Ola a todos!
Hoje, e apenas porque a vida não pode ser só feita de merda, gases e cólicas, venho falar-vos de algo que não têm rigorosamente nada a ver com o tema do meu blog.
Espero que me perdoem.
Eu sou um gajo que estudou tecnologias de informação, e interesso-me por tecnologia no geral.
Então, de vez em quando tropeço em coisas que acho interessantes. Claro que se eu tivesse o capital do Bill Gates ou do Steve Jobs, não teria espaço onde arrumar todas as coisas, gadgets, brinquedos, etc, que acho interessantes... ^^
Mas adiante... Aqui há uns tempos deparei-me com algo que, novamente, achei interessante.
Chama-se Raspberry PI, há quem lhe chame RPI para abreviar, e o seu objectivo é ser um mini-computador orientado a ser utilizado para ensinar informática e programação nas escolas.
O seu hardware é praticamente um tablet android com tamanho reduzido, sem ecrã, a correr um sistema operativo baseado no Debian Linux. Para aqueles que não sabem, o sistema android é também ele baseado em Linux, portanto acaba por ser algo parecido, mas as parecenças ficam por aqui.
Um tablet é algo que foi feito a pensar num utilizador que adquire o produto, e quer navegar na internet, ver uns filmes, utilizar as redes sociais e programas de comunicação instantânea, de forma simples e sem ter que se chatear com configurações e ajustes demasiado complexos. O Raspberry PI foi feito a pensar em utilizadores mais avançados ou com vontade de aprender, que querem algo mais flexível e com mais potencial do que apenas o da utilização dos tablets, tendo sido feito de maneira a permitir um nível de controlo de hardware e configurações tanto a nível de sistema como de programação equiparadas aos de um computador pessoal ou portátil através de interfaces de comunicação que num tablet não estão disponíveis.
E claro, um tablet foi feito para ser portátil e apesar de haver quem já tenha posto o seu Raspberry Pi a funcionar a pilhas, este pressupõe uma ligação seja a um USB, seja a um adaptador (tipo os carregadores dos tablets).
A diferença mais básica que consigo encontrar, é que num tablet android, estamos limitados aquilo que a ROM te deixa fazer, ao passo de que no RPI estamos a correr uma distribuição Debian, ou seja, não temos de andar a fazer root ao dispositivo, nem instalar aplicações para correr coisas de controlo básicas como comandos de rede, porque estamos a correr um sistema operativo que não foi feito para um tablet, mas para, de facto, um computador. Mas esta é, como disse, a mais básica diferença.
O RPI traz um interface de baixo nivel GPIO, por exemplo. Isto é uma porta de comunicações que pode ser acedida através de programação neste caso scripts a correr no Debian que está a correr no Raspberry PI, e permite fazer coisas como tão simples como por leds a piscar, mais complexos como um radio de internet, ou até mesmo controlar servos.
Este brinquedo vem em dois modelos, A e B, onde ambos são praticamente do tamanho de um cartão de crédito, mais precisamente 85.60 mm × 53.98 mm e trazem na placa um processador 700 MHz ARM1176JZF-S core, 512 MB de memória compartilhada com o controlador gráfico Broadcom VideoCore IV que permite uma resolução de vídeo 1080p.
Para saídas de video temos uma saída RCA composto (PAL e NTSC) e uma saída HDMI que permite 14 resoluções de 640×350 até 1920×1200 mais diversos padrões PAL e NTSC, e uma saída audio 3.5mm (ligação normal de uns auscultadores de ouvido).
É alimentado por uma ficha micro-usb de 5v, ou através da porta GPIO, e correm versões de alguns sistemas operativos baseados em Linux especificamente compiladas para este dispositivo.
Como armazenamento, o RPI aceita cartões de memória SD, e a comunidade aconselha a utilizar cartões SDHC pois têm sido os mais reportados como compatíveis. Este cartão SD é pré-formatado com o sistema operativo que vai correr e até onde entendi o espaço restante é utilizado para armazenamento.
Vi tutoriais de como pré-formatar o cartão em que utilizavam cartões de 2Gb, portanto assumo que este seja o mínimo, mas não sei precisar quanto espaço fica disponível para armazenamento depois da instalação.
As diferenças nos modelos A e B surgem na forma de que o modelo A apenas traz uma porta USB, e funciona com correntes de 500mA, e no modelo B são fornecidas duas portas USB, uma porta 10/100 Ethernet (RJ45) e funciona com correntes de 700mA.
E claro, o preço do modelo A é ligeiramente mais barato que o do modelo B, devendo-se à diferença de hardware.
Isto tudo numa placa de circuitos impressos com este aspecto:
Claro que estas coisas são orientadas mais para... ...geeks? :) Creio que sim, mas continua a ter potencial para a malta que não é tão interessada ou entendida na programação.
Como a sua saída video é HDMI, o RPI pode ser utilizado como um daqueles sticks que transformam a TV numa smartTV, ou pode ser utilizado como media center.
Basicamente pode ser utilizado para (quase) tudo aquilo que a nossa imaginação se lembre, visto ser, lá está, um mini-computador a preço mais ou menos acessível (mais à frente chegarei ao porquê do mais ou menos acessível).
Esta placa suporta que se ligue um hub USB para podermos ligar mais periféricos além do rato e teclado, como por exemplo discos externos, pen's de acesso a redes WI-FI ou até mesmo unidades de GPS, pois li alguns testemunhos de malta que conseguiu comunicar com os seus GPS ligados através da porta USB do RPI.
Acho que um nível de computação e processamento destes num hardware tão pequeno pode ter bastante potencial. Podemos imaginar coisas tão básicas como automatização de portas, luzes ou equipamentos electrónicos, como mais complexas como, através da leitura de sensores, automatizar a casa para uma pessoa idosa, ou com uma deficiência ou incapacidade, em suma, alguém que possa precisar de uma maior vigilância e assistência.
O RPI é um brinquedo espectacular, e como disse, foi feito para ser barato e acessível, mas será tão acessível assim? Estamos em época de crise, então a definição de acessível é bastante volátil...
O quanto custa um Raspberry PI, com tudo o que é necessário para funcionar, vai depender muito do material que já possamos ter pela casa, como o cabo HDMI, ou o cabo de alimentação.
Bem, a dizer a verdade, em teoria apenas precisamos de comprar o RPI em si, e ter a sorte de um dos nossos cartões SDHC ser compatível.
Vamos imaginar que temos ao nosso dispor tudo o que precisamos para colocar um Raspberry PI a funcionar, excepto o próprio Raspberry Pi. Isto traduz-se em :
1 cabo HDMI (pressupõe que tenhamos uma TV ou um monitor que aceitem ligações HDMI.)
1 cartão de memória SDHC (que terá de ser formatado de acordo com instruções no site do RPI)
1 cabo USB para Micro-USB para usar como alimentação.
1 rato e teclado USB
Para base de preços, vou utilizar os presentes no site InMotion.pt, pois aparentemente é de confiança.
É de notar o facto de que está a decorrer uma campanha no site InMotion onde oferecem os portes de envio para as compras de valor superior a 35 Euros + IVA. Infelizmente a campanha termina a 28 deste mês, portanto já não deve dar muito tempo para aproveitar.
Neste momento só vejo disponível o modelo B, o que não é grande problema pois eu acho que o modelo B é preferível apenas por trazer uma porta Ethernet. A InMotion tem à venda dois modelos B, um com 256MB e outro com 512MB de memória, mas o de 256MB está esgotado.
Curiosamente custam os dois o mesmo, 35.95 Euros + IVA.
Então, se fossemos a encomendar hoje um RPI, como teriamos oferta dos portes, este ficaria por 44,22 Euros. Tendo em conta que já temos tudo o que precisamos para o fazer funcionar, infelizmente ainda se trata de um valor um tanto ou quanto inacessível para muita gente neste momento em Portugal.
Mas vamos armar-nos em ricos, e comprar tudo o que é preciso para colocar um Raspberry Pi a funcionar, exceptuando o monitor. Praticamente todos temos uma televisão com entrada HDMI, e juntar o preço de um monitor ao conjunto ia fazer o total saltar para o espaço. Não vou considerar também o preço do cabo eterneth, eu acho que todos temos pelo menos um cabo eterneth algures perdido no armario do hardware... :P Existe ainda um dongle Wi-Fi USB suportado pelo RPI e à venda no site InMotion (7,95 EUR + IVA), mas também não o vou considerar pois quero fazer um setup pelo preço mais baixo.
Assim, a nossa lista compõe-se de:
1 Raspberry PI - 35.95 EUR + IVA
1 Caixa para a placa - 8,95 EUR + IVA.
Aqui escolhi uma caixa que permite ser cortada para aceder a porta GPIO, e só custa mais 1 euro que a mais barata que existe.
1 fonte de alimentação própria para o RPI - 7,95 EUR + IVA
1 cartão de memória Kingston SDHC 4GB - 3,90 EUR na Chiptec
Este é um cartão normalíssimo que terá de ser formatado com o sistema operativo que vamos arrancar no RPI. Talvez possa estar a dar um tiro no pé aqui... Porque não sei se o cartão é compatível. Na InMotion é possível comprar um cartão também ele Kingston SDHC de 4GB testado e compatível por 6,95 EUR + IVA, também ele a necessitar que se formate com o sistema operativo, ou então poderíamos optar pelo mesmo cartão mas pré-instalado com o Raspbian (o sistema operativo mais popular) por 8,95 EUR + IVA. Eu vou ter fé, e fazer a conta considerando o mais barato na chiptec.
1 cabo HDMI de alta velocidade com 1 metro - 2,95 EUR + IVA.
Vamos neste momento com uma conta de 55,80 Euros, ainda sem IVA, na InMotion, à qual temos de somar os 3,90 Euros do cartão da Chiptec.
Aplicando o IVA à conta da InMotion dá um total de 68,63 Euros, mais 3,90 do cartao da chiptec dá um total de 72,53 Euros. Arredondemos para os 73 Euros.
Ok, é um computador altamente configurável e que pode proporcionar muitas horas de entretenimento e aprendizagem, mas 73 Euros, apenas para brincar, ainda se torna um bocado puxadote na altura que o País atravessa.
Nos entretantos, e como eu gosto de experimentar coisas, descobri que podemos arrancar o Raspbian numa máquina virtual no Windows.
Não pode ser feito com o famoso VMware porque o Raspbian é arquitectado para correr numa arquitectura ARM, então utilizamos um programa chamado QEMU, alterado especificamente para correr esta imagem.
Para por a funcionar, saquem o ficheiro qemu.zip através do post que linkei ali em cima, ou então podem saca-lo directamente do meu servidor aqui.
Este ficheiro traz uma imagem do Raspbian com a data de 15-07-2012. Eu tentei correr a mais recente, e não consegui, aparentemente porque existiram alterações a nível de kernel que teriam de ser actualizadas para o qemu. Honestamente não perdi muito tempo com isto, visto que consegui arrancar sem problemas a imagem de 15 de Julho, e já dá para ver a coisa em acção.
Para isso, extraiam o ficheiro qemu.zip para uma pasta no vosso computador, e executem o ficheiro run.bat
A primeira vez que correrem o programa vai demorar algum tempo, e vão ser pedidas configurações iniciais simples, bastando seguir as instruções que aparecem no ecrã.
Eventualmente vai ser pedido o login. Introduzam como utilizador "pi" e como password "raspberry", ambos sem as aspas. Será apresentada a linha de comandos. Escrevam "startx" (sem as aspas) e carreguem na tecla ENTER para entrar no modo gráfico:
Quando se fartarem, carreguem no botão que está no canto inferior direito, e façam logout.
Depois, no terminal insiram os seguintes comandos para desligar:
sudo -i
shutdown -hP now Adeus!
Isto vai colocar a imagem no estado parado, e já podem fechar o programa. Esta acção seria o semelhante a encerrar um RPI físico, e desliga-lo da tomada.
Embora sendo apenas emulado, já dá para ter uma ideia do que será a coisa, e volto a dizer, tem potencial. :D
Pelo menos eu gosto, e bastante. Está na altura de começar um pézinho de meia. E já agora, quem quiser contribuir para o projecto Raspberry PI, por favor fique à vontade *cough* *cough* ^^
Gosto de pensar no que a tecnologia nos trará no dia de amanhã. Parece que ainda há bem pouco tempo surgiram os primeiros telemóveis, e agora existe este mini-computador com utilizações praticamente infinitas.
O que será que o futuro nos trará em termos de tecnologia? Eu mal posso esperar!!! :D
E com este pensamento vos deixo, meus amigos, pois acho que já falei bastante sobre este gadget, e porque penso que já esgotei tudo o que descobri sobre o assunto. Mais... Só mesmo "escavacando" um! Hehehe...
Espero que tenham gostado desta nova abordagem a um post mais limpinho.
Uma boa noite para todos.
Fontes:
http://en.wikipedia.org/wiki/Raspberry_Pi
http://elinux.org
http://elinux.org/RPi_SD_cards
http://www.raspberrypi.org
http://www.raspberrypi.org/phpBB3/viewtopic.php?f=26&t=16919
http://www.inmotion.pt
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