segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A triste alegria de se estar vivo

Bom dia caros amigos e amigas.

Ui... Foi uma noite longa. Estou com umas olheiras terríveis, e ainda estou zonzo.
Se calhar ainda estou com os copos, ou se calhar é mesmo do sono, não sei...
Ultimamente não sei grande coisa, tenho andado bem baralhado da minha vida, mas há uma coisa que eu sei. Ontem deixei-vos em alvoroço (sim, eu sou presunçoso ao ponto de pensar que vocês ficam em alvoroço por minha causa) e não havia a mínima necessidade.
Claro que também não é novidade nenhuma, afinal a posts meus onde só refilo e choro e me lamento estão vocês mais que habituados. Ou pensavam que se viam livres assim com tanta facilidade? Não...
Toda a gente muda, mas a sua essência fica. Aquilo que nos torna indivíduos, que nos distingue dos nossos semelhantes, aquilo que impede que sejamos todos apenas um monte de robôs feitos em série.
Ok... Se calhar até somos todos um monte de robôs, não feitos em série todos estéticamente iguais uns aos outros, mas pré-programados e transformados em carneirinhos dóceis, só que assim já começo a entrar no campo da politiquice (cada vez mais me apetece chamar-lhe antes palhaçice) e muito honestamente não me apetece.
Estava a dizer que todo e cada um de nós tem a sua essência. Um núcleo, uma maneira de ser que, por mais que a pessoa mude, continuará sempre presente. E eu sou assim.
Sou emotivo. Sou sensível. Sou dramático, e não sei ser de outra forma.
Sempre fui um tipo bem disposto. Dizem-me várias vezes que sou pessimista, mas eu considero-me mais uma pessoa positiva que gosta de considerar o pior cenário possível para poder estar preparado para o pior. Raciocinem comigo, se nos prepararmos para o pior, tudo o que vier será canja, certo?
Não. Errado! Aparentemente está errado. Ou se estiver certo, e isto é a minha forma de reagir estando preparado para o pior, então não quero saber como seria se não me preparasse... Já imaginaram?

Independentemente disso tudo agora, o certo é que, mais uma vez, fui recordado de que tenho amigos. Grandes amigos, com os quais posso contar. Amigos que ao ver que eu lá ia encaminhado para mais um dos meus dramas saíram do seu caminho para me dar uma palavra amiga.
E o mínimo que posso fazer é explicar-vos a todos o que aconteceu. Nada de novo, como vocês estão fartos de saber. São as Marias... O que haveria de ser, né? :)

É extremamente interessante pensar que o facto de não ter cólon não me afecta tanto como o maldito coração. A minha vida mudou drasticamente, mas aparentemente o velho músculo continua com as suas nóias. E agora pode parecer que tenho problemas cardíacos, então deixem-me esclarecer: não.
O meu coração, fisicamente falando, está bom. Pelo menos eu acho que sim, depois de tanta prova de esforço, depois de tanto eco e electrocardiograma feito, acredito piamente que se se passasse alguma coisa já me teriam dito. E felizmente, além de me dizerem constantemente que eu tenho a tensão arterial baixa, não me alarmam.
O problema do dito músculo é mesmo a parte psicológica. Logicamente... A parte psicológica é que me deita ao tapete. A ser sincero, não me surpreende. Afinal, tanto o meu psicólogo como a gastroenterologista são da opinião que o principal responsável pelas minhas cólicas e afins sou eu mesmo. Maldita ansiedade...

E pelos vistos eu não me ajudo a mim mesmo. Já não me bastava andar numa montanha russa emocional com todos os stresses que já tenho, com a preocupação constante de não ver um caminho para um futuro decente, a lidar com comidas e a ler os rótulos das coisas para ver se vou arriscar ou não, com os medicamentos, sem saber se vou ter um dia limpinho ou se me vou borrar, enfim... Já não me bastava andar preocupado com a vida, eu ainda vou comprar mais umas voltinhas na montanha russa. Yeay sou tão inteligente!!!!

Não vou contar porquê, mas decidi falar com a minha ex-namorada. E agora não sei se isso não foi um erro.
Não, não foi. Tenho a certeza que não foi porque a verdade é que me senti feliz. Feliz como não me sentia há muito tempo. E ela também gostou de falar comigo (ou então mentiu-me lol), então não pode ser um erro.
Mas com isto fiquei a saber uma coisa muito importante. Eu gosto dela. Quer dizer, gosto no sentido de gostar, ou seja... Claro que vai ser sempre uma pessoa da qual vou gostar. Partilhamos muitos momentos bons e uns quantos menos bons, mas é a isso que se chama viver. Interagir, dialogar, socializar. Cresci imenso como pessoa, e sei que muito o devo a ela. Então vai ser sempre uma pessoa da qual vou gostar. Mas a felicidade que senti... ...opah, não sei explicar. Como disse, não me sentia assim há mesmo muito tempo.
Foi uma experiência muito... ...intensa. E não, parem lá essas mentes pecaminosas, não se passou nada. Apenas se passou que dois grandes amigos muito queridos um para o outro que não se viam há muito tempo foram beber um café para por a conversa em dia.
E nessa conversa fui assolado por um turbilhão de sentimentos. Foi como se me tivessem atirado para dentro de uma máquina de lavar, e utilizado emoções como detergente.  De repente sentia-me feliz. Felicíssimo! Esquecia todo e qualquer problema da minha vida. A seguir sentia-me culpado. Eu sou homenzinho o suficiente para admitir que falhei em muita coisa, que podia ter feito muita coisa de maneira diferente. Ao mesmo tempo sentia-me impotente porque atravessei (e ainda atravesso) uma fase conturbada da minha vida. Quer dizer, no espaço de um ano fiquei a saber que teria de ser operado, que a situação não era para brincadeira, e fui submetido a duas cirurgias de barriga aberta para me retirarem o cólon. E quer queiramos quer não, isso mexe com um gajo. Todos os stresses que tive no trabalho, nessa mudança de vida, também não ajudaram, e de facto eu estava a tornar-me um tipo que eu próprio não gostava. Mas lá está, isso não desculpa tudo. Eu tinha a obrigação de ter sido melhor namorado, e falhei. E sentia-me triste por isso. Por tudo. Por não ter funcionado.
Fui beber este café com um estado de espírito completamente aberto, tal como quando nos conhecemos a primeira vez. Eu não fazia ideia de como está a vida dela. Não sabia se namorava, se era solteira, se estava a trabalhar, se não estava, só sabia que ia beber café, sem segundas intenções de qualquer parte. E foi com esse estado de espírito que fui. E pronto, no fim de tudo foi bom.
Conversamos bastante, fomos sinceros, fomos honestos. Eu fiquei a saber que ela namora, e que mesmo que não namorasse, já não sente o mesmo que sentia por mim. E é nessa parte, quando ouço isso, que sinto uma tristeza maior que o mundo apoderar-se de mim, e que eu percebo que se calhar... ...ela não é para mim só uma pessoa especial. Se calhar ainda é mais que isso. Mas isso... ...deixa-me triste. E feliz, ao mesmo tempo.
Entendam-me, eu só quero que ela seja feliz, seja com quem for. Fico feliz se souber que ela é feliz. Mas descobri que ainda fico triste se não for comigo que ela for feliz. Triste porque tive, tivemos os dois algo muito bom, que eu também deixei morrer. Triste por ouvir que os sentimentos já não são os mesmos.
E sim. Eu sei. Vocês têm toda a razão, não precisam de começar já a mandar vir... Eu sei que isto é uma coisa que o tempo cura. Nesta altura do campeonato, se não soubesse isto, então de certeza que teria uma qualquer patologia cerebral grave e precisava urgentemente de ser internado. Mas fiquei surpreendido por ainda sentir esta tristeza. Fiquei extremamente admirado por ainda ter sentido aquelas voltas na montanha russa emocional. Se calhar isso explica o porquê de eu continuar solteiro, e não ter tido a mínima vontade de deixar de o ser. Não sei mesmo o que pensar, muito menos o que fazer... ...ou até sei. É deixar. Não pensar mais. Largar. A única coisa que vai fazer alguma coisa de bem aqui é deixar o tempo fazer o seu trabalho... Mas infelizmente o cérebro humano tende a saber uma coisa neste preciso momento, e daqui a bocado ter esquecido momentaneamente. E esta é uma delas...
Para ajudar, há um pormenor que mesmo sendo pequeno, ajudou a isto tudo...
Como sabem, eu deixei de fumar. Tive complicações pulmonares, e tive de parar de fumar. E isso não é assim tão fácil, pelo menos para mim. Então troquei por bolachas, pastilhas, e o mais eficaz: cerveja.
Bebo cerveja com dois propósitos. Primeiro, ocupa-me o suficiente para não fumar. Eu sei que é parvo isto que estou a dizer, mas o certo é que tem estado a funcionar. E depois, a cerveja ajuda-me a arrotar, e ao arrotar sinto que faço melhor a digestão e futuro processamento "descolonado". Ao arrotar sinto um enorme alivio na barriga, muito semelhante ao que sinto quando consigo largar um flauto, mas com a vantagem de que ao arrotar eu tenho a certeza de que não vou ter nenhum acidente.
E como não estava a espera de receber o dito convite para beber café, não tinha muito para fazer e estava aborrecido, já estava lançado na minha epopeia alcoólica. (Isto agora soou tão mal, pareço um bêbedo... lol)
Entao acho que isso também ajudou a que a bola de neve se formasse...
E depois um gajo põe-se a pensar em tudo isto que vos disse neste já gigante texto e tantas outras coisas, e... ...o meu mural no Facebook é que paga. E vocês, que ficam preocupados comigo.

Enfim...
Como vêem foi apenas mais uma parvoíce insignificante, que a essência do meu ser aliada ao álcool a deslimitar as regras no cérebro provocou. Nada de novo... O facebook é que devia ter um qualquer sistema de prevenção de publicação de posts... hehe

Resta-me apenas cobrir de vergonha, e dizer:

Obrigado. Obrigado a todos vocês que se preocuparam. Valeu.

Um grande abraço
O Gajo Sem Cólon

2 comentários:

  1. uhmmm...agora fikei preoc c cerveja.ana dias

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    1. lol pronto... Agora passo por bêbedo... :P
      Não, calma... Relax, tá tudo controlado... ;)
      Beijinhos.

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