sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Novidades, e uma mensagem especial aos que me conhecem

Bom dia caros amigos e amigas.
Este post, que juro que vou tentar manter curto, é composto por, como o titulo indica, novidades e uma pequena mensagem especialmente dirigida para todos aqueles que me conhecem pessoalmente, mas que pode ser lida por toda a gente, conhecidos e desconhecidos, e espero que todos fiquem a pensar no assunto.

Para já, novidades. Já saí da aplasia! :D O que significa que o meu organismo já tem defesas próprias, e que as defesas já não provêm das transfusões de plasma, sangue e plaquetas que recebia. Até porque não as recebo há algum tempo.
As manchas do meu corpo já estão praticamente invisíveis, o que significa que o que quer que fosse que as causou também já passou. Os meus pés já não parecem um par de batatas, aliás, acho que já não estão mesmo nada inchados.
Continuo cheio de sono, mesmo depois dos senhores doutores me terem ajustado os calmantes.
E creio que isto conclui as novidades boas. E como não podem haver novidades boas sem haverem outras menos boas... ...claro, adivinharam, há novidades menos boas.

A minha barriga tem dado voltas e voltas. Tem dado mais voltas que o tambor de uma máquina de lavar roupa na centrifugação.
Não sei se é da medicação, não sei se é dos medicamentos que estou a tomar, não sei se é algum efeito remanescente da quimioterapia, ou se é tudo junto... O que sei é que isto tem andado agreste.

E já chegaram também os resultados das análises à compatibilidade da medula da minha irmã para comigo, e infelizmente não é compatível.
Ou seja, não se pode fazer o transplante com células da minha irmã. E isso significa que vou precisar de um dador.

Como a minha irmã partilhou no Facebook, toda a informação sobre como ser dador pode ser encontrada aqui:
http://www.apcl.pt/dadores/onde-pode-tornar-se-dador

E isto leva-nos à anteriormente referida mensagem especial.

Tal como foi dito por uma das médicas, as pessoas em Portugal estão muito mal-informadas. E olhando ao que vou falando com vários de vocês, tenho de lhe dar razão.
Ela disse que sim, que devia fazer apelos para procurar um dador, mas especificar muito bem que não se pode ser dador para um individuo em específico.
Quando alguém se inscreve como dador, tendo em conta que reúne todas as condições para isso, é inserido numa base de dados (segundo o que creio europeia, não tenho a certeza) e lá fica até ser encontrado para alguém que precise da sua medula.
Imaginemos que o Agostinho Henriques chega lá ao sitio e diz: "Eu quero ser dador para o Carlos Dias", não vai passar dali, pois o que tipicamente acaba por acontecer é que o Carlos Dias eventualmente encontra um dador, é transplantado, e o Agostinho Henriques continua na base de dados. Eventualmente o Agostinho Henriques é compatível com alguém que precisa de medula. Como Agostinho Henriques sabe que o Carlos Dias já foi transplantado, não quer saber do caso e recusa a doação. E com isso pode estar a atrasar durante meses uma cura, ou mesmo a negar a vida a alguém.
Assim, como disse a médica, se a ideia é serem dadores apenas para mim, é preferível que não sejam dadores de todo. Até porque isso, como disse, é impossível de se fazer.

E para terminar, deixo-vos com esta hipótese teórica:
Imaginem que existe um outro grupo de amigos, onde existe também um outro Agostinho Henriques que não quer ser dador de medula a não ser para o seu amigo Carlos Dias (outro Carlos Dias que não eu). Mas no entanto, se calhar esse Agostinho Henriques poderia ser compatível comigo, e se ele quisesse ser dador não só para o seu amigo, poderia acelerar imenso o meu tratamento. Ou salvar-me a vida. Ou se o Agostinho Henriques (o meu amigo) também aceitasse ser dador não só para mim, poderia salvar o outro Carlos Dias. Ou outra pessoa qualquer. Ou uma criança...
Já pensaram nisso?

Um grande abraço
O Gajo Sem Colon