Amanhece mais um Domingo. Que para mim podia ser mais uma Segunda-feira, feriado ou dia-de-são-nunca-à-tarde.
Estou na cozinha a comer a minha "massa consistente", e o meu gato está encostado à janela da varanda, a olhar para mim com aquela cara de pobrezinho pedinchas.
A "massa consistente" é o meu pequeno-almoço personalizado, inventado aqui pelo próprio, e é maioritariamente composto de Nestum de Arroz e bolachas Maria. Um dia ponho aqui a receita, se é que possa vir a ter algum interesse. Voltemos ao bichano, eu sei bem o que ele quer.
Quer janela. Muito gostam os meus gatos que eu lhes pegue ao colo, abra a janela e ali fique com eles a olhar para a rua.
Fiz-lhe a vontade, e reparo com agrado que o dia, apesar de frio, até não está feio. Ainda é bastante cedo. Hoje é um daqueles dias em que se poderia sair de casa agora, dar um salto até à praia, escrever mais uns parágrafos, quiçá tirar umas fotografias (já não me lembro quando foi a ultima vez que saí para fotografar... :/ ).
Isto era algo que eu fazia com alguma frequência. Saía de casa, sem destino certo, e depois logo voltava quando me fartasse. E era fixe. E muito honestamente hoje é um dia que parece porreiro para isso. Mas...
Pois. Já cá faltava o mas. Há sempre um mas. Haverá sempre um mas.
Respira fundo. Vamos a isso.
Mas, hoje, só durante o dia de hoje, que começou às 0 horas, já fui quatro vezes à casa de banho.
Estou a sentir o raio da barriga a borbulhar, o que indica que não tarda muito vai surgir a quinta ida ao poço. Tenho neste momento o olho do cu a arder de tal forma que estou a escrever estas linhas em pé.
Ultimamente é assim, parecido com o menino Jesus, que ora está estendido, ora está deitado, eu sou mais ora está em pé, ora está deitado.
Porque pura e simplesmente parece que não consigo estar sentado. Não sei se é da posição com que a barriga fica, se será por ficar apertada, o certo é que uns cinco minutos depois de estar sentado começo a sentir a barriga a apertar. E quando a barriga aperta, a seguir vem a contracção do anús, o que provoca o dito ardor que faz subir paredes, e depois das duas uma... Ou passa o aperto da barriga, ou tenho de correr para a casa de banho porque me vou borrar. Bem, quer dizer... Analisando bem a coisa, de uma maneira ou outra o aperto passa. Se passar por ter passado... ...passou (duh!). Mas se tenho de correr para o cagatório, o aperto também passa. É fixe, não é? Até é, mas o problema é que o ardor demoníaco continua. Esse não passa. Mesmo depois de me lavar com agua fria e sabão azul e branco, a sensação que tenho é a de que de repente as minhas fezes foram substituídas por chá a ferver, e este está a sair pelas frinchas do meu mal vedado traseiro (e isto soa bem pior escrito do que o mal que estava a soar na minha cabeça... ).
E isto, meus caros, DÓI!!!!!! Mas dói literalmente, não me refiro a uma dor de alma, ou dor de espírito, mas sim de uma dor bem física, demasiado física, que me faz a mim, que me considerava um tipo muito resistente à dor física, querer dar cabeçadas na parede. Bah... Querer? Eu já, em desespero, dei cabeçadas na ombreira da porta. Se é que vos interessa saber, a curto prazo foi porreiro, mas a longo prazo não ajudou em nada.
E assim amanhece mais um Domingo. Que para mim podia ser mais uma Segunda-feira, feriado ou dia-de-são-nunca-à-tarde.
A minha rotina traduz-se em cólicas, dores no olho do cú, assaltos ao WC a praticamente cada movimento intestinal e desespero por não ver uma saída para isto.
Não ver o que possa fazer para me sentir melhor. E o que é o pior disso tudo, aquilo que mais me rebenta com o sistema nervoso, é ver-me de braços e pernas atados em relação ao meu futuro.
Sempre tive objectivos, como já o disse aqui. E correndo o risco de me repetir, a verdade é que continuo na mesma, se não pior, em relação a perspectivas de futuro.
Já não bastava isto andar um crise desgraçada onde pura e simplesmente não existe trabalho. O País atravessa uma fase muito complicada e difícil, onde nos pedem mais compreensão e sacrifícios, e eu só me pergunto como é que eu vou conseguir sacrificar-me. Como vou conseguir cumprir com algum eventual contrato de trabalho que possa vir a ter. E nem vou entrar pela onda de "e um trabalho a fazer o quê?"...
Estou num ponto em que dou comigo a pensar: "se eu não consigo tirar um Domingo para mim mesmo e relaxar, como raio hei-de conseguir trabalhar e construir o meu futuro?". E isso é desesperante.
Muito.
E assim amanhece mais um Domingo. Que para mim podia ser mais uma Segunda-feira, feriado ou dia-de-são-nunca-à-tarde.
AVISO: Este blog não é aconselhável a pessoas sensíveis
ou facilmente impressionáveis.
Serão aqui relatados episódios e "aventuras" da vida de uma pessoa após uma proctocolectomia total.
Se se incomoda com ideias e pensamentos fortes e desagradáveis, por favor queira fechar esta pagina.
P.S: Nao aconselho a leitura deste blog durante a refeição.
Considerem-se avisados... :P
P.P.S.: Por vezes eu digo asneiras. Muitas...
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doí demais só de pensar no que estas a passar puto tem calma melhores dias virão ... .. íris
ResponderEliminarHá que ter fé, não é verdade? :)
EliminarObrigado pela força! :D