Pessoal... Preciso da vossa opinião sincera. Passo a explicar:
Quero fazer umas prateleiras para arrumar os meus livros. Tenho tantos que já não sei onde os arrumar... ...então vou construir umas prateleiras para os guardar. E fui comprar o material para isso.
Quando regresso ao carro, arrumo tudo na mala (sim, consegui colocar 4 pranchas de 15cm por metro e trinta na bagageira de um CRX, sou o maior!!) e reparo que estou a ouvir uns latidos. Olho a minha volta, e percebo que os latidos vêm do carro que está estacionado ao lado do meu.
Tratava-se de um cachorro, novinho, parecido aqueles do anuncio da Scottex. E o problema é que o carro estava completamente fechado. Não deixaram uma nesga do vidro aberto, nada. Reparei que o canito já tinha a lingua toda de fora, devia estar a morrer de sede, sei lá eu.
Fiquei ali um bocado, dei três voltas ao carro, e não sabia bem o que fazer. O cachorro seguia-me dentro do carro para onde quer que eu fosse, à frente, de lado, atrás, whatever! So queria vir atrás de mim. Não sabia mesmo o que fazer, então achei que pelo menos tirava uma fotografia ao carro. Com que finalidade eu não sei, mas achei que mal não devia fazer.
Tinha mesmo acabado de tirar a foto quando aparecem os donos do carro.
Agora, eu não gosto de julgar um livro pela sua capa, mas tenho de dizer que era um casal, pouco mais velho que eu, mas com um mau aspecto terrível. Não é que eu tenha bom aspecto, mas aquela par rebentava a escala. Ela vinha com uma criança de alguns 3 anos ao colo. Assim que os vi, interpelei-os imediatamente: "Este carro é vosso?".
"É sim" respondeu o bacano. E eu continuei "vocês deixaram-no completamente fechado com um cão lá dentro, e ele tá cheio de sede. Têm de ter cuidado com estas coisas, amigos...".
E o gajo vira-se para mim e diz: "mas foi pouco tempo!". Eu respondi que mesmo pouco tempo pode ser fatal. Já vi cães morrerem assim fechados no carro.
Pela cara que fizeram, percebi imediatamente que as minhas palavras entraram por um ouvido a 100 à hora e saíram pelo outro a 1000... Mas enfim. Disse somente que era preciso muito cuidado com estas coisas, e começo a dirigir-me ao meu carro para me vir embora. Foi quando a madame achou que tinha vontade de refilar comigo.
"Então e você estava a tirar uma fotografia ao MEU carro porquê?", perguntou ela.
"Porque posso. Porque não haveria de tirar?" respondi.
"Mas não pode não. Não pode tirar fotografias ao meu carro!!" diz a senhora.
"Claro que posso! Estamos num sitio publico." disse eu, abrindo os braços e acenando em meu redor, indicando o parque de estacionamento.
"Isso é o que vamos ver!!" diz ela, enquanto se mete dentro do carro.
Eu simplesmente dei uma daquelas minhas gargalhadas sonoras, disse "Ok, força nisso!", e meti-me dentro do meu carro para me vir embora.
Estava já o casal do ano a vir embora, quando de dentro do carro o senhor ainda me diz qualquer coisa como "sabes, está um sol desgraçado hoje... E o carro debaixo da arvore também fica quente como o caraças..."
Eu limitei-me a esticar o braço na direcção dele e lentamente levantar o polegar. Dei-lhe um "fixe meu!" e fiz-lhe sinal para ele se ir embora. Ainda pensei dar-lhe um manguito, mas achei que não valia a pena. E assim se passou este pequeno episódio.
No entanto, fiquei a pensar nisto (é o mau grande defeito, eu penso :/ )...
Será que quem deixa um animal dentro de um carro, não deixará uma criança? E depois, sim, hoje o dia está nublado. O sol está tapado. Mas eu, que sou um friorento de primeira apanha, tenho calor. Sinto o dia abafado. Mas é verdade, o sol está tapado, e não bate directamente em nós. Será que por isso apenas não seria necessário abrir um pouco do vidro do carro para o cão ter ar?
Será que eu devia era ter ignorado o animal, ter ido à minha vida, ou fiz bem por lhes ter dado o sermão?
Será que me estou a tornar uma daquelas pessoas estúpidas e mesquinhas que se devem meter na sua própria vida e deixar os outros em paz?
/me wonders
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