sexta-feira, 10 de maio de 2013

Exmos srs Ministros

Olá a todos.

Antes de mais devo dizer que acordei com uma neura desgraçada. Hummmm, não, é pior que uma neura. Estou mesmo zangado, chateado, estou mesmo fodido da vida.

Permitam-me que vos introduza no contexto, para que melhor possam compreender os motivos da minha raiva.

Eu, tal como o meu agregado familiar, e todos os Portugues (em teoria), estamos inseridos no Sistema Nacional de Saúde, e afectos a um centro de saúde.
E nesse centro de saúde as coisas sempre foram assim um pouco fora do normal, mas agora atingiram um nível surreal.
A minha médica de família de há 30 anos para cá reformou-se. Mas foi assim uma reforma muito estranha... Diz-se que ela já tinha metido os papeis para a reforma, e que estava a trabalhar à espera da resposta. E um belo dia, em que ela estava a fazer consultas, aparentemente recebeu a resposta: "Mas o que é que você está aqui a fazer, a sua reforma foi aprovada". E ela agarrou e foi-se embora. Conta-se que não acabou sequer de consultar o resto dos doentes que tinha para esse dia.
Ora isto a mim faz-me uma tremenda confusão. Está certo que eu não sei como funcionam essas coisas das reformas, e respostas e etcéteras... ...mas acho super estranho essa coisa de estar a bulir e de repente "epah, vai-te embora que estás reformada"...
Então não ocorre uma comunicação prévia, uma carta, um telefonema, algo do género que infome "O seu pedido de reforma foi aceite, e estará em vigor a partir da data X." Aqui na minha cabecinha de burro, isto faz-me sentido, mas quem sou eu para questionar os métodos de trabalho dos senhores?
Isto cá para mim, na minha opinião pessoal, cheira, tresanda, fede a esturro...
Apesar de eu não ter assim nenhuma grande razão de queixa da doutora, haviam outros pacientes que não partilhavam da mesma opinião. Comigo a coisa era pacifica, eu por vezes pedia-lhe exames, ou queixava-me da medicação, ela discutia comigo, eu discutia com ela, mostrava-lhe o meu ponto de vista, argumentava, contra-argumentava e normalmente saía de lá com as credenciais ou receitas de que precisava.
Mas sei por exemplo de um caso bem próximo (a minha mãe), que se queixa dos ossos e articulações há anos. Eu olho para os ossos do pulso dela, e vejo saliências que me arrepiam. O mesmo se passa nos tornozelos.
Mas que cada vez que ela se queixava à médica, a resposta era: "Mas você já não tem 20 anos, do que é que está à espera?". E só passa analgésicos, nada de credenciais para ortopedistas, nem nada que se pareça. Nunca sequer tocou nos pulsos da minha mãe para sentir as saliências. Só analgésicos. Começo a pensar que a ideia é viciar as pessoas em analgésicos, para que estas os vão comprar em massa, cada vez mais, pois assim os médicos recebem as comissões e viagens do laboratório que fabrica os analgésicos. Teoria da conspiração em acção... Mas adiante, que não é isto que está em causa.

A médica pirou-se, e de repente todos os seus doentes ficaram sem médico de família. Então, o que aconteceu foi que houve um médico do centro que ficou com os doentes da doutora que se pirou, acumulando com os seus.
Ele próprio me disse que passava 18 horas naquele centro de saúde, e que não lhe pagavam mais por isso, e que o fazia apenas para que aquelas cerca de 2000 pessoas não ficassem sem médico de família.
E eu acho isto preocupante. Mas adiante, que a tragédia grega não se fica por aqui.

Durante dois meses tudo correu bem, o doutor era espectacular, mandou-me fazer uma série de exames, fez-me uma série de perguntas, aconselhou-me e orientou-me. Não tenho rigorosamente nada de mal a apontar.
Até que um belo dia também esse médico se foi embora. E embora eu não tenha a certeza, ouvi uns zunzuns lá no centro que houveram mais médicos a sair.
E então deu-se o caos.

A minha ultima consulta foi catastrófica.
Eu tinha a consulta marcada para as 16:30 da tarde. Dois dias antes telefonaram-me do centro de saúde a informar que como o médico se tinha ido embora, que eu deveria comparecer no centro de saúde no mesmo dia, mas às 14h. Vá lá que tive sorte em serem dois dias antes porque fiquei a saber que houve quem só tivesse sido avisado na véspera.
E no dia marcado, meia hora antes das 14h lá estava eu no centro de saúde. Claro que já lá estavam para aí dez doentes com consulta para aquele dia. Vi logo nesse momento que a coisa não ia correr bem.

Então o que foi que aquelas brilhantes cabecinhas pensadoras se lembraram de fazer para resolver o problema?
Simples, cancelaram o atendimento complementar, vulgo urgências, naquele centro.
Antes de continuar, deixem-me explicar o porque desta ser uma decisão simplesmente merdosa...
Porque que se agora eu tiver de ir às urgências do Hospital do Barreiro, estou impedido de ir ao centro de saúde fazer a pré triagem, conforme, até onde sei, mandam as regras do Hospital, porque o centro de saúde não faz urgências. E como não fiz a pré triagem, no Hospital vão dar-me uma senha branca, que é como quem diz: "Todo e qualquer individuo que se tenha dirigido ao centro de saúde ao qual está afecto antes de se dirigir ao Hospital vai ter prioridade sobre ti, pois tu não fizeste a pré triagem.". Ou seja, passo lá o dia inteiro, e no fim ainda me cobram vinte paus que é para não me ficar a rir.
Mas independentemente disso, decidiram acabar com o atendimento complementar no centro de saúde para que o médico que supostamente iria fazer esse atendimento possa realizar as consultas do médico que se pirou, que tinha ficado com os doentes da outra médica que também se pirou.
O problema é que esse médico também tem a sua agenda para cumprir. Então apenas pode consultar os "excedentes" no horário do atendimento complementar, que só começa às 14h. Ora nem mais, a hora a que me mandaram comparecer no centro...
E como decidiram armar a tenda para o espectáculo triste que iam realizar? Fácil, as consultas iam ser dadas consoante a hora de marcação das mesmas. Quem estava marcado para as 9h da manhã, foi chamado primeiro, depois quem estava marcado para as 9:15h, assim sucessivamente.
E então assim começou o circo. As 14:35h entrou para o gabinete do médico o doente das 9h.
Não é preciso ser um génio para perceber que se só se começa as 14h algo que deveria ter começado as 9h, que a coisa vai correr mal. Seriamente mal.
E eu estava marcado para as 16:30h. Claro que perdi a esperança de sair de lá ainda de dia. Fui até ao carro, marquei o despertador do relogio para dali a hora e meia, e fui dormir.
Para não vos estar a maçar, vou apenas dizer que foi uma das piores experiências que já tive naquele centro de saúde. Valeu a boa disposição da médica, que apesar de também não ter culpa nenhuma, também teve de gramar com o frete como nós. Eu fui o penúltimo paciente a ser consultado, já passavam das oito da noite quando saí do centro, e ela ainda lá ficou a dar consulta ao ultimo doente.

Como à hora em que saí da consulta, os guichés já se encontravam encerrados, voltei no dia seguinte para marcar a consulta de fim de baixa. Qual não foi o meu espanto quando me disseram que não podem marcar, que não têm agenda, que eu não tenho médico de família, e que como tal não podem marcar. Eu ainda argumentei que tenho uma doença crónica, e que como estou de baixa tenho mesmo de ser consultado naquele dia. A senhora, extremamente simpática (NOT!!!!) disse-me que perante a lei tenho cinco dias úteis após o fim da baixa para ter essa consulta. Mandaram-me estar lá no centro de saúde num dia à minha escolha, de entre os cinco dias úteis ao fim da minha baixa. Não fiquei muito convencido, mas também não adiantava muito continuar a tentar levar a mulher à razão, até porque mais um bocado ali e eu era agredido na certa.

Aquilo lá no centro de saúde anda uma confusão desgraçada, os funcionários, enfermeiros e médicos andam num stress desgraçado, que até me fazem passar dos carretos a mim, que sou um tipo bem educado e simpático... Portanto imaginem. Mas o melhor vem agora...
Há um par de dias a minha mãe foi ao centro de saúde. Acabaram os medicamentos dela, então ela foi lá para pedir mais. Como se anda a queixar mais das dores, achou por bem pedir para marcar uma consulta, seja com que médico for. E eu acho que ela achou bem.
Só que saiu de lá sem receitas para medicamentos, sem consultas, sem nada além das dores com as quais para lá foi, e sem a paciência que lá lhe tiraram.

Segundo o senhor que estava a atender no guiché, continuam sem marcar consultas para quem não tem médico de família. A minha mãe perguntou pelo meu caso, e o senhor respondeu para ir lá no dia em que acaba a baixa, as 8h da manhã para se tentar resolver, com ênfase no tentar.
Mas pior que isso foi a minha mãe vir sem medicação nem consulta. Estava lá um senhor diabético, também com a medicação a terminar, e com exames para mostrar, e também ninguém responsável foi capaz de lhe marcar uma consulta.

Então é a este estado que chegamos? Andamos nós uma vida inteira a pagar impostos para agora sermos tratados desta forma?
Existem doentes que têm mesmo de ter acesso às consultas, e nem sequer falo de mim... Os doentes diabéticos têm sempre prioridade, menos no meu centro de saúde. Espero que pelo menos as grávidas e as crianças tenham melhor tratamento, porque até onde vi, o resto dos doentes bem que pode pagar consultas num privado, ou então vai morrer na calçada...

E isto, meus amigos, revolta-me para lá do imaginável... Mas que raio se vem a passar aqui?

Exmos srs Ministros, isto que vocês estão a fazer é um crime. Chama-se homicídio qualificado. E se não se chama deveria chamar. Homicídio qualificado, burla, tráfico de influências, whatever!!
Com isto matam dois coelhos de uma cajadada... Quem não tem dinheiro para pagar um privado, também não tem dinheiro que vocês possam sacar com cortes, taxas e impostos, então pode bem morrer que é menos essa reforma ou subsidio de desemprego a pesar no orçamento de estado, não é? E quem consegue suportar um privado, é sinal que tem alguma coisa que vocês possam ir chular para continuar com as vossas mordomias repugnantes. Isto para não falar de que os donos dos privados, que arrecadam o dinheiro que os desgraçados que ainda conseguem e simplesmente não têm outra hipótese lá vão deixar, pertencem na sua grande maioria ao vosso gang, portanto, dois coelhos com uma cajadada.

Pois espero que tenham consciência que o Povo não vai aguentar isto muito mais tempo. Cada vez vejo e ouço mais e mais gente a pedir as cabeças de quem nos desgoverna.
O Povo começa a perder as coisas importantes que os fazia ter calma e juízo. Começa a perder a paciência, a esperança, a fé. E quando isso acontecer, serão vocês que vão morrer na calçada.

Tenham cuidado.

E povo Português, lembrem-se que o nosso poder é bem maior do que aquele que imaginamos... ...não deixem que vos continuem a fazer a lavagem cerebral.



Um extremamente enervado, enraivecido e farto
Gajo Sem Colon


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