.pt/leucemia/o-que-e-a-leucemia/tipos-de-leucemia
E agora adiante.
Digo-vos já que não tem sido fácil. Eu, que sempre fui uma pessoa nervosa e ansiosa, agora parece que estou ainda pior, o que não ajuda em nada... Mas também estou melhor em muitas coisas, o que é sempre positivo.
Durante este mês, iniciei e terminei o primeiro ciclo de quimioterapia, e caríssimos... Destruiu-me completamente. Estive quase três semanas sem comer, primeiro porque não conseguia mesmo, só o cheiro do comer da outra malta do quarto me dava náuseas, depois porque o meu intestino (o que sobra dele, anyway...) decidiu obstipar (creio que foi isso) e ficou com quase o dobro do tamanho. Assim, meteram-me a dieta zero: não come nem bebe nada.
Felizmente, acho que essa fase já passou, ontem já me trouxeram jantar, hoje já bebi um cházinho com pão com doce ao pequeno-almoço, e já almocei. Ou seja, acho que a questão da comida está resolvida, e vocês nem imaginam o que me custou. Especialmente estar sem beber.
Nos entretantos mudei de serviço, para o serviço onde deveria realmente estar desde o inicio, mas que não tinha vagas, e aqui as coisas são muito mais rigorosas. Curiosamente, eu conseguia dormir melhor no outro serviço onde estava... Aqui tenho-me visto à rasca, mas infelizmente é uma questão psicológica... Há-de ser resolvida. Tenho de admitir que é mais fácil desde que me desligaram o oxigénio, então não ouço o borbulhar da agua da garrafa, o que ajuda imenso.
Como passei duas semanas sem me levantar, fiquei totalmente sem músculo. Quando finalmente me levantaram, no passado dia 10 deste mês, mal me aguentava de pé.
No primeiro dia, tive de tomar banho sentado numa cadeira, e com a ajuda do enfermeiro, situação que foi gradualmente melhorando a cada dia, até que hoje finalmente tomei banho sozinho, sem cadeira, e sem qualquer problema. Claro que continuo a ter de ter muito cuidado. Eu ainda estou fraco, ainda me desequilibro, e ainda fico à rasca da respiração se me mexer muito. Não consigo ficar muito tempo em pé sem ter de me sentar, mas acho que tomar o banho todo sozinho, em pé, sem ajuda é uma vitória. E isso deixa-me contente.
Como disse, continuo a sentir-me extremamente cansado, com dificuldades respiratórias, mas devagar a coisa tem de ir ao sitio.
A equipa médica diz-me que os meus valores (entenda-se os componentes dos sangue como leucócitos, glóbulos brancos, plaquetas, etc etc etc) continuam a subir, mas a subir muito devagar.
Que começam a entrar na fase de eles acharem que se calhar estão a subir demasiado devagar, e que a continuar assim que provavelmente me mandam fazer o próximo mielograma mais cedo para entenderem o que se passa, mas que seja como for o valor do componente que representa o nível de defesas do meu organismo está a zero, ou seja, não tenho defesas. Nesta altura estou vulnerável a todo e qualquer bichinho que consiga achar o seu caminho para dentro do meu organismo e causar um estrago tremendo.
Como por exemplo a minha boca. Como efeito do tratamento, os meus lábios rebentaram. A minha língua está ferida, e custa-me a comer.
Já estou a fazer antibióticos para isso, e a bochechar com umas bisnagas que os enfermeiros me trazem, e ajuda um pouco, mas estou mesmo a ver que vou estar bem lixado para passar esta parte... É que é terrível, um gajo a querer comer e ter dores...
Enfim... Assim de uma maneira geral... Acho que basicamente é isto. Entre dores de cabeça, febres espontâneas (cheguei a fazer febre 3 vezes por dia durante uns dois ou três dias) atacadas a paracetamol, dores de boca e língua, dores de cateteres, e especialmente enquanto estava deitado dores de costas, cá vou passando os meus dias conforme se pode... Uns melhores, outros piores, mas, e segundo aquilo que toda a gente me diz, o importante é ir um dia de cada vez, um passo de cada vez, um objectivo de cada vez.
Pelo menos agora já como... E isso, para mim é como se fosse Natal. Com ou sem dores na boca... :D
Um grande abraço a todos
Carlos Dias
Sim, eu sei, faz quase um mês que não digo nada, mas para minha defesa não tenho tido a mínima vontade de escrever, muito honestamente. No entanto acho que já é altura de fazer um esforço e deixar aqui nem que seja uma pequena actualização do que se tem passado neste ultimo mês da minha vida, nesta nova aventura.
Mas antes disso... Gostava de fazer um aparte.
Aparentemente, e a avaliar pelas perguntas que me têm feito como: "então, já tás em casa?", ou "Então quando é que sais daí?", eu chego a conclusão de que a maioria das pessoas não tem a noção do que é a doença que tenho, vulgo Leucemia. Eu vou tentar resumir, quem já sabe pode muito bem saltar esta parte até ao próximo paragrafo.
A Leucemia (existem vários tipos) é uma doença degenerativa, um cancro onde a nossa medula óssea, medula essa que é responsável por fabricar o sangue que corre nas nossas veias, começa a fabricar células de sangue defeituoso. E o tratamento para essa doença passa por injectar um cocktail de drogas agressivas no nosso corpo, a chamada quimioterapia, que vai literalmente destruir todas as células do sangue, as defeituosas e as bem formadas. Destrói tudo indiscriminadamente para que a medula volte a fabricar novas células, que são depois analisadas para ver se vieram bem ou mal formadas. E este processo, tendo resultados diferentes de organismo para organismo, tem tendência a durar em média 3 a 4 semanas. E é um processo que tanto pode ser aplicado duas ou três vezes, ou quase uma dezena delas. Novamente, depende do organismo de cada um. Se estes tratamentos de quimioterapia não funcionarem, ou seja, se não fizerem a medula criar células não-defeituosas, aí sim, recorre-se ao transplante de medula óssea.
Portanto... Não, não vai ser uma coisa rápida. Não, não vou sair daqui tão depressa, e sou capaz de levar uns bons meses até sair.
Enfim, espero ter ajudado. Se quiserem saber informação mais pormenorizada, tenham em conta que eu tenho Leucemia Miéloide Aguda (LMA), e leiam o que existe aqui:
http://www.apcl.pt/leucemia/o-que-e-a-leucemia/tipos-de-leucemia
E agora adiante.
Digo-vos já que não tem sido fácil. Eu, que sempre fui uma pessoa nervosa e ansiosa, agora parece que estou ainda pior, o que não ajuda em nada... Mas também estou melhor em muitas coisas, o que é sempre positivo.
Durante este mês, iniciei e terminei o primeiro ciclo de quimioterapia, e caríssimos... Destruiu-me completamente. Estive quase três semanas sem comer, primeiro porque não conseguia mesmo, só o cheiro do comer da outra malta do quarto me dava náuseas, depois porque o meu intestino (o que sobra dele, anyway...) decidiu obstipar (creio que foi isso) e ficou com quase o dobro do tamanho. Assim, meteram-me a dieta zero: não come nem bebe nada.
Felizmente, acho que essa fase já passou, ontem já me trouxeram jantar, hoje já bebi um cházinho com pão com doce ao pequeno-almoço, e já almocei. Ou seja, acho que a questão da comida está resolvida, e vocês nem imaginam o que me custou. Especialmente estar sem beber.
Nos entretantos mudei de serviço, para o serviço onde deveria realmente estar desde o inicio, mas que não tinha vagas, e aqui as coisas são muito mais rigorosas. Curiosamente, eu conseguia dormir melhor no outro serviço onde estava... Aqui tenho-me visto à rasca, mas infelizmente é uma questão psicológica... Há-de ser resolvida. Tenho de admitir que é mais fácil desde que me desligaram o oxigénio, então não ouço o borbulhar da agua da garrafa, o que ajuda imenso.
Como passei duas semanas sem me levantar, fiquei totalmente sem músculo. Quando finalmente me levantaram, no passado dia 10 deste mês, mal me aguentava de pé.
No primeiro dia, tive de tomar banho sentado numa cadeira, e com a ajuda do enfermeiro, situação que foi gradualmente melhorando a cada dia, até que hoje finalmente tomei banho sozinho, sem cadeira, e sem qualquer problema. Claro que continuo a ter de ter muito cuidado. Eu ainda estou fraco, ainda me desequilibro, e ainda fico à rasca da respiração se me mexer muito. Não consigo ficar muito tempo em pé sem ter de me sentar, mas acho que tomar o banho todo sozinho, em pé, sem ajuda é uma vitória. E isso deixa-me contente.
Como disse, continuo a sentir-me extremamente cansado, com dificuldades respiratórias, mas devagar a coisa tem de ir ao sitio.
A equipa médica diz-me que os meus valores (entenda-se os componentes dos sangue como leucócitos, glóbulos brancos, plaquetas, etc etc etc) continuam a subir, mas a subir muito devagar.
Que começam a entrar na fase de eles acharem que se calhar estão a subir demasiado devagar, e que a continuar assim que provavelmente me mandam fazer o próximo mielograma mais cedo para entenderem o que se passa, mas que seja como for o valor do componente que representa o nível de defesas do meu organismo está a zero, ou seja, não tenho defesas. Nesta altura estou vulnerável a todo e qualquer bichinho que consiga achar o seu caminho para dentro do meu organismo e causar um estrago tremendo.
Como por exemplo a minha boca. Como efeito do tratamento, os meus lábios rebentaram. A minha língua está ferida, e custa-me a comer.
Já estou a fazer antibióticos para isso, e a bochechar com umas bisnagas que os enfermeiros me trazem, e ajuda um pouco, mas estou mesmo a ver que vou estar bem lixado para passar esta parte... É que é terrível, um gajo a querer comer e ter dores...
Enfim... Assim de uma maneira geral... Acho que basicamente é isto. Entre dores de cabeça, febres espontâneas (cheguei a fazer febre 3 vezes por dia durante uns dois ou três dias) atacadas a paracetamol, dores de boca e língua, dores de cateteres, e especialmente enquanto estava deitado dores de costas, cá vou passando os meus dias conforme se pode... Uns melhores, outros piores, mas, e segundo aquilo que toda a gente me diz, o importante é ir um dia de cada vez, um passo de cada vez, um objectivo de cada vez.
Pelo menos agora já como... E isso, para mim é como se fosse Natal. Com ou sem dores na boca... :D
Um grande abraço a todos
Carlos Dias
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
Pela boca morre o peixe
Muito boa tarde excelentíssimos amigos e amigas.
Para vos situar neste post, tenho de confessar que nos últimos meses tenho andado desanimado.
Deprimido, mesmo.
A minha barriga tem andado um bocado desregulada, tenho tido umas decepções com algumas pessoas, e a procura de emprego não tem dado grandes frutos se bem que esta ultima arrelia não me será, de maneira alguma, exclusiva.
A situação de emprego em Portugal está terrível até para quem não tem qualquer limitação, então para quem, como eu, de repente se "desfaz" em merda a coisa está ainda mais complicada.
Para piorar, o meu ultimo emprego foi numa seguradora, e pelo que me explicaram a área de banca e seguros, por motivos de segurança, utilizam tecnologias um pouco mais obsoletas que o ultimo grito o que faz com que eu esteja um pouco (muito) desactualizado em relação à programação, não sendo por isso um recurso apetecível pelas diversas entidades patronais. Além disso, as coisas não correram muito bem com o meu ultimo patrão, sinto que eles me deram um chuto no cú quando eu precisava que me dessem a mão, e isso faz-me ficar assim um pouco raivoso pois sempre dei ao litro por aqueles gajos e quando eu precisei basicamente disseram-me: "Vai-te foder, oh meu!!". Tudo isto fez com que eu tenha desistido de programar e tenha ido para o IEFP para procurar uma carreira alternativa.
Mas estou a divagar. Não é disso que eu venho aqui falar hoje, e muito honestamente nesta altura do campeonato essa é a ultima coisa com que me devo e me vou preocupar.
Como disse, pela boca morre o peixe. E é mesmo verdade. Eu, neste momento sou a prova viva disso.
E porquê?
Bem... Como disse, tenho andado deprimido, então andava a dizer a quem quisesse ouvir que já tive a minha dose de hospitais, internamentos, cirurgias e etc's, e que visto que a minha vida está uma confusão completa que preferia bater a bota a voltar a passar por estar preso num hospital. Que preferia esticar o pernil do que voltar a submeter-me a cirurgias e afins.
Pois é... Nesta altura de certeza que vocês já adivinharam o que vos vou dizer...
Acertaram.
Desde dia 15 à noite que estou internado em Santa Maria.
Então, o que se passa comigo? Lá chegarei. Deixem-me primeiro contar-vos como aqui cheguei.
Há umas semanas que me tenho andado a sentir cansado. A minha casa fica num terceiro andar de um prédio sem elevador, e cada vez que eu subia aquelas desgraçadas escadas eu chegava lá a cima num caco. Literalmente de rastos, com dores horríveis nas pernas e bastante dificuldade em respirar.
A coisa estava tão má, que eu na próxima consulta com a médica de família lhe ia pedir análises ao sangue pois andava desconfiado que estava novamente com uma anemia.
Mas andava tranquilo, pensei que a anemia se devia novamente a alimentação abaixo de óptima, sedentarismo e falta de cólon para absorção de nutrientes.
Preciso de vitaminas, ou algo assim do género, pensava eu. Pelo menos um reforço de ferro, como da ultima vez que estive anémico.
Acontece que, por acaso ou ironia do destino, tive uma consulta de rotina com a minha gastroenterologista no dia 15. E no decorrer dessa consulta ela olhou para mim e disse-me: "Há muito que não fazemos análises, não é? Eu já vou conhecendo qual é a sua cor, e você não está com muito bom aspecto, está assim um bocado para o branco. Vou fazer aqui o pedido, e você vai já recolher sangue para vermos como isso está."
Dito e feito, fui fazer as análises, e vim-me embora descansadinho da minha vida.
No caminho para casa fiquei sem bateria no telemóvel. Esta é uma situação normal no meu aparelho, que já é velhinho e já precisava da reforma. Então, deixei-o em casa a carregar, e fui para o café.
Quando finalmente fui para casa, o telefone já estava carregado, então liguei-o. E imediatamente recebi uma chamada de um número que não conhecia.
Era da central de colheitas de sangue do Hospital de Santa Maria. A senhora disse-me que tinha estado a tentar falar comigo a tarde toda (confirma-se, pois após desligar a chamada recebi a típica SMS que recebemos quando temos o tlm desligado, a dizer que o tal número que não conhecia me tinha tentado contactar 12 vezes) pois a Dra. que estava responsável pelo serviço de colheitas de sangue achou uns valores estranhos nas minhas analises, e queria que eu lá fosse para repetir as ditas. Por acaso estranhei o tom de voz da senhora, estava assim um bocado preocupada, mas como eu tinha coisas a tratar nesse dia disse que lá passaria no dia seguinte. E assim ficou, até que cerca de 10 minutos depois voltei a ser contactado pela mesma senhora que me dizia que a Dra. insistia muito que eu lá fosse ainda no próprio dia.
Fiquei alarmado, e lá anuí. E eu não sei porquê, mas algo me dizia que me queriam internar. Não tinha motivos para pensar nisso, além claro da insistência e do tom de voz da senhora ao telefone, então falei com o meu pai, e ele deu-me uma boleia até ao hospital. Não sei porque não levei o meu carro e pedi boleia, acho que o meu subconsciente já sabia que algo se passava, ou então o meu apuradíssimo sexto sentido já sabia que vinha lá qualquer coisa. Pelo caminho fui sempre dizendo ao meu pai: "Meu, prepara-te que se eles me quiserem lá 'agrafar' eu vou fugir.", "Pai, eu não fico lá, nem que tenha de assinar o termo de responsabilidade para me vir embora", e cenas do género.
Chegado ao hospital explicaram-me que o nível de hemoglobina no meu sangue estava muito baixo, e que a confirmarem-se aqueles valores eles não sabiam explicar como é que eu ainda estava de pé e não tinha ainda caído para o lado. Isto porque a hemoglobina é o componente do sangue responsável por fazer chegar o oxigénio aos vários orgãos e membros do corpo. Desde segunda-feira que tenho ouvido isso várias vezes, seja de médicos ou enfermeiros, bastante gente me perguntou como é que com aqueles valores de hemoglobina eu ainda estava a respirar e não estava caído, morto, no chão.
Repetidas as análises, confirmou-se que as primeiras estavam correctas. Explicaram-me que uma pessoa em estado normal tem 14 gramas de hemoglobina no sangue, e eu apresentava 4. Isto faz com que o meu coração tem estado a trabalhar o dobro ou o triplo do normal, esforçando-se para oxigenar o meu corpo, e o risco imediato que eu corria era o de sofrer um enfarte.
Logicamente que não me deixaram sair de lá, e me internaram de imediato. E eu, que tanto falei, que tanto cantei de galo que não fico e não fico e não fico, assim que me disseram: "O mais provável é você ter leucemia" que o que senti foi como se alguém me tivesse dado com uma marreta na cabeça. Fiquei de todas as cores e mais alguma, pois só a palavra leucemia assusta.
E pronto, tive de engolir tudo o que disse, e deixar que me internassem.
No dia seguinte fiz um exame chamado Mielograma, que é tirar um pouco de medula óssea do esterno (o osso que temos no peito onde ligam as costelas) para que se analise a dita medula, e com isso se diagnostique a doença.
E confirma-se. Eu tenho o que se chama Leucemia Mieloide Aguda.
Vou ter de ser submetido a tratamento, a iniciar o quanto antes, tratamento esse que passa por transfusões de sangue (vá lá que não sou jeová, senão esticava o pernil em dois ou três meses), e por quimioterapia, que neste momento é o que me está a assustar que se farta.
Desde que fui internado que já levei com quatro transfusões, estou neste preciso momento a levar a quinta transfusão, e pelo que entendi devo começar com a quimioterapia o mais rápido possível.
No entanto, nem tudo é mau. A minha doença foi diagnosticada mesmo no inicio, e é no inicio que se deve atacar o problema aumentando assim as hipóteses de cura.
O que me explicou a médica foi que se diagnostica leucemia a partir de 20% de células malignas na medula. Os meus exames acusaram 21.5%, ou seja, está mesmo mesmo mesmo no inicio.
Outra coisa boa disto tudo é que eu andava aqui cheio de dilemas acerca do que iria fazer na passagem de ano, para onde iria, e assim olha... ...já está resolvido. Já sei perfeitamente onde vou celebrar a minha passagem de ano... Provavelmente a dormir, ou cheio de náuseas e vómitos devido à quimio. :P
E pronto, basicamente é isto. Mais uma vez, saiu-me na rifa uma brincadeira tramada para me dar conta do juízo, desta vez numa altura não tão propícia a isso, mas como me diz um amigo meu: "Tu és o Iron Man, tudo te acontece e não há nada que te deite abaixo.".
Começo a achar que ele tem razão...
Assim, meus caros amigos e amigas, a próxima vez que começarem a falar alto que não vão fazer isto ou aquilo, ou que vão fazer, ou o que seja... ...não cantem de galo.
Lembrem-se de mim, e recordem-se: "Pela boca morre o peixe..." ;)
Um grande abraço a todos
O Gajo sem Cólon, com pulmão colado e agora também leucémico.
P.S: A médica que me fez o mielograma diz que esta patologia não foi causada por culpa minha. Não fiz rigorosamente nada para que isto me acontecesse, é pura genética e que é como sair o euromilhões...
Bem... Raios me partam... Tenho de começar a jogar a sério no euromilhões de verdade. Com a sorte que tenho para me sairem coisas dificeis na sina, só me falta mesmo ganhar o primeiro prémio e ficar rico... :P
P.P.S: Têm-me dado bastantes comprimidos para controlar a ansiedade, nomeadamente Alprazolan, que até onde sei é genérico do Xanax (não tenho mesmo a certeza disto que estou a dizer, mas quase). Isto faz com que eu ande cheio de sono e zonzo, então não estou mesmo com cabeça para reler e reformatar e colocar este post todo bonitinho. O mais certo é estar cheio de frases mal construídas, provavelmente fartei-me de me repetir e não faço totalmente sentido no que estou a dizer, mas acho que desta vez tenho desculpa. Peço-vos um pouco de paciência, ok? Obrigado. ;)
Beijinhos e abraços!
Para vos situar neste post, tenho de confessar que nos últimos meses tenho andado desanimado.
Deprimido, mesmo.
A minha barriga tem andado um bocado desregulada, tenho tido umas decepções com algumas pessoas, e a procura de emprego não tem dado grandes frutos se bem que esta ultima arrelia não me será, de maneira alguma, exclusiva.
A situação de emprego em Portugal está terrível até para quem não tem qualquer limitação, então para quem, como eu, de repente se "desfaz" em merda a coisa está ainda mais complicada.
Para piorar, o meu ultimo emprego foi numa seguradora, e pelo que me explicaram a área de banca e seguros, por motivos de segurança, utilizam tecnologias um pouco mais obsoletas que o ultimo grito o que faz com que eu esteja um pouco (muito) desactualizado em relação à programação, não sendo por isso um recurso apetecível pelas diversas entidades patronais. Além disso, as coisas não correram muito bem com o meu ultimo patrão, sinto que eles me deram um chuto no cú quando eu precisava que me dessem a mão, e isso faz-me ficar assim um pouco raivoso pois sempre dei ao litro por aqueles gajos e quando eu precisei basicamente disseram-me: "Vai-te foder, oh meu!!". Tudo isto fez com que eu tenha desistido de programar e tenha ido para o IEFP para procurar uma carreira alternativa.
Mas estou a divagar. Não é disso que eu venho aqui falar hoje, e muito honestamente nesta altura do campeonato essa é a ultima coisa com que me devo e me vou preocupar.
Como disse, pela boca morre o peixe. E é mesmo verdade. Eu, neste momento sou a prova viva disso.
E porquê?
Bem... Como disse, tenho andado deprimido, então andava a dizer a quem quisesse ouvir que já tive a minha dose de hospitais, internamentos, cirurgias e etc's, e que visto que a minha vida está uma confusão completa que preferia bater a bota a voltar a passar por estar preso num hospital. Que preferia esticar o pernil do que voltar a submeter-me a cirurgias e afins.
Pois é... Nesta altura de certeza que vocês já adivinharam o que vos vou dizer...
Acertaram.
Desde dia 15 à noite que estou internado em Santa Maria.
Então, o que se passa comigo? Lá chegarei. Deixem-me primeiro contar-vos como aqui cheguei.
Há umas semanas que me tenho andado a sentir cansado. A minha casa fica num terceiro andar de um prédio sem elevador, e cada vez que eu subia aquelas desgraçadas escadas eu chegava lá a cima num caco. Literalmente de rastos, com dores horríveis nas pernas e bastante dificuldade em respirar.
A coisa estava tão má, que eu na próxima consulta com a médica de família lhe ia pedir análises ao sangue pois andava desconfiado que estava novamente com uma anemia.
Mas andava tranquilo, pensei que a anemia se devia novamente a alimentação abaixo de óptima, sedentarismo e falta de cólon para absorção de nutrientes.
Preciso de vitaminas, ou algo assim do género, pensava eu. Pelo menos um reforço de ferro, como da ultima vez que estive anémico.
Acontece que, por acaso ou ironia do destino, tive uma consulta de rotina com a minha gastroenterologista no dia 15. E no decorrer dessa consulta ela olhou para mim e disse-me: "Há muito que não fazemos análises, não é? Eu já vou conhecendo qual é a sua cor, e você não está com muito bom aspecto, está assim um bocado para o branco. Vou fazer aqui o pedido, e você vai já recolher sangue para vermos como isso está."
Dito e feito, fui fazer as análises, e vim-me embora descansadinho da minha vida.
No caminho para casa fiquei sem bateria no telemóvel. Esta é uma situação normal no meu aparelho, que já é velhinho e já precisava da reforma. Então, deixei-o em casa a carregar, e fui para o café.
Quando finalmente fui para casa, o telefone já estava carregado, então liguei-o. E imediatamente recebi uma chamada de um número que não conhecia.
Era da central de colheitas de sangue do Hospital de Santa Maria. A senhora disse-me que tinha estado a tentar falar comigo a tarde toda (confirma-se, pois após desligar a chamada recebi a típica SMS que recebemos quando temos o tlm desligado, a dizer que o tal número que não conhecia me tinha tentado contactar 12 vezes) pois a Dra. que estava responsável pelo serviço de colheitas de sangue achou uns valores estranhos nas minhas analises, e queria que eu lá fosse para repetir as ditas. Por acaso estranhei o tom de voz da senhora, estava assim um bocado preocupada, mas como eu tinha coisas a tratar nesse dia disse que lá passaria no dia seguinte. E assim ficou, até que cerca de 10 minutos depois voltei a ser contactado pela mesma senhora que me dizia que a Dra. insistia muito que eu lá fosse ainda no próprio dia.
Fiquei alarmado, e lá anuí. E eu não sei porquê, mas algo me dizia que me queriam internar. Não tinha motivos para pensar nisso, além claro da insistência e do tom de voz da senhora ao telefone, então falei com o meu pai, e ele deu-me uma boleia até ao hospital. Não sei porque não levei o meu carro e pedi boleia, acho que o meu subconsciente já sabia que algo se passava, ou então o meu apuradíssimo sexto sentido já sabia que vinha lá qualquer coisa. Pelo caminho fui sempre dizendo ao meu pai: "Meu, prepara-te que se eles me quiserem lá 'agrafar' eu vou fugir.", "Pai, eu não fico lá, nem que tenha de assinar o termo de responsabilidade para me vir embora", e cenas do género.
Chegado ao hospital explicaram-me que o nível de hemoglobina no meu sangue estava muito baixo, e que a confirmarem-se aqueles valores eles não sabiam explicar como é que eu ainda estava de pé e não tinha ainda caído para o lado. Isto porque a hemoglobina é o componente do sangue responsável por fazer chegar o oxigénio aos vários orgãos e membros do corpo. Desde segunda-feira que tenho ouvido isso várias vezes, seja de médicos ou enfermeiros, bastante gente me perguntou como é que com aqueles valores de hemoglobina eu ainda estava a respirar e não estava caído, morto, no chão.
Repetidas as análises, confirmou-se que as primeiras estavam correctas. Explicaram-me que uma pessoa em estado normal tem 14 gramas de hemoglobina no sangue, e eu apresentava 4. Isto faz com que o meu coração tem estado a trabalhar o dobro ou o triplo do normal, esforçando-se para oxigenar o meu corpo, e o risco imediato que eu corria era o de sofrer um enfarte.
Logicamente que não me deixaram sair de lá, e me internaram de imediato. E eu, que tanto falei, que tanto cantei de galo que não fico e não fico e não fico, assim que me disseram: "O mais provável é você ter leucemia" que o que senti foi como se alguém me tivesse dado com uma marreta na cabeça. Fiquei de todas as cores e mais alguma, pois só a palavra leucemia assusta.
E pronto, tive de engolir tudo o que disse, e deixar que me internassem.
No dia seguinte fiz um exame chamado Mielograma, que é tirar um pouco de medula óssea do esterno (o osso que temos no peito onde ligam as costelas) para que se analise a dita medula, e com isso se diagnostique a doença.
E confirma-se. Eu tenho o que se chama Leucemia Mieloide Aguda.
Vou ter de ser submetido a tratamento, a iniciar o quanto antes, tratamento esse que passa por transfusões de sangue (vá lá que não sou jeová, senão esticava o pernil em dois ou três meses), e por quimioterapia, que neste momento é o que me está a assustar que se farta.
Desde que fui internado que já levei com quatro transfusões, estou neste preciso momento a levar a quinta transfusão, e pelo que entendi devo começar com a quimioterapia o mais rápido possível.
No entanto, nem tudo é mau. A minha doença foi diagnosticada mesmo no inicio, e é no inicio que se deve atacar o problema aumentando assim as hipóteses de cura.
O que me explicou a médica foi que se diagnostica leucemia a partir de 20% de células malignas na medula. Os meus exames acusaram 21.5%, ou seja, está mesmo mesmo mesmo no inicio.
Outra coisa boa disto tudo é que eu andava aqui cheio de dilemas acerca do que iria fazer na passagem de ano, para onde iria, e assim olha... ...já está resolvido. Já sei perfeitamente onde vou celebrar a minha passagem de ano... Provavelmente a dormir, ou cheio de náuseas e vómitos devido à quimio. :P
E pronto, basicamente é isto. Mais uma vez, saiu-me na rifa uma brincadeira tramada para me dar conta do juízo, desta vez numa altura não tão propícia a isso, mas como me diz um amigo meu: "Tu és o Iron Man, tudo te acontece e não há nada que te deite abaixo.".
Começo a achar que ele tem razão...
Assim, meus caros amigos e amigas, a próxima vez que começarem a falar alto que não vão fazer isto ou aquilo, ou que vão fazer, ou o que seja... ...não cantem de galo.
Lembrem-se de mim, e recordem-se: "Pela boca morre o peixe..." ;)
Um grande abraço a todos
O Gajo sem Cólon, com pulmão colado e agora também leucémico.
P.S: A médica que me fez o mielograma diz que esta patologia não foi causada por culpa minha. Não fiz rigorosamente nada para que isto me acontecesse, é pura genética e que é como sair o euromilhões...
Bem... Raios me partam... Tenho de começar a jogar a sério no euromilhões de verdade. Com a sorte que tenho para me sairem coisas dificeis na sina, só me falta mesmo ganhar o primeiro prémio e ficar rico... :P
P.P.S: Têm-me dado bastantes comprimidos para controlar a ansiedade, nomeadamente Alprazolan, que até onde sei é genérico do Xanax (não tenho mesmo a certeza disto que estou a dizer, mas quase). Isto faz com que eu ande cheio de sono e zonzo, então não estou mesmo com cabeça para reler e reformatar e colocar este post todo bonitinho. O mais certo é estar cheio de frases mal construídas, provavelmente fartei-me de me repetir e não faço totalmente sentido no que estou a dizer, mas acho que desta vez tenho desculpa. Peço-vos um pouco de paciência, ok? Obrigado. ;)
Beijinhos e abraços!
domingo, 30 de novembro de 2014
As pessoas não prestam. Eu inclusive.
E a verdade é mesmo esta... A grande maioria das pessoas não prestam. E começa por mim...
No outro dia precisei de ir a um multibanco. Essa raça de maquinetas que agora são mais esquivas que os gambozinos, devido aos energúmenos que por agora aqui andam e que acham que é o máximo rebentarem com os ATM para ver se de lá sacam uns guitos.
Se chegam a sacar alguma coisa de jeito, eu não faço a menor ideia, mas sei que o efeito de tal acto é o de simplesmente conseguirem que os responsáveis pelas maquinas multibanco as tirem de lá antes que os meliantes se lembrem de lhes rebentar com o estabelecimento, provocando um efeito devastador para malta assim como eu, que apenas quer utilizar os multibancos para aquilo que eles realmente foram feitos.
Ou seja... ...isto faz com que cada vez existam menos multibancos disponíveis. Na Cidade Sol, por exemplo, se queres levantar dinheiro ou vais ao Pingo Doce ou ao Intermarché, e tens de ir enquanto estes estabelecimentos se encontrem dentro do seu horário de funcionamento, ou não há multibanco para ninguém porque o acesso às máquinas encontra-se apenas dentro do edifício.
E foi basicamente isto que me aconteceu. Precisei de levantar dinheiro, e já que estava pela zona, fui ao Intermarché. E isto foi um erro tremendo...
Ok, talvez esteja a exagerar um pouco, um erro não foi... ...foi antes um infortúnio.
Quando lá cheguei, ouvi um miar que era... ...como é que explico isto?... ...um miar aflitivo. Um miar que pedia desesperadamente atenção, um miar que era literalmente um choro.
Mas vamos posicionar-nos no cenário correctamente, para ver se consigo expor exactamente o meu ponto de vista.
Estava um frio desgraçado, estava um vento forte, enregelante e desagradável. Chovia a potes, e estava tudo molhado. Estava à porta do Intermarché um senhor, que eu já o vi por lá a afixar posters com as promoções da loja, e já o tenho visto lá em cima nos escritórios, então suponho que ele pertença à gerência.
E o dito senhor lá estava à porta, a falar ao telemóvel e a afugentar com os pés o gatinho quando este tentava entrar para dentro da loja, muito provavelmente para fugir ao frio e à chuva.
Felizmente ele nunca chegou a acertar de facto com um pontapé no gato, pelo menos que eu tenha visto... ...mas o miar era tão aflitivo que me partiu o coração.
Eu consegui entender exactamente o que o animal queria. Queria carinho, queria fugir do frio e da chuva, queria ser amado e protegido. E eu consegui por-me no lugar do gato.
Eu sei bem o que é esse desejo de amar e ser amado. De ter carinho, de ter alguém em quem confiar, mas ser barrado no caminho.
E posto isto, sinto necessidade de esclarecer uma coisa... Quem ler esta merda vai ficar a pensar que eu não sou amado, o que é um conceito um pouquinho errado. Felizmente sou amado. Tenho os meus pais e a minha irmã, que sei que gostam de mim independentemente de todos os defeitos que eu possa ou não ter, independentemente de todas as falhas ou virtudes que eu possa ter. Tenho os meus amigos, que apesar de não os ver tantas vezes como antigamente, sei que continuam presentes para o que der e vier, tal como eu estou para eles.
Não, eu não digo que não sou amado, porque isso não é verdade.
Mas todos sabemos que há amar e amar. O amor não é feito de uma só cor. O amor é um degradé extremamente complexo que nem os mais entendidos nas matérias do coração conseguem explicar totalmente.
Não vou dar novidade nenhuma a ninguém se disser que o carinho que se recebe de uma família, com tudo o que de bom tem, não é a mesma coisa que o carinho que se recebe daquela pessoa especial, tão difícil de encontrar. Isso já entra na parte do degradé, onde as cores se começa a misturar e não sabemos exactamente onde começa uma e acaba outra.
E foi isso que eu senti ao ouvir aquele miar durante os 10 minutos que estive à espera que chegasse a minha vez de utilizar a maquineta caga notas.
Um miar cortante, profundo, como se dissesse "Vá lá, deixem-me entrar. Está muito frio aqui fora, e eu estou gelado.". Enquanto esperava, vislumbrei o bicho. Tratava-se de um gatinho pequeno, minúsculo, com o pelo castanho malhado como os tigres, que não devia ter mais do que dois meses de vida. E lá andava ele.
As portas da loja (sendo automáticas) abriam com a passagem das pessoas, e o pobre animal lá investia com mais uma tentativa de invasão ao Intermarché, apenas para ser afugentado pelo pé do gerente que ali montava guarda.
E de cada vez que o gato dava a sua corrida, era cada vez que soltava aquele miar a pedir ajuda, a pedir clemência, a pedir uma ponta de compaixão que fosse.
E o que me custou ver as pessoas a passar, como alguém que passa por um mendigo ou um sem-abrigo e os ignora completamente, virando a cara e olhando para o lado numa tentativa fugaz de não ver aquilo que está mesmo à sua frente. Bem, ok, ainda haviam algumas pessoas que comentavam a situação, e diziam: "pobre gatinho", "coitadinho", e essas tretas todas que se dizem porque fica bem dizer.
Esta situação custou-me. Fico surpreendido pela maneira como isto me afectou tanto. Isto parece tão estúpido, mas eu consegui por-me exactamente na pele do gato. Consegui (e acho que ainda consigo) sentir o desespero do animal.
Ainda pensei em agarrar nele e levá-lo para casa dos meus pais, mas eles já lá têm três, simplesmente não há espaço para mais um bicho naquela casa. Obviamente que pensei trazê-lo para minha casa, claro. Mas esta é uma daquelas alturas em que tenho de ser realista... ...a minha casa praticamente não tem condições para eu cá viver, quanto mais para trazer para cá um gato. Não, não sou capaz de trazer para cá um animal enquanto não tiver condições condignas para ele.
Então fiz o que toda a gente fez... ...virei a cara, meti-me no carro e fui-me embora.
E não consigo explicar, não existem palavras ou eu não tenho inteligência suficiente para o fazer, mas não sei classificar o que sinto por isso.
Sei que nunca mais vou ver o gato, nunca mais na vida vou saber o que lhe aconteceu, mas vou tentar pensar que houve alguém, uma pessoa que ainda tenha pingo de boa vontade ou possibilidades de dar a mão ao bicho, que o tenha feito. Espero mesmo que isso tenha acontecido, peço-o aos meus santinhos todos, mas no fundo acho que isto, se calhar, não passa de sentimento de culpa por não ter feito nada, tal como tantos outros. Mas lá está... Se calhar é por isso que eu ando como ando. Chama-se Karma, meus queridos, e é um fenómeno implacável que nunca falha. Mais cedo ou mais tarde, o Karma apanha-nos e julga-nos por tudo aquilo que, de bom e de mau temos vindo a fazer, quase como o julgamento final no purgatório, mas este ocorre ainda em vida e não é one-time only. É mais um processo contínuo que nunca descansa.
Eu... ...no fundo não sou melhor que todos os outros que ignoraram a situação do gato, pois fiz exactamente a mesma coisa. Deixei-o entregue à sua sorte. E isso, meus caros amigos e amigas.... ...dói que se farta.
Enfim... ...desculpem lá o desabafo. Este blog, que supostamente seria para partilhar as minhas experiências adjacentes a uma vida sem cólon, começa a descambar, e muito, no seu propósito.
Tenho andado com ideias de fazer uma actualização de estado acerca desse assunto, mas muito honestamente já não vou prometer nada. Com dias (e o Dias) cinzentos como ultimamente, tudo o que escrevo me parece altamente depressivo, então ainda ando à espera de conseguir fazer um texto digno de ser publicado, que não me pareça ter sido escrito por um emo a quem tiraram as tesouras.
Aguentem-se aí, que eventualmente o dito texto surgirá. Sim, porque eu acredito piamente que vocês estão extremamente interessados... ;)
Um grande abraço
O Gajo sem Cólon
No outro dia precisei de ir a um multibanco. Essa raça de maquinetas que agora são mais esquivas que os gambozinos, devido aos energúmenos que por agora aqui andam e que acham que é o máximo rebentarem com os ATM para ver se de lá sacam uns guitos.
Se chegam a sacar alguma coisa de jeito, eu não faço a menor ideia, mas sei que o efeito de tal acto é o de simplesmente conseguirem que os responsáveis pelas maquinas multibanco as tirem de lá antes que os meliantes se lembrem de lhes rebentar com o estabelecimento, provocando um efeito devastador para malta assim como eu, que apenas quer utilizar os multibancos para aquilo que eles realmente foram feitos.
Ou seja... ...isto faz com que cada vez existam menos multibancos disponíveis. Na Cidade Sol, por exemplo, se queres levantar dinheiro ou vais ao Pingo Doce ou ao Intermarché, e tens de ir enquanto estes estabelecimentos se encontrem dentro do seu horário de funcionamento, ou não há multibanco para ninguém porque o acesso às máquinas encontra-se apenas dentro do edifício.
E foi basicamente isto que me aconteceu. Precisei de levantar dinheiro, e já que estava pela zona, fui ao Intermarché. E isto foi um erro tremendo...
Ok, talvez esteja a exagerar um pouco, um erro não foi... ...foi antes um infortúnio.
Quando lá cheguei, ouvi um miar que era... ...como é que explico isto?... ...um miar aflitivo. Um miar que pedia desesperadamente atenção, um miar que era literalmente um choro.
Mas vamos posicionar-nos no cenário correctamente, para ver se consigo expor exactamente o meu ponto de vista.
Estava um frio desgraçado, estava um vento forte, enregelante e desagradável. Chovia a potes, e estava tudo molhado. Estava à porta do Intermarché um senhor, que eu já o vi por lá a afixar posters com as promoções da loja, e já o tenho visto lá em cima nos escritórios, então suponho que ele pertença à gerência.
E o dito senhor lá estava à porta, a falar ao telemóvel e a afugentar com os pés o gatinho quando este tentava entrar para dentro da loja, muito provavelmente para fugir ao frio e à chuva.
Felizmente ele nunca chegou a acertar de facto com um pontapé no gato, pelo menos que eu tenha visto... ...mas o miar era tão aflitivo que me partiu o coração.
Eu consegui entender exactamente o que o animal queria. Queria carinho, queria fugir do frio e da chuva, queria ser amado e protegido. E eu consegui por-me no lugar do gato.
Eu sei bem o que é esse desejo de amar e ser amado. De ter carinho, de ter alguém em quem confiar, mas ser barrado no caminho.
E posto isto, sinto necessidade de esclarecer uma coisa... Quem ler esta merda vai ficar a pensar que eu não sou amado, o que é um conceito um pouquinho errado. Felizmente sou amado. Tenho os meus pais e a minha irmã, que sei que gostam de mim independentemente de todos os defeitos que eu possa ou não ter, independentemente de todas as falhas ou virtudes que eu possa ter. Tenho os meus amigos, que apesar de não os ver tantas vezes como antigamente, sei que continuam presentes para o que der e vier, tal como eu estou para eles.
Não, eu não digo que não sou amado, porque isso não é verdade.
Mas todos sabemos que há amar e amar. O amor não é feito de uma só cor. O amor é um degradé extremamente complexo que nem os mais entendidos nas matérias do coração conseguem explicar totalmente.
Não vou dar novidade nenhuma a ninguém se disser que o carinho que se recebe de uma família, com tudo o que de bom tem, não é a mesma coisa que o carinho que se recebe daquela pessoa especial, tão difícil de encontrar. Isso já entra na parte do degradé, onde as cores se começa a misturar e não sabemos exactamente onde começa uma e acaba outra.
E foi isso que eu senti ao ouvir aquele miar durante os 10 minutos que estive à espera que chegasse a minha vez de utilizar a maquineta caga notas.
Um miar cortante, profundo, como se dissesse "Vá lá, deixem-me entrar. Está muito frio aqui fora, e eu estou gelado.". Enquanto esperava, vislumbrei o bicho. Tratava-se de um gatinho pequeno, minúsculo, com o pelo castanho malhado como os tigres, que não devia ter mais do que dois meses de vida. E lá andava ele.
As portas da loja (sendo automáticas) abriam com a passagem das pessoas, e o pobre animal lá investia com mais uma tentativa de invasão ao Intermarché, apenas para ser afugentado pelo pé do gerente que ali montava guarda.
E de cada vez que o gato dava a sua corrida, era cada vez que soltava aquele miar a pedir ajuda, a pedir clemência, a pedir uma ponta de compaixão que fosse.
E o que me custou ver as pessoas a passar, como alguém que passa por um mendigo ou um sem-abrigo e os ignora completamente, virando a cara e olhando para o lado numa tentativa fugaz de não ver aquilo que está mesmo à sua frente. Bem, ok, ainda haviam algumas pessoas que comentavam a situação, e diziam: "pobre gatinho", "coitadinho", e essas tretas todas que se dizem porque fica bem dizer.
Esta situação custou-me. Fico surpreendido pela maneira como isto me afectou tanto. Isto parece tão estúpido, mas eu consegui por-me exactamente na pele do gato. Consegui (e acho que ainda consigo) sentir o desespero do animal.
Ainda pensei em agarrar nele e levá-lo para casa dos meus pais, mas eles já lá têm três, simplesmente não há espaço para mais um bicho naquela casa. Obviamente que pensei trazê-lo para minha casa, claro. Mas esta é uma daquelas alturas em que tenho de ser realista... ...a minha casa praticamente não tem condições para eu cá viver, quanto mais para trazer para cá um gato. Não, não sou capaz de trazer para cá um animal enquanto não tiver condições condignas para ele.
Então fiz o que toda a gente fez... ...virei a cara, meti-me no carro e fui-me embora.
E não consigo explicar, não existem palavras ou eu não tenho inteligência suficiente para o fazer, mas não sei classificar o que sinto por isso.
Sei que nunca mais vou ver o gato, nunca mais na vida vou saber o que lhe aconteceu, mas vou tentar pensar que houve alguém, uma pessoa que ainda tenha pingo de boa vontade ou possibilidades de dar a mão ao bicho, que o tenha feito. Espero mesmo que isso tenha acontecido, peço-o aos meus santinhos todos, mas no fundo acho que isto, se calhar, não passa de sentimento de culpa por não ter feito nada, tal como tantos outros. Mas lá está... Se calhar é por isso que eu ando como ando. Chama-se Karma, meus queridos, e é um fenómeno implacável que nunca falha. Mais cedo ou mais tarde, o Karma apanha-nos e julga-nos por tudo aquilo que, de bom e de mau temos vindo a fazer, quase como o julgamento final no purgatório, mas este ocorre ainda em vida e não é one-time only. É mais um processo contínuo que nunca descansa.
Eu... ...no fundo não sou melhor que todos os outros que ignoraram a situação do gato, pois fiz exactamente a mesma coisa. Deixei-o entregue à sua sorte. E isso, meus caros amigos e amigas.... ...dói que se farta.
Enfim... ...desculpem lá o desabafo. Este blog, que supostamente seria para partilhar as minhas experiências adjacentes a uma vida sem cólon, começa a descambar, e muito, no seu propósito.
Tenho andado com ideias de fazer uma actualização de estado acerca desse assunto, mas muito honestamente já não vou prometer nada. Com dias (e o Dias) cinzentos como ultimamente, tudo o que escrevo me parece altamente depressivo, então ainda ando à espera de conseguir fazer um texto digno de ser publicado, que não me pareça ter sido escrito por um emo a quem tiraram as tesouras.
Aguentem-se aí, que eventualmente o dito texto surgirá. Sim, porque eu acredito piamente que vocês estão extremamente interessados... ;)
Um grande abraço
O Gajo sem Cólon
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Um (muito) pequeno (e péssimo) poema.
Saio à rua devagarinho
Pois já sei o que esperar
Mesmo embrulhado no meu casaquinho
Socorro é tudo quanto consigo articular
Pois já sei o que esperar
Mesmo embrulhado no meu casaquinho
Socorro é tudo quanto consigo articular
Sopra um vento gelado
Que incomodaria até um urso polar
O termômetro diz que está complicado
E eu não tarda vou congelar
Que incomodaria até um urso polar
O termômetro diz que está complicado
E eu não tarda vou congelar
Ponderei seriamente chamar-te
Sei que a tua força é espectacular
Pensei que se me desses pequena parte
Rapidamente o frio iria passar
Sei que a tua força é espectacular
Pensei que se me desses pequena parte
Rapidamente o frio iria passar
Mas imediatamente esqueci a ideia
Seria incapaz de o fazer
Se para me aquecer um pouco
Isso te pudesse fazer sofrer
Seria incapaz de o fazer
Se para me aquecer um pouco
Isso te pudesse fazer sofrer
Assim continuo no meu caminho
Embora nao esteja melhor
Se não fosse o aquecimento do carro
Não quero imaginar a dor
Embora nao esteja melhor
Se não fosse o aquecimento do carro
Não quero imaginar a dor
E assim começou o meu dia
Sentindo-me num glaciar
Se morresse agora nao me importava
Partia com o doce gosto de te amar.
Sentindo-me num glaciar
Se morresse agora nao me importava
Partia com o doce gosto de te amar.
O Gajo sem Cólon
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
A triste alegria de se estar vivo
Bom dia caros amigos e amigas.
Ui... Foi uma noite longa. Estou com umas olheiras terríveis, e ainda estou zonzo.
Se calhar ainda estou com os copos, ou se calhar é mesmo do sono, não sei...
Ultimamente não sei grande coisa, tenho andado bem baralhado da minha vida, mas há uma coisa que eu sei. Ontem deixei-vos em alvoroço (sim, eu sou presunçoso ao ponto de pensar que vocês ficam em alvoroço por minha causa) e não havia a mínima necessidade.
Claro que também não é novidade nenhuma, afinal a posts meus onde só refilo e choro e me lamento estão vocês mais que habituados. Ou pensavam que se viam livres assim com tanta facilidade? Não...
Toda a gente muda, mas a sua essência fica. Aquilo que nos torna indivíduos, que nos distingue dos nossos semelhantes, aquilo que impede que sejamos todos apenas um monte de robôs feitos em série.
Ok... Se calhar até somos todos um monte de robôs, não feitos em série todos estéticamente iguais uns aos outros, mas pré-programados e transformados em carneirinhos dóceis, só que assim já começo a entrar no campo da politiquice (cada vez mais me apetece chamar-lhe antes palhaçice) e muito honestamente não me apetece.
Estava a dizer que todo e cada um de nós tem a sua essência. Um núcleo, uma maneira de ser que, por mais que a pessoa mude, continuará sempre presente. E eu sou assim.
Sou emotivo. Sou sensível. Sou dramático, e não sei ser de outra forma.
Sempre fui um tipo bem disposto. Dizem-me várias vezes que sou pessimista, mas eu considero-me mais uma pessoa positiva que gosta de considerar o pior cenário possível para poder estar preparado para o pior. Raciocinem comigo, se nos prepararmos para o pior, tudo o que vier será canja, certo?
Não. Errado! Aparentemente está errado. Ou se estiver certo, e isto é a minha forma de reagir estando preparado para o pior, então não quero saber como seria se não me preparasse... Já imaginaram?
Independentemente disso tudo agora, o certo é que, mais uma vez, fui recordado de que tenho amigos. Grandes amigos, com os quais posso contar. Amigos que ao ver que eu lá ia encaminhado para mais um dos meus dramas saíram do seu caminho para me dar uma palavra amiga.
E o mínimo que posso fazer é explicar-vos a todos o que aconteceu. Nada de novo, como vocês estão fartos de saber. São as Marias... O que haveria de ser, né? :)
É extremamente interessante pensar que o facto de não ter cólon não me afecta tanto como o maldito coração. A minha vida mudou drasticamente, mas aparentemente o velho músculo continua com as suas nóias. E agora pode parecer que tenho problemas cardíacos, então deixem-me esclarecer: não.
O meu coração, fisicamente falando, está bom. Pelo menos eu acho que sim, depois de tanta prova de esforço, depois de tanto eco e electrocardiograma feito, acredito piamente que se se passasse alguma coisa já me teriam dito. E felizmente, além de me dizerem constantemente que eu tenho a tensão arterial baixa, não me alarmam.
O problema do dito músculo é mesmo a parte psicológica. Logicamente... A parte psicológica é que me deita ao tapete. A ser sincero, não me surpreende. Afinal, tanto o meu psicólogo como a gastroenterologista são da opinião que o principal responsável pelas minhas cólicas e afins sou eu mesmo. Maldita ansiedade...
E pelos vistos eu não me ajudo a mim mesmo. Já não me bastava andar numa montanha russa emocional com todos os stresses que já tenho, com a preocupação constante de não ver um caminho para um futuro decente, a lidar com comidas e a ler os rótulos das coisas para ver se vou arriscar ou não, com os medicamentos, sem saber se vou ter um dia limpinho ou se me vou borrar, enfim... Já não me bastava andar preocupado com a vida, eu ainda vou comprar mais umas voltinhas na montanha russa. Yeay sou tão inteligente!!!!
Não vou contar porquê, mas decidi falar com a minha ex-namorada. E agora não sei se isso não foi um erro.
Não, não foi. Tenho a certeza que não foi porque a verdade é que me senti feliz. Feliz como não me sentia há muito tempo. E ela também gostou de falar comigo (ou então mentiu-me lol), então não pode ser um erro.
Mas com isto fiquei a saber uma coisa muito importante. Eu gosto dela. Quer dizer, gosto no sentido de gostar, ou seja... Claro que vai ser sempre uma pessoa da qual vou gostar. Partilhamos muitos momentos bons e uns quantos menos bons, mas é a isso que se chama viver. Interagir, dialogar, socializar. Cresci imenso como pessoa, e sei que muito o devo a ela. Então vai ser sempre uma pessoa da qual vou gostar. Mas a felicidade que senti... ...opah, não sei explicar. Como disse, não me sentia assim há mesmo muito tempo.
Foi uma experiência muito... ...intensa. E não, parem lá essas mentes pecaminosas, não se passou nada. Apenas se passou que dois grandes amigos muito queridos um para o outro que não se viam há muito tempo foram beber um café para por a conversa em dia.
E nessa conversa fui assolado por um turbilhão de sentimentos. Foi como se me tivessem atirado para dentro de uma máquina de lavar, e utilizado emoções como detergente. De repente sentia-me feliz. Felicíssimo! Esquecia todo e qualquer problema da minha vida. A seguir sentia-me culpado. Eu sou homenzinho o suficiente para admitir que falhei em muita coisa, que podia ter feito muita coisa de maneira diferente. Ao mesmo tempo sentia-me impotente porque atravessei (e ainda atravesso) uma fase conturbada da minha vida. Quer dizer, no espaço de um ano fiquei a saber que teria de ser operado, que a situação não era para brincadeira, e fui submetido a duas cirurgias de barriga aberta para me retirarem o cólon. E quer queiramos quer não, isso mexe com um gajo. Todos os stresses que tive no trabalho, nessa mudança de vida, também não ajudaram, e de facto eu estava a tornar-me um tipo que eu próprio não gostava. Mas lá está, isso não desculpa tudo. Eu tinha a obrigação de ter sido melhor namorado, e falhei. E sentia-me triste por isso. Por tudo. Por não ter funcionado.
Fui beber este café com um estado de espírito completamente aberto, tal como quando nos conhecemos a primeira vez. Eu não fazia ideia de como está a vida dela. Não sabia se namorava, se era solteira, se estava a trabalhar, se não estava, só sabia que ia beber café, sem segundas intenções de qualquer parte. E foi com esse estado de espírito que fui. E pronto, no fim de tudo foi bom.
Conversamos bastante, fomos sinceros, fomos honestos. Eu fiquei a saber que ela namora, e que mesmo que não namorasse, já não sente o mesmo que sentia por mim. E é nessa parte, quando ouço isso, que sinto uma tristeza maior que o mundo apoderar-se de mim, e que eu percebo que se calhar... ...ela não é para mim só uma pessoa especial. Se calhar ainda é mais que isso. Mas isso... ...deixa-me triste. E feliz, ao mesmo tempo.
Entendam-me, eu só quero que ela seja feliz, seja com quem for. Fico feliz se souber que ela é feliz. Mas descobri que ainda fico triste se não for comigo que ela for feliz. Triste porque tive, tivemos os dois algo muito bom, que eu também deixei morrer. Triste por ouvir que os sentimentos já não são os mesmos.
E sim. Eu sei. Vocês têm toda a razão, não precisam de começar já a mandar vir... Eu sei que isto é uma coisa que o tempo cura. Nesta altura do campeonato, se não soubesse isto, então de certeza que teria uma qualquer patologia cerebral grave e precisava urgentemente de ser internado. Mas fiquei surpreendido por ainda sentir esta tristeza. Fiquei extremamente admirado por ainda ter sentido aquelas voltas na montanha russa emocional. Se calhar isso explica o porquê de eu continuar solteiro, e não ter tido a mínima vontade de deixar de o ser. Não sei mesmo o que pensar, muito menos o que fazer... ...ou até sei. É deixar. Não pensar mais. Largar. A única coisa que vai fazer alguma coisa de bem aqui é deixar o tempo fazer o seu trabalho... Mas infelizmente o cérebro humano tende a saber uma coisa neste preciso momento, e daqui a bocado ter esquecido momentaneamente. E esta é uma delas...
Para ajudar, há um pormenor que mesmo sendo pequeno, ajudou a isto tudo...
Como sabem, eu deixei de fumar. Tive complicações pulmonares, e tive de parar de fumar. E isso não é assim tão fácil, pelo menos para mim. Então troquei por bolachas, pastilhas, e o mais eficaz: cerveja.
Bebo cerveja com dois propósitos. Primeiro, ocupa-me o suficiente para não fumar. Eu sei que é parvo isto que estou a dizer, mas o certo é que tem estado a funcionar. E depois, a cerveja ajuda-me a arrotar, e ao arrotar sinto que faço melhor a digestão e futuro processamento "descolonado". Ao arrotar sinto um enorme alivio na barriga, muito semelhante ao que sinto quando consigo largar um flauto, mas com a vantagem de que ao arrotar eu tenho a certeza de que não vou ter nenhum acidente.
E como não estava a espera de receber o dito convite para beber café, não tinha muito para fazer e estava aborrecido, já estava lançado na minha epopeia alcoólica. (Isto agora soou tão mal, pareço um bêbedo... lol)
Entao acho que isso também ajudou a que a bola de neve se formasse...
E depois um gajo põe-se a pensar em tudo isto que vos disse neste já gigante texto e tantas outras coisas, e... ...o meu mural no Facebook é que paga. E vocês, que ficam preocupados comigo.
Enfim...
Como vêem foi apenas mais uma parvoíce insignificante, que a essência do meu ser aliada ao álcool a deslimitar as regras no cérebro provocou. Nada de novo... O facebook é que devia ter um qualquer sistema de prevenção de publicação de posts... hehe
Resta-me apenas cobrir de vergonha, e dizer:
Obrigado. Obrigado a todos vocês que se preocuparam. Valeu.
Um grande abraço
O Gajo Sem Cólon
Ui... Foi uma noite longa. Estou com umas olheiras terríveis, e ainda estou zonzo.
Se calhar ainda estou com os copos, ou se calhar é mesmo do sono, não sei...
Ultimamente não sei grande coisa, tenho andado bem baralhado da minha vida, mas há uma coisa que eu sei. Ontem deixei-vos em alvoroço (sim, eu sou presunçoso ao ponto de pensar que vocês ficam em alvoroço por minha causa) e não havia a mínima necessidade.
Claro que também não é novidade nenhuma, afinal a posts meus onde só refilo e choro e me lamento estão vocês mais que habituados. Ou pensavam que se viam livres assim com tanta facilidade? Não...
Toda a gente muda, mas a sua essência fica. Aquilo que nos torna indivíduos, que nos distingue dos nossos semelhantes, aquilo que impede que sejamos todos apenas um monte de robôs feitos em série.
Ok... Se calhar até somos todos um monte de robôs, não feitos em série todos estéticamente iguais uns aos outros, mas pré-programados e transformados em carneirinhos dóceis, só que assim já começo a entrar no campo da politiquice (cada vez mais me apetece chamar-lhe antes palhaçice) e muito honestamente não me apetece.
Estava a dizer que todo e cada um de nós tem a sua essência. Um núcleo, uma maneira de ser que, por mais que a pessoa mude, continuará sempre presente. E eu sou assim.
Sou emotivo. Sou sensível. Sou dramático, e não sei ser de outra forma.
Sempre fui um tipo bem disposto. Dizem-me várias vezes que sou pessimista, mas eu considero-me mais uma pessoa positiva que gosta de considerar o pior cenário possível para poder estar preparado para o pior. Raciocinem comigo, se nos prepararmos para o pior, tudo o que vier será canja, certo?
Não. Errado! Aparentemente está errado. Ou se estiver certo, e isto é a minha forma de reagir estando preparado para o pior, então não quero saber como seria se não me preparasse... Já imaginaram?
Independentemente disso tudo agora, o certo é que, mais uma vez, fui recordado de que tenho amigos. Grandes amigos, com os quais posso contar. Amigos que ao ver que eu lá ia encaminhado para mais um dos meus dramas saíram do seu caminho para me dar uma palavra amiga.
E o mínimo que posso fazer é explicar-vos a todos o que aconteceu. Nada de novo, como vocês estão fartos de saber. São as Marias... O que haveria de ser, né? :)
É extremamente interessante pensar que o facto de não ter cólon não me afecta tanto como o maldito coração. A minha vida mudou drasticamente, mas aparentemente o velho músculo continua com as suas nóias. E agora pode parecer que tenho problemas cardíacos, então deixem-me esclarecer: não.
O meu coração, fisicamente falando, está bom. Pelo menos eu acho que sim, depois de tanta prova de esforço, depois de tanto eco e electrocardiograma feito, acredito piamente que se se passasse alguma coisa já me teriam dito. E felizmente, além de me dizerem constantemente que eu tenho a tensão arterial baixa, não me alarmam.
O problema do dito músculo é mesmo a parte psicológica. Logicamente... A parte psicológica é que me deita ao tapete. A ser sincero, não me surpreende. Afinal, tanto o meu psicólogo como a gastroenterologista são da opinião que o principal responsável pelas minhas cólicas e afins sou eu mesmo. Maldita ansiedade...
E pelos vistos eu não me ajudo a mim mesmo. Já não me bastava andar numa montanha russa emocional com todos os stresses que já tenho, com a preocupação constante de não ver um caminho para um futuro decente, a lidar com comidas e a ler os rótulos das coisas para ver se vou arriscar ou não, com os medicamentos, sem saber se vou ter um dia limpinho ou se me vou borrar, enfim... Já não me bastava andar preocupado com a vida, eu ainda vou comprar mais umas voltinhas na montanha russa. Yeay sou tão inteligente!!!!
Não vou contar porquê, mas decidi falar com a minha ex-namorada. E agora não sei se isso não foi um erro.
Não, não foi. Tenho a certeza que não foi porque a verdade é que me senti feliz. Feliz como não me sentia há muito tempo. E ela também gostou de falar comigo (ou então mentiu-me lol), então não pode ser um erro.
Mas com isto fiquei a saber uma coisa muito importante. Eu gosto dela. Quer dizer, gosto no sentido de gostar, ou seja... Claro que vai ser sempre uma pessoa da qual vou gostar. Partilhamos muitos momentos bons e uns quantos menos bons, mas é a isso que se chama viver. Interagir, dialogar, socializar. Cresci imenso como pessoa, e sei que muito o devo a ela. Então vai ser sempre uma pessoa da qual vou gostar. Mas a felicidade que senti... ...opah, não sei explicar. Como disse, não me sentia assim há mesmo muito tempo.
Foi uma experiência muito... ...intensa. E não, parem lá essas mentes pecaminosas, não se passou nada. Apenas se passou que dois grandes amigos muito queridos um para o outro que não se viam há muito tempo foram beber um café para por a conversa em dia.
E nessa conversa fui assolado por um turbilhão de sentimentos. Foi como se me tivessem atirado para dentro de uma máquina de lavar, e utilizado emoções como detergente. De repente sentia-me feliz. Felicíssimo! Esquecia todo e qualquer problema da minha vida. A seguir sentia-me culpado. Eu sou homenzinho o suficiente para admitir que falhei em muita coisa, que podia ter feito muita coisa de maneira diferente. Ao mesmo tempo sentia-me impotente porque atravessei (e ainda atravesso) uma fase conturbada da minha vida. Quer dizer, no espaço de um ano fiquei a saber que teria de ser operado, que a situação não era para brincadeira, e fui submetido a duas cirurgias de barriga aberta para me retirarem o cólon. E quer queiramos quer não, isso mexe com um gajo. Todos os stresses que tive no trabalho, nessa mudança de vida, também não ajudaram, e de facto eu estava a tornar-me um tipo que eu próprio não gostava. Mas lá está, isso não desculpa tudo. Eu tinha a obrigação de ter sido melhor namorado, e falhei. E sentia-me triste por isso. Por tudo. Por não ter funcionado.
Fui beber este café com um estado de espírito completamente aberto, tal como quando nos conhecemos a primeira vez. Eu não fazia ideia de como está a vida dela. Não sabia se namorava, se era solteira, se estava a trabalhar, se não estava, só sabia que ia beber café, sem segundas intenções de qualquer parte. E foi com esse estado de espírito que fui. E pronto, no fim de tudo foi bom.
Conversamos bastante, fomos sinceros, fomos honestos. Eu fiquei a saber que ela namora, e que mesmo que não namorasse, já não sente o mesmo que sentia por mim. E é nessa parte, quando ouço isso, que sinto uma tristeza maior que o mundo apoderar-se de mim, e que eu percebo que se calhar... ...ela não é para mim só uma pessoa especial. Se calhar ainda é mais que isso. Mas isso... ...deixa-me triste. E feliz, ao mesmo tempo.
Entendam-me, eu só quero que ela seja feliz, seja com quem for. Fico feliz se souber que ela é feliz. Mas descobri que ainda fico triste se não for comigo que ela for feliz. Triste porque tive, tivemos os dois algo muito bom, que eu também deixei morrer. Triste por ouvir que os sentimentos já não são os mesmos.
E sim. Eu sei. Vocês têm toda a razão, não precisam de começar já a mandar vir... Eu sei que isto é uma coisa que o tempo cura. Nesta altura do campeonato, se não soubesse isto, então de certeza que teria uma qualquer patologia cerebral grave e precisava urgentemente de ser internado. Mas fiquei surpreendido por ainda sentir esta tristeza. Fiquei extremamente admirado por ainda ter sentido aquelas voltas na montanha russa emocional. Se calhar isso explica o porquê de eu continuar solteiro, e não ter tido a mínima vontade de deixar de o ser. Não sei mesmo o que pensar, muito menos o que fazer... ...ou até sei. É deixar. Não pensar mais. Largar. A única coisa que vai fazer alguma coisa de bem aqui é deixar o tempo fazer o seu trabalho... Mas infelizmente o cérebro humano tende a saber uma coisa neste preciso momento, e daqui a bocado ter esquecido momentaneamente. E esta é uma delas...
Para ajudar, há um pormenor que mesmo sendo pequeno, ajudou a isto tudo...
Como sabem, eu deixei de fumar. Tive complicações pulmonares, e tive de parar de fumar. E isso não é assim tão fácil, pelo menos para mim. Então troquei por bolachas, pastilhas, e o mais eficaz: cerveja.
Bebo cerveja com dois propósitos. Primeiro, ocupa-me o suficiente para não fumar. Eu sei que é parvo isto que estou a dizer, mas o certo é que tem estado a funcionar. E depois, a cerveja ajuda-me a arrotar, e ao arrotar sinto que faço melhor a digestão e futuro processamento "descolonado". Ao arrotar sinto um enorme alivio na barriga, muito semelhante ao que sinto quando consigo largar um flauto, mas com a vantagem de que ao arrotar eu tenho a certeza de que não vou ter nenhum acidente.
E como não estava a espera de receber o dito convite para beber café, não tinha muito para fazer e estava aborrecido, já estava lançado na minha epopeia alcoólica. (Isto agora soou tão mal, pareço um bêbedo... lol)
Entao acho que isso também ajudou a que a bola de neve se formasse...
E depois um gajo põe-se a pensar em tudo isto que vos disse neste já gigante texto e tantas outras coisas, e... ...o meu mural no Facebook é que paga. E vocês, que ficam preocupados comigo.
Enfim...
Como vêem foi apenas mais uma parvoíce insignificante, que a essência do meu ser aliada ao álcool a deslimitar as regras no cérebro provocou. Nada de novo... O facebook é que devia ter um qualquer sistema de prevenção de publicação de posts... hehe
Resta-me apenas cobrir de vergonha, e dizer:
Obrigado. Obrigado a todos vocês que se preocuparam. Valeu.
Um grande abraço
O Gajo Sem Cólon
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